O objetivo desta série de entrevistas na plataforma infoRH | Covid19 é perceber ao detalhe a forma como as empresas e organizações estão a manter-se ativas e a funcionar neste contexto excecional, nunca antes vivido, devido ao surto de Covid-19. Mais do que “O quê?”, queremos saber “Como?”, “Com que recursos?”, “Recorrendo a que softwares?”, “Com que consequências?”, as empresas estão a tentar normalizar dentro do possível esta situação de “isolamento voluntário” dos colaboradores e a minimizar o impacto desta realidade na vida das organizações. A primeira entrevista é dada por Cristina Barros, managing director do IIRH, que explica como é que a nossa organização está a fazer frente a estas mudanças.
Qual foi a solução encontrada na empresa?
No IIRH optamos pelo teletrabalho a partir de meados da semana passada ainda antes do fecho das escolas.
Já trabalhávamos um dia por semana a partir de casa pelo que esta mudança não foi difícil. Todos os colaboradores têm um portátil e acesso a uma drive onde estão todos os nossos documentos. As nossas ferramentas mais específicas também são todas na cloud pelo que permitem um acesso remoto.
Estávamos preparadas para trabalhar a partir de qualquer sítio.
Como organiza o dia com os seus colaboradores? Existe quebra na produtividade?
O facto de trabalhar a partir de casa não tem por que diminuir a produtividade. Se as pessoas tiverem acesso às ferramentas de colaboração, e se a sua função permite trabalhar de casa, até pode aumentar a produtividade pois não perdemos tempo no trânsito, etc. Acredito que aqui o importante é os líderes manterem o contacto com as equipas fazendo reuniões remotas, partilhando informações por chat etc. Não faltam ferramentas que permitem manter a sensação de estar a trabalhar em equipa.
Que rotinas de trabalho mantêm?
Os horários de trabalho mantêm-se os mesmos e organizamos uma ou mais reuniões por Zoom ao longo do dia. O contacto com clientes, fornecedores e parceiros acontece da mesma forma.
Que medidas está a tomar ao nível da gestão para enfrentar a sua situação?
Uma parte importante da nossa faturação provém de eventos, além da revista RHmagazine e do portal rhmagazine.pt, pelo que a paragem total de atividade nessa área é muito preocupante. Em particular, pelo facto de não sabermos se esta situação durará semanas ou meses. Como qualquer empresa estamos a analisar a situação e veremos se é necessário tomar medidas mais drásticas. De momento os nossos eventos foram adiados.
O que recomenda a responsáveis de empresas nesta situação? Que tipo de medidas devem tomar?
Acho que cada empresário ou CEO deve começar por ver que percentagem da sua faturação está comprometida para este ano. E isso não é simples por não termos visibilidade sobre a duração desta crise. Podemos, no entanto, pensar que no mínimo o segundo trimestre está fortemente comprometido.
Se uma parte da atividade ainda é viável via online, por exemplo, devem-se centrar nessa parte. É a altura certa para desenvolver ou aperfeiçoar a venda online ou de criar uma oferta online se ela ainda não existia. Depois, obviamente calcular os custos fixos mensais com rendas, ordenados, etc., e analisar o nível de tesouraria para ver quantos meses cada empresa consegue aguentar nesta situação.
Com este quadro em mãos, depois, é tomar medidas, como pedir ajuda aos bancos para aguentar mais tempo ou decisões mais difíceis, como redução de quadros se realmente não houver outra solução.