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IA já desperta mais curiosidade do que receio entre os trabalhadores portugueses. Segundo um estudo europeu conduzido pela OpinionWay para a Cegid, 52% dos profissionais em Portugal dizem-se curiosos em relação à IA e 25% assumem sentimentos de entusiasmo e confiança quanto ao seu impacto no trabalho.
Os resultados são claros: a curiosidade domina o sentimento geral (44%), mas é em Portugal, Espanha e Alemanha que o entusiasmo e a confiança sobem mais (25% em ambos os casos). Em França, prevalece o ceticismo (31%), com receios quanto à desumanização das relações laborais.
Em contraste, metade dos portugueses (50%) acredita que a IA vai transformar radicalmente a forma como trabalhamos, o valor mais elevado entre os quatro países. A média europeia situa-se entre 44% e 46%.
Para Paulo Carvalho, General Manager da Cegid em Portugal e África, “os portugueses estão cada vez mais atentos ao impacto e ao potencial da inteligência artificial no seu trabalho. Entramos numa nova fase da IA, em que aplicações concretas e orientadas para resultados já demonstram benefícios claros, desde o aumento do desempenho até à melhoria da qualidade de vida no trabalho”.

Jovens impulsionam a mudança
A nova geração está a abrir caminho à integração da IA nas empresas portuguesas. Entre os jovens dos 18 aos 29 anos, 81% reconhecem o potencial da IA para modernizar as organizações e reforçar a competitividade. É também nesta faixa etária que se encontram os profissionais mais confiantes e curiosos, revelando uma predisposição natural para experimentar e integrar ferramentas digitais no trabalho diário.
O estudo demostra ainda que os gestores portugueses – que representam 54% da amostra – lideram o uso da tecnologia, confirmando que as funções de liderança são hoje as mais expostas e recetivas às soluções baseadas em IA.
No conjunto da força laboral, 66% dos trabalhadores portugueses já utilizam IA as suas atividades: 28% de forma regular e 38% ocasionalmente. Apenas 11% assumem não ter interesse. As Pequenas e Médias Empresas (PME) destacam-se pela taxa de adoção de 62%, um valor significativo, ainda que abaixo dos 83% registados nas PME francesas.
Quanto às aplicações práticas, os usos mais frequentes da IA em Portugal alinham-se com a tendência europeia:
- Redação de e-mails e documentos (54%);
- Resumos automáticos de textos (50%);
- Traduções (50%);
- Análise de dados (41%);
- Criação de apresentações e conteúdos visuais (32%).
Empresas entre o incentivo e a hesitação
Apesar da curiosidade crescente e do uso já disseminado entre os trabalhadores, o estudo mostra que as empresas portuguesas ainda têm margem para acelerar a adoção da IA. Mais de metade dos colaboradores (52%) afirma que a sua organização incentiva o uso da IA e 51% reconhecem um compromisso efetivo com a integração tecnológica.
Contudo, apenas 44% dos inquiridos dizem que a empresa disponibiliza ferramentas internas ou aprovadas e só um terço (32%) refere ter acesso a formação específica nesta área. Além disso, metade dos trabalhadores (50%) ainda identifica alguma resistência ou prudência.
O relatório confirma que as empresas que investem em qualificação tecnológica colhem resultados mais positivos: 45% dos trabalhadores nessas organizações identificam novas oportunidades profissionais, e 42% relatam uma melhoria da qualidade de vida no trabalho.
Entre os profissionais portugueses que já utilizam IA. 56% identificam novas oportunidades, 49% notam melhorias na produtividade e 40% destacam a melhoria da qualidade de vida. Por outro lado, 38% antecipam riscos de desumanização e 36% apontam desafios éticos.
O despertar ambiental da IA
O estudo revela também um olhar crítico sobre o impacto energético da IA: 37% dos portugueses reconhecem que os algoritmos consomem mais energia do que um motor de busca tradicional e 44% dizem ter em conta o impacto ambiental quando recorrem a estas ferramentas. Entre os jovens (18-29 anos), a preocupação ambiental sobe para 73%, refletindo uma geração simultaneamente tecnológica e consciente.
O estudo foi conduzido pela OpinionWay para a Cegid entre os dias 2 e 16 de julho de 2025, através de um questionário online. A amostra incluiu 2.035 trabalhadores, distribuídos por quatro países europeus – 509 em França, 511 em Espanha, 508 na Alemanha e 507 em Portugal.
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