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O estudo Workmonitor 2025 da Randstad, que analisou mais de 26.000 profissionais em 35 mercados, revelou uma mudança estrutural no que os trabalhadores consideram essencial num emprego.
A segurança no trabalho emergiu como a principal prioridade para grande parte dos profissionais, refletindo uma preocupação crescente com a estabilidade num cenário económico cada vez mais incerto. Paralelamente, o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional ganhou uma grande relevância, superando a remuneração como um fator decisivo para muitos trabalhadores na escolha de uma oportunidade de trabalho.
O mercado de trabalho está a passar por uma transformação estrutural, impulsionada por três pilares fundamentais que moldam as prioridades dos trabalhadores: o “porquê”, o “quem” e o “como” do trabalho.
O “porquê” refere-se às motivações pessoais dos trabalhadores, ou seja, aquilo que os leva a escolher e a permanecer num determinado emprego.
O “quem” está associado ao senso de comunidade e ao papel das relações interpessoais no ambiente de trabalho.
Já o “como” diz respeito ao desenvolvimento de competências profissionais e à forma como os trabalhadores procuram evoluir nas suas carreiras.
Neste novo contexto, as empresas enfrentam desafios significativos na atração e fidelização de talento, pelo mesmo motivo necessitam de adotar estratégias eficazes que garantam estabilidade profissional, promovam o bem-estar dos seus colaboradores e reflitam um compromisso com os valores e expetativas dos trabalhadores. A resposta a esta evolução irá determinar o sucesso das organizações num mercado cada vez mais competitivo.
1. Segurança no emprego: a nova prioridade das gerações mais jovens
O Workmonitor 2025 confirma que a segurança no emprego se tornou a maior preocupação para os Millennials (84%) e para a Geração Z (76%), ultrapassando até o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.
Este fator reflete o impacto da incerteza económica e das rápidas mudanças no mercado de trabalho, levando estas gerações a darem prioridade à estabilidade profissional acima de outros fatores.
Embora o equilíbrio entre vida pessoal e profissional seja altamente valorizado (83% para os Millennials e 74% para a Geração Z), a necessidade de segurança no emprego revela-se mais forte nestas faixas etárias. Em contraste, os Baby Boomers (83%) e a Geração X (85%) continuam a colocar o salário como o principal fator na escolha de um emprego, demonstrando uma separação clara entre as prioridades das diferentes gerações.
Este novo paradigma obriga as empresas a reavaliar suas estratégias de fidelização de talento. O mercado de trabalho já não valoriza apenas uma remuneração competitiva, mas também a estabilidade, o respeito pelo bem-estar dos colaboradores e o desenvolvimento de uma cultura organizacional baseada na valorização e no crescimento profissional.
As organizações que não se adaptarem a estas novas exigências arriscam-se a perder os seus talentos.
2. Aprendizagem e progressão na carreira: A chave para a retenção de talento
A transformação do mercado de trabalho, impulsionada pela digitalização e pela rápida evolução tecnológica, exige que os profissionais se adaptem continuamente para se manterem competitivos.
A necessidade de atualização constante não é apenas uma exigência, mas também uma prioridade para os próprios trabalhadores, que cada vez mais procuram oportunidades de aprendizagem e progressão dentro das organizações.
O desenvolvimento de competências tornou-se um fator essencial na escolha de um emprego, e as empresas que não oferecem possibilidades de crescimento enfrentam desafios na fidelização de talento.
De acordo com o Workmonitor 2025, 72% dos trabalhadores consideram que o aperfeiçoamento de suas competências será determinante para o seu crescimento profissional nos próximos anos.
Este dado sublinha a importância de estratégias de formação contínua que permitam aos profissionais manter-se atualizados face às exigências do mercado.
O avanço tecnológico trouxe consigo a necessidade de novas qualificações, tornando essencial que os trabalhadores tenham acesso a programas que lhes permitam desenvolver competências relevantes e acompanhar a evolução das suas áreas de atuação.
Além da aprendizagem contínua, a progressão na carreira desempenha um papel central na satisfação e motivação dos trabalhadores. A falta de oportunidades de crescimento pode gerar insatisfação e levar à procura de novas alternativas profissionais.
O estudo revela que 31% dos trabalhadores já deixaram o emprego devido à ausência de oportunidades de progressão de carreira, um aumento face aos 26% registados no ano anterior.
Estes números refletem a importância de planos de progressão bem estruturados, que permitam aos profissionais visualizar um caminho de crescimento dentro da organização.
Para responder a essa necessidade, as empresas devem implementar estratégias que promovam a valorização dos seus colaboradores.
O investimento em formação contínua, programas de mentoring e iniciativas de desenvolvimento profissional é essencial para aumentar a motivação e o compromisso dos colaboradores, ao mesmo tempo que contribui para o desenvolvimento das suas competências, tornando-os mais preparados para enfrentar os desafios.
Uma organização que apoia o crescimento dos seus colaboradores não só se torna mais atrativa para recrutar novos talentos, como também fortalece os laços com os colaboradores atuais, acabando por promover uma maior retenção e um ambiente de trabalho mais estável e produtivo.
Num cenário em que a competitividade é cada vez maior, a aprendizagem contínua e a progressão de carreira não devem ser vistas apenas como benefícios, mas sim como uma estratégia para o sucesso das empresas.
3. Autonomia e confiança: a chave para a nova era do trabalho
A transformação no mercado de trabalho não se limita à procura pelo equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. O Workmonitor 2025 destaca que, à medida que a confiança e a autonomia dos trabalhadores aumentam, a flexibilidade está a tornar-se uma norma dentro das organizações.
Este fenómeno reflete-se na forma como os profissionais avaliam as suas oportunidades de carreira e selecionam empregadores que consigam garantir uma maior liberdade na gestão do seu tempo.
O estudo evidencia que empresas que adotam modelos de trabalho baseados na confiança e na autonomia conseguem não só atrair talentos qualificados, mas também promover um ambiente mais produtivo e motivador.
Estas práticas incluem horários flexíveis, trabalho híbrido e um maior envolvimento dos colaboradores nos processos de tomada de decisão. Este novo paradigma reforça a necessidade de as organizações ajustarem as suas estratégias para acompanhar as exigências dos trabalhadores atuais.
4. Propósito ou salário? O que realmente importa na decisão dos trabalhadores
O Workmonitor 2025 reforça que alinhar os valores entre empregadores e colaboradores afirmou-se um critério essencial na fidelização de talento, pois quase metade (48%) dos inquiridos afirmaram que não aceitariam trabalhar numa empresa cujos valores não estejam alinhados com os seus.
Além disso, 29% dos trabalhadores já decidiram abandonar um emprego por discordarem da visão ou da liderança da organização.
Estes números refletem uma mudança no poder de decisão do trabalhador, que já não está disposto a aceitar qualquer cultura organizacional e procura cada vez mais empregadores que respeitem os seus princípios e expectativas.
5. Cultura organizacional tóxica: um dos fatores que leva ao abandono do emprego
Outro dado interessante do estudo revela que 44% dos trabalhadores já abandonaram um emprego devido a um ambiente de trabalho tóxico.
A intolerância em relação às lideranças autoritárias, o controlo excessivo e a falta de apoio organizacional tem vindo a crescer, levando cada vez mais profissionais a procurar ambientes de trabalho mais saudáveis e inclusivos.
O estudo aponta que mais de metade dos inquiridos (55%) afirmam que pediam a demissão caso não se sentissem integrados no ambiente de trabalho.
Este dado evidencia que um ambiente de trabalho corporativo e positivo deixou de ser um fator secundário, tornando-se um elemento essencial na decisão dos profissionais sobre o local onde desejam trabalhar.
O futuro pertence às empresas que sabem ouvir os trabalhadores
O Workmonitor 2025 evidencia um facto incontornável: os trabalhadores de hoje já não aceitam menos do que aquilo que consideram justo.
O equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, a segurança no emprego, as oportunidades de crescimento, o alinhamento de valores e um ambiente de trabalho saudável são agora os pilares da fidelização de talento.
As empresas que não se ajustarem a esta nova realidade vão enfrentar taxas de rotatividade cada vez mais elevadas e dificuldades na captação de profissionais qualificados.
O sucesso no “novo” mercado de trabalho exige não apenas políticas salariais competitivas, mas também um compromisso com as expetativas dos trabalhadores.
O futuro do trabalho já aí está, resta saber quais as organizações que estarão preparadas para o acompanhar.
Veja o PFD completo sobre o estudo AQUI
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