O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou que a taxa de desemprego no segundo trimestre fixou-se em 6,1%, um recuo de 1,1 pontos percentuais (p.p) face ao trimestre anterior, mas uma subida de 0,4 p.p. face a igual período do ano passado. No trimestre havia 324,5 mil pessoas desempregadas, menos 55,8 mil (-14,3%) do que no trimestre anterior, mas mais 25,7 mil que no trimestre homólogo.
No período, a população empregada (4.979,4 mil pessoas) aumentou 1,1% (54,7 mil) em relação ao trimestre anterior e 1,6% (77,6 mil) relativamente ao trimestre homólogo.
Apesar do recuo face ao trimestre anterior, em relação ao período homólogo registou-se uma subida de mais de 25 mil do número de desempregados (+8,6%), com o principal contributo para esta subida ter sido o aumento do desemprego feminino (15,4 mil; 9,9%); de pessoas dos 16 aos 24 anos (12,2 mil; 23,0%) e dos 55 aos 74 anos (12,0 mil; 22,6%); com ensino secundário ou pós-secundário (22,6 mil; 22,1%); à procura de novo emprego (21,4 mil; 8,3%); e desempregados há menos de 12 meses (41,3 mil; 28,1%), descreve o INE.
“No 2.º trimestre de 2023, 42,0% da população desempregada encontrava-se nesta condição há 12 ou mais meses (desemprego de longa duração), valor superior em 5,5 p.p. ao do trimestre precedente e inferior em 8,9 p.p. ao do trimestre homólogo”, pode ler-se no relatório do INE.
Taxa de desemprego jovem recupera níveis pré-pandemia
Entre os jovens (16 a 24 anos) a taxa de desemprego situou-se em 17,2%, uma descida de 2,4 p.p em relação ao trimestre anterior, mas superior em 0,5 p.p face ao trimestre homólogo.
“A taxa de desemprego jovem sempre foi uma preocupação para Portugal, principalmente durante períodos de recessão económica, como a crise financeira de 2008, pois são as pessoas que têm menos experiência que, por norma, estão mais suscetíveis a cortes no emprego. Apesar de este indicador ser elevado, têm sido implementadas medidas em Portugal, como programas de formação, incentivos para a contratação de jovens, estimulação do empreendedorismo e colaboração com instituições educacionais”, explica Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad Portugal.
Menos de 20% dos profissionais empregados tem possibilidade de trabalhar a partir de casa
Os dados divulgados pelo INE relativos ao segundo trimestre deste ano analisam ainda o teletrabalho em Portugal. Do total de 4.979.400 profissionais empregados no país, apenas 19,3% indicaram ter a possibilidade de trabalhar a partir de casa – um total de 960.000 profissionais – nas diferentes modalidades de teletrabalho (remoto, híbrido ou presencial).
A região da Área Metropolitana de Lisboa tem a maior percentagem de teletrabalho, com 30,8% (415.300 profissionais). No lado oposto, a região dos Açores é a que tem uma menor proporção de teletrabalho – apenas 9,0% (9.400 profissionais).
Quatro regiões com taxa de desemprego acima da média nacional
Área Metropolitana de Lisboa (7%), Região Autónoma dos Açores (6,7%), Norte (6,4%), Região Autónoma da Madeira (6,4%) são as regiões que no segundo trimestre registam uma taxa de desemprego superior à média nacional (6,1%), tendo três regiões — Alentejo (5,3%), Algarve (5%) e Centro (4,9%) – assinalado uma taxa abaixo da média.
“Em relação ao trimestre anterior, a taxa de desemprego diminuiu em todas as regiões, com exceção da Região Autónoma dos Açores, onde aumentou 0,5 p.p. A maior diminuição foi observada no Algarve (2,2 p.p.)”, refere o INE.
Face ao homólogo, registam-se subidas em quatro regiões, “destacando-se o aumento de 0,9 p.p. na região Norte e no Alentejo, e decréscimos nas restantes três NUTS II, o maior dos quais na Região Autónoma da Madeira (0,9 p.p.)”.
A subutilização do trabalho abrangeu 625,3 mil pessoas, menos 8,1% (55,4 mil) do que face ao trimestre anterior e uma subida de 4,1% (24,6 mil) relativamente ao homólogo. “De modo idêntico, a taxa de subutilização do trabalho, estimada em 11,5%, diminuiu trimestralmente (1,0 p.p.) e aumentou em termos homólogos (0,3 p.p.)”.
A população inativa com 16 e mais anos (3.544,7 mil pessoas) subiu 0,2% (7,4 mil) em relação ao trimestre anterior e recuou 1,7% (59,7 mil) face ao homólogo.