O report “Desbloquear as ambições de Europa sobre inteligência artificial (IA) na década digital” concluiu que o aumento da taxa de adopção de tecnologias digitais avançadas, em particular a IA, poderá desbloquear 61 mil milhões de euros para a economia portuguesa.
Esta investigação revela um crescimento repentino da adotação de IA generativa em 2023, no entanto, sublinha que ainda existe muitas barreiras a ultrapassar, de forma a manter um crescimento sustentável.
O presente estudo, que teve por base um relatório de 2022, é o resultado de uma amostra de 1000 empresas e 1000 cidadãos em Portugal.
Investimento Digital – panorama das empresas portuguesas
Segundo o relatório, o balanço é positivo, uma vez que, 35% das empresas portuguesas adotou tecnologia de IA em 2023, comparativamente a 28% em 2022.
Cada vez mais, as empresas portuguesas, tal como muitas outras em toda a Europa, reconhecem a importância das tecnologias digitais. A maioria das empresas (81%) afirma que teria dificuldades em funcionar eficazmente se estas tecnologias falhassem e 77% referem que a tecnologia desempenha um papel crucial na concretização dos seus objetivos de crescimento a cinco anos.
“As ambições digitais de Portugal são sustentadas por um maior investimento em tecnologia digital. As empresas portuguesas ultrapassaram as suas congéneres europeias, aumentando no último ano o seu investimento em avanços digitais em 61% – mais dez pontos percentuais do que a média europeia de 51%”, lê-se em comunicado.
A tecnologia cloud é a base de todas as operações
Nesta era de investimento digital, a tecnologia cloud emerge como um fator decisivo. Em 2023, observámos um aumento significativo na adotação da cloud por parte de empresas portuguesas, atingindo a marca de 27%.
Um outro dado relevante é o facto de 81% das empresas já estarem familiarizadas com estas tecnologia, apesar de ser um número ligeiramente abaixo da média europeia de 85%.
É de salientar ainda que o impacto positivo que a cloud traz para as práticas de trabalho remoto ou híbrido é destacado por 60% das empresas portuguesas, superando assim, os 50% registados em toda a Europa.
Falta de competências digitais trava o investimento
A integração plena de tecnologias encontra um desafio à medida que as empresas identificam a falta de competências digitais como um obstáculo crítico.
Um terço (34%) da população ativa considera a falta de competências digitais como a principal barreira às oportunidades de emprego. Por outro lado, 74% das empresas portuguesas preveem que, dentro de cinco anos, as competências digitais ultrapassarão as qualificações universitárias tradicionais em termos de importância para a maioria das funções.
É de destacar que apenas uma minoria (19%) das empresas considera simples recrutar profissionais com as competências digitais adequadas. Esta dificuldade reflete-se no crescimento das atividades, com 71% das empresas a afirmar que as limitações na contratação de profissionais com competências digitais estão a prejudicar o desenvolvimento, em contraste com a média europeia de 44%.
Em resposta a estes desafios, a AWS Portugal, a partir de parcerias público privadas, disponibiliza programas de ensino e formação. Neste âmbito, tem como missão formar mais de 29 milhões de pessoas nas áreas de tecnologia cloud até 2025.
Democratizar a tecnologia para uma mudança positiva
A investigação aponta que mais de metade dos portugueses (55%) mantém a convicção de que a IA irá criar mais oportunidades do que riscos no que concerne à segurança de empregos e do futuro do trabalho.
Um outro indicador é que 72% dos portugueses antecipam que a IA irá transformar significativamente a prestação de cuidados de saúde, enquanto 63% acreditam que esta tecnologia terá um impacto transformador na educação nos próximos cinco anos. Mais de metade (60%) dos portugueses percepciona a IA como uma ferramenta crucial para enfrentar desafios globais, tais como controlo de doença, alterações climáticas, etc..
Conclusões
O panorama digital em Portugal destaca um desafio premente para os profissionais de Recursos Humanos (RH) – nomeadamente ao nível da falta de competências digitais. O estudo revela que 71% das empresas enfrentam dificuldades na contratação de profissionais de RH com competências digitais, impactando diretamente o seu crescimento. Esta realidade sublinha a necessidade urgente de investimento no desenvolvimento de competências digitais entre os colaboradores, tornando os RH protagonistas na construção de uma força de trabalho pronta para os desafios da era digital.
O relatório salienta ainda que apenas 19% das empresas consideram fácil recrutar profissionais com as competências digitais necessárias. Esta carência reforça a importância do papel estratégico dos RH na implementação de programas de formação contínua e no desenho de estratégias de recrutamento inovadoras.![]()