Itziar Vizcaino
Diretora de recursos humanos da MetLife na Ibéria
Num mercado laboral em que a volatilidade dos postos de trabalho é cada vez mais um cenário a ter em conta, torna-se essencial criar ferramentas que permitam redesenhar a experiência do trabalhador numa empresa e reforçar a confiança com os seus pares, com os seus superiores e com as próprias políticas de gestão – em curso ou planeadas.
Se é certo que o termo VUCA (volatility, uncertainty, complexity and ambiguity) no contexto empresarial ajudou a balizar um problema complexo, em crescendo, que é o das diferentes reações das pessoas perante problemas idênticos e simultâneos que as afetam, na verdade a banalização desse termo, como algo abstrato, poderá materializar-se num leque de consequências nem sempre fáceis de antecipar e conter, com os potenciais riscos inerentes ao desempenho e aos resultados de uma organização.
O desafio tem estado, por isso mesmo, na criação e utilização conjunta de ferramentas que abarquem de forma transversal os possíveis problemas que surjam de um cenário VUCA, desenvolvendo soluções agregadas que, no limite, possam reduzir ou eliminar o risco da sua ação no contexto empresarial.
Entre a teoria que os académicos desenvolvem e a prática que consubstancia essas mesmas ideias, o exemplo recente da MetLife na Ibéria ajudou-nos a perceber que as respostas estão exatamente na consolidação de várias técnicas e ferramentas que envolvem, de forma muito ativa, os colaboradores da empresa.
O segredo da participação
A origem deste processo conta-se em poucas (e sempre difíceis) palavras. 2017 surgiu como um ano de incerteza e complexidade para a nossa organização em Espanha e o encerramento de um dos nossos canais de venda levou ao despedimento coletivo de 30% da força de trabalho. Havia, além de mitigar justamente os problemas de quem saía, que criar um ambiente de confiança no futuro, quando o passado e o presente se apresentavam como entraves a esse estado de espírito entre os trabalhadores.
Sabíamos, por isso mesmo, que o compromisso e o contributo dos funcionários seriam ainda mais vitais para o sucesso da empresa, o que nos levou a procurar saber quais as suas reais necessidades e expectativas, bem como poderiam ser mais felizes no seu trabalho. A resposta recebida foi o primeiro sinal de uma participação que se viria a revelar essencial para os resultados obtidos: 72% dos empregados responderam com ideias e propostas concretas, num claro sinal de envolvimento e confiança no novo percurso que estava a ser desenhado.
Com base nesse levantamento, a resposta encontrada pela equipa de recursos humanos da MetLife assentou na criação do projeto “Construindo o nosso futuro”, cujo objetivo passou por reinventar a experiência do funcionário. Sempre estivemos cientes que a resposta nunca poderia ser a de criar uma solução e simplesmente transmiti-la aos nossos trabalhadores, convencendo-os de forma mais ou menos simples, mas sim a de utilizar uma mensagem de confiança, promovendo a participação, a inclusão e a cocriação.
A estratégia implementada pela MetLife nas suas operações na Ibéria materializou-se assim em medidas como a criação da MetLife Academy (um espaço de partilha de conhecimento e informação por parte dos colaboradores, altamente concorrido), um esquema de trabalho com medidas de flexibilidade horária ou teletrabalho, a promoção do bem-estar físico, através de um programa com acesso a uma rede ilimitada de ginásios, bem como novas formas de compensação individualizada, através da atribuição de benefícios diversos para o próprio e familiares, bónus de desempenho e ações de reconhecimento entre todos os colaboradores. Todas estas medidas permitiram encerrar um ano complicado com resultados muito bons, que se traduziram em lucros 27% acima do esperado, assim como no reconhecimento público com o Prémio Hudson-ABC, na categoria de empresas com menos de 2.500 empregados.
Se o aspeto financeiro pesa, obviamente, quando olhamos e analisamos os resultados obtidos com este projeto e um prémio público é sempre motivo de orgulho para todos os envolvidos neste processo de transformação, a verdade é que foi a participação dos nossos colaboradores o fator de maior destaque e importância. Ganharam maior resiliência e capacidade para se reinventar, ficando melhor preparados para competir em ambientes altamente em mudança.