Em pleno mês da mulher surgem vários estudos demonstrando que as mulheres representarem apenas 41% da força de trabalho a nível mundial (49% em Portugal), e que elas apenas ocuparão um terço das posições executivas das empresas nos próximos 10 anos se nada se alterar nas políticas atuais sobre igualdade de género.
Para além disso, as mulheres só representam 41% da força de trabalho no mundo e, na sua grande maioria ocupam funções de apoio administrativo e de enquadramento técnico. Assim, apenas 26 % dos quadros de primeira linha e 16% das funções de direção geral são ocupadas por mulheres segundo o estudo da Consultora Mercer, When Women Thrive, Business Thrive apresentados recentemente numa conferência em Lisboa. Outro dado importante, é o gap salarial entre homens e mulheres que atualmente se situa nos 20% em Portugal.
Em Portugal, nas 17 empresas cotadas no PSI 20 existem 100 membros de Conselho de Administração dos quais apenas 9 são mulheres e nenhuma mulher exerce o cargo de presidente.
“As iniciativas para promover a igualdade de género nas últimas duas décadas tiveram resultados positivos como seja uma maior participação das mulheres em tomadas de decisão, maior visibilidade das mesmas e maiores oportunidades de carreira. No entanto, o nosso estudo evidencia que, se continuarmos a fazer mais do mesmo, ainda estamos a anos-luz da verdadeira igualdade entre géneros” afirma Nélia Câmara, Gerente da Mercer Portugal. E acrescenta: “É tempo de agir e pensar de forma diferente e de ser disruptivo. É necessário não só compreender e clarificar os benefícios da participação das mulheres em lugares de topo assim como apoiar as mulheres, com necessidades específicas, nesta jornada para que os resultados sejam mais céleres do que até à data”
Nesta conferência, António Ramalho, Presidente do CA conjunto da Estradas de Portugal, SA e da REFER, EPE, abordou o tema do papel da mulher na gestão, destacando que a incompatibilidade entre o sistema educativo, onde as mulheres predominam, versus sistema profissional, que mantem um carater predominantemente masculino e a respetiva falha de alinhamento, acentua o “gap” de carreira e reduz o acesso feminino à alta direção, concluindo que o ajustamento não só é desejável, como é necessário.
A consultora aproveitou a conferência para apresentar o programa Connect to Sucess, um programa promovido pela Embaixatriz dos Estados Unidos da América em Portugal, Kim Saywer. Este projeto consiste num programa de mentores e “mentes”, com o objetivo de ajudar mulheres empreendedoras a desenvolverem as suas próprias PME’s. Estas mulheres terão o apoio de empresas experientes que conhecem bem as dificuldades de mercado português e internacional e que têm competências em diversas áreas tais como: financeira, marketing, vendas e estratégia de negócio.
Uma das principais conclusões do estudo é que as empresas com soluções que promovem a diversidade tem melhores resultados. Por outra parte, conclui-se que para conseguir mais igualdade entre homens e mulheres o envolvimento ativo de líderes seniores é essencial porque conduz a uma maior e mais rápida representação das mulheres em funções executivas, assim como uma equipa dedicada e responsável pela igualdade salarial conduz à existência de um maior número de mulheres em posições seniores.
O estudo foi realizado pela Mercer em parceria com a EDGE Certified Foundation, que estabeleceu, até ao momento, a única certificação empresarial global para a igualdade de géneros nas organizações.
Veja a reportagem completa sobre a conferência na sua RH Magazine de Março/Abril
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