Um e-mail interno de uma chefia que exige que os trabalhadores em teletrabalho avisem sempre que se afastam do computador – até para ir à casa de banho – está a gerar uma onda de indignação online. A chamada “regra dos cinco minutos” tornou-se viral e reacendeu o debate sobre os limites da vigilância no trabalho remoto.
“Temos a regra dos cinco minutos. Queria apenas confirmar se está tudo bem e recordar a nossa política”, escrevia o gestor, segundo a mensagem revelada pela plataforma OnRecord Networks e noticiada pelo New York Post. No e-mail, explicava ainda que “se o colaborador se ausentar da secretária por qualquer motivo, incluindo para usar a casa de banho, deve notificar a equipa”, justificando que essa prática “ajuda a manter o alinhamento e a garantir que nada é esquecido”.
A história, que rapidamente se tornou viral, chegou também ao portal news.com.au. A especialista em gestão e fundadora da empresa de recrutamento EST10, Roxanne Calder, explicou que é difícil avaliar a pertinência da medida sem conhecer o cargo em causa. Todavia, reconhece que, em determinados contextos, “uma resposta rápida pode ser necessária”.
Ainda assim, a responsável não hesita em classificar a regra como sinal de uma liderança ineficaz. “Parece mais um medo transformado em política”, afirmou. Para Roxanne Calder, “a necessidade de monitorizar cada momento revela ausência de confiança e uma incapacidade de gerir por resultados”.
Quando os líderes confundem produtividade com presença constante, acrescenta, “não estão a liderar, mas sim a policiar”. Salienta ainda que “tratar adultos como crianças não é solução”. Pelo contrário, práticas como esta tendem a “criar stress e ressentimento”, alimentando uma cultura de desconfiança.
Para Roxanne Calder, o verdadeiro problema não é o teletrabalho, é a falta de confiança. “Quando os líderes gerem a sua própria ansiedade, em vez das pausas de cinco minutos dos seus colaboradores, todos saem a ganhar.”