Realizou-se mais um webinar do IIRH, desta vez focado nos temas de upskilling e reskilling nas organizações e com o apoio do ISQe, empresa de referência no mercado português no desenvolvimento e implementação de soluções de gestão do talento e capital humano, que tem como principal missão a valorização dos Recursos Humanos através do reforço e atualização das suas competências.
Intitulado “Potenciar Talentos: upskilling e reskilling na era da transformação digital”, o webinar contou com a moderação de Filipa Abreu, Learning eXperience Project Lead no ISQe, e com a presença de Marco Almas, HR Learning Specialist na Auchan Retail Portugal, Sofia Fernandes, People and Talent Director no Lusíadas Saúde, e Elsa Boto, Head of HR na Vinci Energies Portugal.
Vanessa Henriques, CEO do IIRH, deu as boas vindas aos assistentes e de seguida, Filipa Abreu abriu o debate com a pergunta dos principais desafios que as organizações enfrentam ao tentar implementar programas de upskilling e reskilling, como motor da inovação para os colaboradores e para as empresas.
“A revolução digital tornou essencial desenvolver estes programas (de upskilling e reskilling), porque enfrentamos constantes mudanças ao nível tecnológico. Por isso, mais do que nunca, as empresas têm uma necessidade crescente de garantir a atualização das competências dos seus profissionais, uma vez que o mercado pode não ter disponíveis os recursos humanos que as empresas necessitam”, acrescenta Filipa Abreu.
Dando o exemplo da Auchan, Marco Almas referiu que esta é a altura ideal para discutir o tema, mencionado o impacto da inteligência artificial na necessidade de reabilitação de diferentes aspectos internos das empresas. “A Auchan tentou antecipar esta função, digitalizando e reformulando os nossos processos de talento e formativos”, explica Marco Almas, HR Learning Specialist na Auchan Retail Portugal.
“Nós, diariamente, temos rotatividade e a necessidade de criar novos processos de recrutamento para as lojas. Isto deve ser visto de uma forma positiva, porque novos colaboradores têm diferentes experiências e têm competências que podem partilhar com quem cá está”, destaca Marco Almas.
Nessa senda, Marco Almas expressa que é fundamental para um profissional de Recursos Humanos dentro de uma organização como a Auchan de conhecer todos os colaboradores e garantir que os mesmos têm progressos de carreira que os complementem. Independentemente que seja uma competência ou um cargo. “Quem está na Auchan deve ter uma valorização e um futuro, quer seja connosco ou não”, sumariza.
Como o upskilling e reskilling contribuem para o desenvolvimento da carreira dos colaboradores e retém o talento?
Igualmente importante na discussão do webinar foi o impacto do reskilling na retenção e desenvolvimento da carreira dos colaboradores, ao qual Sofia Fernandes, People and Talent Director no Lusíadas Saúde, mencionou que o tema têm anos “na casa”.
“Não há capacidade de ir procurar os talentos que precisamos ao mercado, por isso precisamos de olhar internamente. Por isso, têm sido interessante a forma como os nossos colaboradores aceitam desafios. Para os próprios, é desafiante abraçarem novas funções. Por isso, o programa de reskilling na Lusíadas tem sido bem aceite”, sintetiza.
Sofia Fernandes deu o exemplo de um programa interno que cruza a experiência de diferentes equipas, em que alguns colaboradores podem fazer um “refresh” das suas competências e outros podem aprender novas competências.
“Existe uma partilha de experiência entre os colegas que fizeram parte destes programas. Além de desenvolverem as competências, existem efeitos colaterais positivos (como compreender as diferentes unidades, relacionamentos entre profissionais, etc.). Um acréscimo de valor poucas vezes contabilizado”, sublinha Sofia Fernandes, People and Talent Director no Lusíadas Saúde.
De que forma as tecnologias emergentes, a inteligência artificial e automação, estão a impactar na organização e no dia a dia dos colaboradores?
A importância de evoluir os fatores humanos na empresa, especialmente com fatores externos como a inteligência artificial e automação, é uma das prioridades para a Vinci Energies. “Nestas áreas, exige-se uma estrutura ágil, inovadora e colaboradores prontos para responder nas áreas diferentes. E com clientes dispostos a atuar”, admite Elsa Boto, Head of HR na Vinci Energies Portugal.
“Nas diferentes áreas que atuamos, temos desafios diferentes. Em infraestruturas, temos de ter engenheiros prontos e operários prontos para fazer o que foi projetado em backoffice. As pessoas tem que estar prontas para lidar com as novas tecnologias”, acrescenta.
“O tema do mercado de trabalho e recursos é um problema. O setores da Vinci estão em constante crescimento e o mercado de trabalho tem poucos recursos. Por isso, temos de requalificar o que temos com os desafios que as novas tecnologias nos impõem”, sublinha Elsa Boto.
Devido a esta necessidade, Elsa Boto refere que, de forma a manter estes quadros na empresa, é necessário introduzir programas de formação com todas as novas tecnologias que vão surgindo no mercado.
Qual a competência essencial?
Antes do fim da palestra, Vanessa Henriques, CEO do IIRH, questionou os participantes sobre qual a competência essencial que as empresas necessitam e que as formações devem fomentar de forma a requalificar e melhorar as competências dos seus colaboradores.
Filipa Abreu indicou claramente a capacidade de adaptação e a resistência à mudança, com Elsa Boto a acrescentar a necessidade “de ajudar as pessoas neste processo de mudança” e “colmatar uma resistência do ser humano: a resistência à mudança”.
“Falando pela realidade da Auchan, e tendo em conta a IA, a mobilização para a felicidade e propósito é para mim fundamental o sentido crítico. É essencial que os nossos colaboradores tenham um papel colaborativo no processo. Que tenham questões pertinentes. Não se trata de por o parafuso, trata-se de saber porque que colocamos o parafuso“, complementa Marco Almas, HR Learning Specialist na Auchan Retail Portugal.
“Learning on the fly”, ou aprender por improviso, é uma competência que Sofia Fernandes considera essencial cultivar nas organizações. “Ter agilidade e capacidade de adaptação constante. Os colaboradores não podem estar à espera de serem reativos, as pessoas é que devem ter o impulso em querer aprender. E faz a ponte a um outro conceito anglo-saxónico: “life-long learning”, especialmente num setor que não pode cristalizar no tempo como a saúde”, conclui.
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