As contratações das empresas vão continuar a ser uma realidade em Portugal. Contudo, espera-se que o ritmo abrande no último trimestre de 2024. As conclusões são do ManpowerGroup Employment Outlook Survey. O estudo revelou uma Projeção para a Criação Líquida de Emprego de +19%. Esta resulta da diferença entre os empregadores que esperam aumentar a sua equipa e os que esperam reduzi-la.
O ManpowerGroup Employment Outlook Survey recorreu às respostas de 40.370 empregadores a um inquérito realizado entre 1 e 30 de julho de 2024. Os inquiridos, de 42 países, partilharam as suas intenções de contratação para o último trimestre.
35% dos inquiridos pertencentes às 525 empresas portuguesas pretendem aumentar as suas equipas no fim de 2024, enquanto 16% espera reduzir e 48% manter o número de colaboradores. Neste seguimento, continuam a ser evidentes as intenções de contratação, mas a um ritmo mais brando.
A Projeção sobe, assim, 1 p.p. relativamente ao trimestre anterior, em Portugal, mas desce 16 p.p. face ao período homólogo de 2023. Nessa época do ano passado, as expectativas dos empregadores foram as segundas mais elevadas desde a pandemia. No entanto, já se previa o abrandamento do crescimento económico.
Estes resultados colocam Portugal abaixo da média global das Projeções de Contratação. Encontra-se na quarta posição, no que diz respeito aos países com maior abrandamento, comparativamente ao mesmo período do ano passado.
Da perspetiva do ManpowerGroup
Rui Teixeira, Country Manager do ManpowerGroup Portugal, referiu: “Ao cenário de instabilidade política nacional, resultante do contexto parlamentar e da necessidade de aprovação do orçamento de estado, juntamos o impacto de fatores de disrupção globais, como as eleições nos Estados Unidos ou os conflitos em curso e o abrandamento do crescimento económico em países motores da economia europeia.”
“O resultado é um sentimento de contratação um pouco mais conservador por parte das empresas portuguesas. Ainda assim, os empregadores sabem que o talento é hoje um ativo fundamental para alcançarem importantes desafios de crescimento, transformação digital e transição verde, pelo que continuam focados em assegurar o acesso às competências necessárias para alcançar esses objetivos.”, concluiu.
A redução da Projeção para a Criação Líquida de Emprego, quando comparada ao período homólogo de 2023, é visível em todos os setores de atividade analisados. O setor dos Transportes, Logística e Automóvel é o que pretende contratar mais. A sua Projeção é de +28, o que representa um aumento de 3 p.p. face ao trimestre anterior. Comparando com o período homólogo de 2023, a descida é de 21 p.p.
Os setores das Finanças e Imobiliário e da Energia e Utilities também têm elevadas intenções de contratação, com Projeções de, respetivamente, +25% e +22%. No primeiro setor, o aumento é de 7 p.p. face ao trimestre anterior. Já no segundo, o valor é bastante semelhante ao registado no último trimestre. Analisando todo o ano, o abrandamento das contratações é notório em ambos os setores.
Segue-se o setor da Indústria Pesada e Materiais, com uma Projeção de +18%. O setor da Saúde e Ciências da Vida apresentou um resultado de +17%. Já o setor dos Bens e Serviços de Consumo revelou uma Projeção de +16%.
Os setores de atividade menos otimistas
Os setores das Tecnologias de Informação e dos Serviços de Comunicação são os que apresentam as reduções das intenções de contratação mais acentuadas. Isto revela um abrandamento da tendência de procura de talentos tecnológicos e digitais. O primeiro setor, analisando a evolução anual, diminuiu 35 p.p. A Projeção é de +12%. No caso do segundo, a redução foi de 38 p.p. face ao período homólogo de 2023.
O setor dos Serviços de Comunicação registou uma Projeção de 0%, no que toca às intenções de contratação. Face ao primeiro trimestre deste ano, a redução é de 50 p.p., resultado dos constantes sinais de abrandamento ao longo do ano.
Os empregadores de todo o país pretendem contratar no próximo trimestre. Contudo, estas intenções de contratação não são suficientes para superar o trimestre anterior. A Grande Lisboa e a Região Centro são as únicas a contrariar esta tendência. No caso da Grande Lisboa, a Projeção é de +24%, o que reflete um aumento de 7 p.p. face ao trimestre anterior.
Já na Região Centro, a Projeção é de +17%, o que resulta num aumento de 10 p.p. face ao trimestre anterior. O Grande Porto e a Região Sul tiveram uma Projeção de +14%, enquanto a Região Norte apresentou um resultado de +13%. Esta última lidera as intenções de contratação menos otimistas. O maior abrandamento é esperado no Norte. O Grande Porto apresentou uma redução de 25 p.p. face ao ano anterior. A Região Norte fixou-se na diminuição de 20 p.p.
As Projeções por dimensão
As Médias Empresas apresentaram uma Projeção de +37%, registando o maior crescimento entre trimestres. Esta é a única categoria que revelou um aumento das intenções de contratação face ao mesmo período do ano anterior.
As Pequenas Empresas e as Grandes Empresas de até 1.000 colaboradores fixaram-se nos +22%. As Microempresas têm uma Projeção de +19%. As Grandes Empresas com entre 1.000 e 5.000 colaboradores e com mais de 5.000 apresentaram Projeções negativas. Os valores foram de -3% e -9%, respetivamente, o que reflete uma possível redução do emprego.
A Projeção para a Criação Líquida do Emprego a nível global é de +25%, o que significa um aumento de 3 p.p. face ao trimestre anterior. Contudo, reflete, ainda, uma diminuição de 5 p.p. face ao mesmo período do ano anterior. As intenções de contratação são positivas para todos os 41 países e territórios inquiridos. A Índia é o país que apresentou uma Projeção mais otimista, de +37%. Seguiu-se a Costa Rica, com +36% e os EUA, com +34%. Do outro polo do ranking, encontra-se a Argentina, com uma Projeção de +4%.
A Região EMEA apresentou uma Projeção para a Criação Líquida de Emprego de +21%. Isto reflete um aumento de 2 p.p. face ao último trimestre. Ainda assim, é a região analisada que regista as menores intenções de contratação.