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IA já faz parte da rotina profissional de 84% dos trabalhadores portugueses, um aumento de 19 pontos percentuais face ao ano passado. Mas a adoção individual está a avançar mais depressa do que a integração da tecnologia nas empresas. Só 6% consideram que a IA está totalmente incorporada na atividade da organização onde trabalham, segundo dados do estudo “O momento da verdade da IA nas empresas”, conduzido pela OpinionWay para a Cegid junto de 2006 trabalhadores de escritório em Portugal, Espanha, França e Alemanha.
Em Portugal, 44% dos trabalhadores afirmam recorrer frequentemente ou de forma sistemática à IA para apoiar decisões importantes no trabalho. Entre os profissionais dos 18 aos 29 anos, a percentagem sobe para 57%, enquanto na administração pública atinge os 53%, o valor mais elevado entre os setores analisados.
Contudo, apenas 41% dos trabalhadores portugueses reconhecem que a IA está integrada, total ou parcialmente, na atividade diária da empresa onde trabalham, e só 6% consideram que essa integração é total. É nesta diferença que a Cegid identifica um dos principais desafios das organizações. “Os resultados mostram que a inteligência artificial é já uma realidade e está a consolidar-se como uma ferramenta de trabalho indispensável para os profissionais portugueses”, afirma Paulo Carvalho, General Manager da Cegid Portugal & África, em comunicado, sublinhando que “o desafio passa agora por reduzir a distância entre a utilização individual e a integração da IA nas organizações“. “Quem tomar a iniciativa de adotar estas ferramentas mais rapidamente e introduzi-las ao serviço dos seus colaboradores serão as empresas mais competitivas nos próximos anos”, acrescenta.
69% usam ferramentas externas sem informar a empresa
A distância entre a utilização individual e a adoção formal pelas organizações torna-se ainda mais evidente quando 69% dos trabalhadores portugueses afirmam recorrer a ferramentas de IA externas à organização sem informar o empregador. Na administração pública, a percentagem sobe para 77%, o valor mais elevado entre os setores analisados. No comércio, onde se regista o valor mais baixo, ainda assim 63% dos trabalhadores dizem utilizar estas ferramentas sem informar a organização.
Os dados colocam às empresas um desafio que vai além da simples adoção tecnológica: a definição de regras e políticas que permitam enquadrar uma utilização cada vez mais generalizada.
Confiança a aumentar
A crescente utilização da IA é acompanhada por uma evolução positiva na forma como os trabalhadores portugueses encaram a tecnologia. Segundo o estudo, 76% manifestam sentimentos positivos em relação à utilização da IA no trabalho, mais 17 pontos percentuais do que em 2025, quando o valor era de 59%. Entre os trabalhadores dos 18 aos 29 anos, essa perceção positiva chega aos 86%.
A curiosidade continua a ser o sentimento mais referido, embora tenha descido de 52%, em 2025, para 48% este ano. A confiança aumentou de 25% para 28%, enquanto o entusiasmo se manteve nos 25%. Por outro lado, a preocupação diminuiu de 28% para 23%.
Para a Cegid, o próximo desafio das empresas estará menos no acesso à tecnologia e mais na capacidade de a transformar numa ferramenta efetivamente integrada no trabalho. Isso implica desenvolver competências, rever processos e criar condições para uma utilização responsável da IA, capaz de gerar ganhos de produtividade, competitividade e inovação.
O estudo “O momento da verdade da IA nas empresas” foi realizado pela OpinionWay entre 22 de maio e 4 de junho de 2026, através de um questionário online. A amostra incluiu 2006 trabalhadores de escritório: 500 em França, 501 em Espanha, 502 em Portugal e 503 na Alemanha. Os participantes foram selecionados através do método de quotas, considerando fatores como sexo, idade, categoria socioprofissional, região e tipo de empresa. Para uma amostra de 500 inquiridos, as margens de erro indicadas variam entre 2 e 4,5 pontos percentuais.
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