Gostava de voltar a dar à palavra “ativista” um significado positivo. Ser ativista é agir a favor de uma causa, pelo bem. É preciso criar uma onda ativista POSITIVA, em que nos movemos por uma causa comum, com o intuito de contribuir e co construir. Há tanto para fazer e tantas pessoas com vontade e ideias.
Não há dúvidas sobre a urgência da contribuição de todos para uma mudança estruturante para um futuro sustentável, tendo em conta os recursos disponíveis e a população que se estima vir a viver no planeta. A transição energética, ecológica, alimentar, … todos temos de agir.
As empresas têm um papel nesta mudança, integrando a sustentabilidade nos seus planos de negócio e propostas ao consumidor, transformado as suas operações e as suas cadeias de valor. Os pioneiros nesta viagem terão uma vantagem competitiva em termos de negócio e de atração de talento, servirão de inspiração, e terão de desbravar o caminho, simultaneamente estimulante e desafiante.
Esta crónica é para gestores de pessoas, por isso a minha partilha tem a ver com o nosso papel neste xadrez.
1.Compreender a estratégia de negócio e o papel da sustentabilidade
Os responsáveis de recursos humanos têm um papel na discussão e definição da estratégia e plano de sustentabilidade e do negócio, idealmente integrados.
A definição da ambição a curto e médio prazo determina um conjunto de competências necessárias, revisão de metodologias de trabalho, organização e comunicação que são críticas para o sucesso.
O papel dos responsáveis de Recursos Humanos passa pelo diagnóstico da situação atual e a avaliação da distância face à ambição, que define o plano.
2.Competências
A definição das competências necessárias, por área e nível de expertise; o mercado ainda tem pouca disponibilidade de profissionais nesta área; é preciso formar internamente, procurar parcerias para co construir os planos. Para algumas competências especificas, há que avaliar se faz sentido internalizar ou usar em regime de outsourcing.
Um plano a 3-5 anos permitirá uma navegação mais programada, embora não isenta de turbulência, num meio em que tudo está em transformação.
A capacitação de todos, a prazo, passo a passo, é fundamental para que cada um possa tomar decisões informadas, a nível pessoal e profissional. E para que se leve esse conhecimento para as esferas de influência, criando a onda de mudança que o planeta precisa.
3.Organização
O modelo de governança da sustentabilidade deixará de ser um tema a prazo, quando estiver completamente integrada no negócio. Até lá, é preciso pensar que modelo se adequa melhor à nossa organização – mais ou menos centralizado; mais ou menos integrado nas áreas funcionais. A minha experiência é de que a integração nas áreas funcionais é amplificadora, na medida em que existem vários eixos em desenvolvimento paralelo, há maior responsabilização, cria-se uma certa “competição saudável” entre as áreas para entregar os objetivos, as equipas estão mais envolvidas … e de certa forma, o plano ganha “vida própria” e as propostas começam a surgir “de baixo para cima”. Mas cada organização e cultura tem as suas especificidades, e já sabemos que as soluções devem ser função disso.
4.Comunicação e mobilização
Nesta dimensão há muito a fazer. Comunicar, de forma ajustada a cada público, a estratégia da empresa e os compromissos de sustentabilidade, convidando todos a fazer parte. Comunicar iniciativas, progresso. Para que as pessoas percebam a ação e direção, encontrem o seu papel, mobilizar para contribuir.
Dar espaço à iniciativa e criatividade – há muitas ideias e energia nas pessoas, que quando se dá espaço, aparecem, crescem e contribuem de forma determinante na comunidade – aumentando o sentido de propósito e pertença na própria organização.
Na Bel temos o programa Actors for good – pessoas voluntarias para coordenar, mobilizar, propor e organizar eventos, fazer formação interna, etc – é importante um coordenador para haver um fio condutor, e ter um plano bem orquestrado. Planear com tempo e com os envolvidos é condição para sucesso!
5.Impacto na comunidade e voluntariado
O impacto nas comunidades envolventes é possivelmente uma das mais trabalhadas por muitas empresas, pela proximidade e pelo envolvimento dos próprios colaboradores.
Existem inúmeras partilhas sobre voluntariado, por isso falarei apenas sobre o contexto industrial, onde é mais complexo pela necessidade de substituição dos trabalhadores nos postos, com todas as implicações que isso tem – não só de custo, mas sobretudo de continuidade da operação, segurança, etc.
A participação dos operadores nas ações de voluntariado precisa de ser faseada e planeada para reduzir o impacto. É um importante passo para que todos se sintam parte da transformação, sejam convidados a contribuir. Podem começar por ser 10, pode ser rotativo. Todos compreendem as implicações, mas começar a fazer acontecer é muito mobilizador para todos.
Na vida e no trabalho movo-me por um propósito – fazer a diferença nas vidas que toco.
O tema da sustentabilidade amplifica esse propósito, porque impacta as vidas presentes e futuras, e determinou o tema desta primeira crónica. Espero que possa ser útil a alguns de vós! Até breve!