Em Portugal, o trabalho deixou de ser o centro da vida para muitos. A prioridade agora é viver melhor. Esta é uma das principais conclusões do estudo “Gerações em Movimento – Preparar o Futuro”, promovido pelo Grupo Ageas Portugal, em parceria com a Ipsos Apeme.
A saúde ocupa um lugar central nas preocupações dos portugueses, embora com abordagens diferentes consoante a geração. Entre os Baby Boomers, quase metade (49%) mostra-se preocupada com a saúde futura, contrastando com apenas 16% que se dizem preocupados com o estado atual. Ainda assim, 61% afirmam sentir-se bem, quer a nível físico como mental. Já 24% admitem receio de perder faculdades mentais no futuro.
Na Geração Z, o foco recai mais na saúde mental: 18% expressam medo de sofrer de depressão, e 16% receiam ficar sozinhos ou perder amizades.
Trabalhar para viver ou viver para trabalhar?
Sobre o modo como cada geração encara o tempo e a vida profissional, os dados mostram que os Boomers valorizam mais o tempo dedicado a hobbies, cultura e voluntariado, e 67% afirmam gostar de aprender e conviver com outras gerações. Por outro lado, Millennials e Geração Z colocam o foco no equilíbrio entre vida pessoal e profissional, uma tendência que ganha força nas gerações mais jovens, com 21% dos Millennials e 19% da Geração Z a destacarem essa prioridade.
O estudo revela, assim, uma viragem cultural. A carreira passa a ser vista como parte de um estilo de vida equilibrado, onde o bem-estar, o lazer e as experiências pessoais ganham espaço face à ambição profissional.
Entre o planeamento e a incerteza
No campo financeiro, o estudo mostra um contraste marcado entre gerações. Mais de metade dos reformados (55%) diz não ter perdido poder de compra, contrariando perceções generalizadas sobre o impacto da inflação nesta faixa etária.
Já entre os mais novos, há uma clara preocupação com o futuro: 67% da Geração Z já pensa na reforma, sendo que três em cada quatro começaram a fazê-lo por volta dos 26 anos. Contudo, apenas 13% acreditam conseguir concretizar o desejo de investir em imobiliário para a reforma e 58% identificam o preço da habitação como o maior desafio para o futuro.
Os Millennials mostram-se mais pessimistas: 70% antecipam que irão perder poder de compra quando se reformarem. Entre a Geração Z, 10% acreditam que esse poder poderá até aumentar.
Quando o tema é a relação com produtos financeiros e seguros, as diferenças continuam a ser evidentes. Millennials e Geração Z são as gerações que mais confiam nas seguradoras, mas, curiosamente, 39% da Geração Z ainda preferem o contacto presencial quando se trata de contratar produtos financeiros, um dado que revela que, apesar da digitalização, a confiança pessoal continua a ser determinante.
O estudo “Gerações em Movimento – Preparar o Futuro” foi realizado entre 3 de setembro e 6 de outubro, e envolveu uma amostra representativa da população portuguesa, com idades compreendidas entre 25 e 80 anos, distribuída por geração, género e região. A análise abrangeu finanças, consumo, estilos de vida e, entre outros fatores, a saúde, procurando perceber como moldam as decisões económicas e a forma como cada geração se prepara para o futuro.
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