A extensão da licença parental exclusiva do pai foi uma das medidas que entrou em vigor, através de Decreto-Lei, através da Agenda do Trabalho Digno. A medida, aprovada em maio, permitiu que a licença obrigatória do pai passasse dos atuais 20 dias úteis para 28 dias seguidos ou interpolados, como o respetivo pagamento.
A mesma medida foi adotada pela AstraZeneca Portugal, que anunciou a extensão da licença parental exclusiva do pai e permitiu que todos os casais possam desfrutar em simultâneo de 120 dias de licença parental paga a 100%.
Além da extensão do tempo, a medida pode ser aplicável a casais do mesmo sexo, bem como a casos de adoção e surge no âmbito da política de Inclusão e Diversidade da companhia.
Para conhecer melhor o impacto desta medida no ambiente organizacional da empresa, a RHmagazine conversou com Maria João Maia, Legal and Comms Director e I&D WESE Champion da AstraZeneca.
Qual a motivação nesta decisão?
Esta medida foi tomada no âmbito da política de Inclusão e Diversidade da AstraZeneca e pretende, por um lado, combater um dos factores de discriminação em função do género: a parentalidade. Acreditamos que só existirá verdadeira igualdade no mercado de trabalho quando homens e mulheres tiverem os mesmos direitos.
E, por outro lado, esta medida reforça o nosso compromisso em fomentar o work-life balance, respeitando e incentivando a que os nossos colaboradores aproveitem em pleno esta fase tão importante, e marcante, das suas vidas pessoais, independentemente do seu género.
Como isto beneficia os colaboradores a longo prazo?
Por um lado porque, e há vários estudos que o demonstram, colaboradores felizes e realizados são também melhores profissionais.
Esta medida permite que os colaboradores se dediquem a 100% às suas famílias, evitando tensões que inevitavelmente a parentalidade causa no equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, e que regressem ao trabalho mais motivados, descansados e focados.
Por outro lado, utilizamos o período de ausência decorrente da licença parental para promover e criar oportunidades internas de desenvolvimento de outros colaboradores.
Outras iniciativas que façam parte desta iniciativa de inclusão e diversidade?
O recrutamento inclusivo é também uma das nossas prioridades.
Em janeiro deste ano a AstraZeneca Portugal foi a primeira e, até à data, única empresa da indústria farmacêutica a aderir ao ICF – Inclusive Community Forum, uma iniciativa liderada pela Nova SBE que reúne empresas nacionais e internacionais focadas na empregabilidade inclusiva e no compromisso em integrar pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
E, só neste ano, já contratamos 2 pessoas. Ainda em relação à igualdade de género, monitorizamos a equidade salarial entre géneros, garantindo que não há diferenças salariais decorrentes do género. Temos, metas de inclusão de género em cargos de chefia e direção. Com a renovação do edifício, criámos uma sala de apoio à maternidade.
Foi ainda criado um grupo interno de Inclusão e Diversidade que conta com mais de 50 voluntários e que está dividido em 4 sub-grupos, (i) diversidade, (ii) recrutamento inclusivo, (iii) responsabilidade social e (iv) saúde mental.
Uma das nossas prioridades de Inclusão e Diversidade é também o impacto na sociedade, e para isso, sempre que possível, escolhemos trabalhar com pequenos fornecedores que partilhem os mesmos valores e prioridades que a AstraZeneca. Optamos por parceiros inclusivos e apostamos na diversidade nas actividades de team building que organizamos, assim como nos momentos que envolvem todos os colaboradores da companhia.
Também organizamos mercados solidários com a participação de várias associações de cariz social e fazemos questão de, em todos os eventos corporativos, termos um momento de I&D.
O Governo anunciou que, em agosto, as novas licenças parentais, previstas no âmbito da Agenda do Trabalho Digno, já chegaram a mais de 30 mil pessoas. No caso da Astrazeneca, qual foi o impacto desta medida na cultura organizacional?
Na AstraZeneca sempre incentivamos o gozo da licença parental facultativa. Além disso, todos os colaboradores podem usufruir de até 3 dias por mês, totalmente pagos pela empresa, para tratarem de assuntos pessoais e familiares.
A medida agora implementada de permitir que ambos os pais possam usufruir da licença em simultâneo veio colmatar não só a desigualdade de dias concedidos pela lei, como o seu gozo em simultâneo, ao contrário da lei que parte do pressuposto do gozo de períodos exclusivos, de cada um dos pais, com o filho.
E qual foi o impacto real desta medida nos colaboradores?
Esta medida foi implementada em setembro deste ano e, nesse momento, tínhamos um colaborador que estava desde final de julho a gozar a licença obrigatória do pai e que, de imediato, usufruiu desta licença, pelo que só regressará ao trabalho em janeiro de 2024. Pretendemos que, quando regresse, partilhe a sua experiência com a companhia, incentivando a que mais colaboradores usufruam da mesma.
A medida também abrange colaboradores LGBTQIA+?
Esta medida é aplicável a casais do mesmo género, assim como a casos de adoção. E não poderia ser de outra maneira.
Na AstraZeneca consideramos que a diversidade é uma mais-valia, seja ela de género, de religião, de orientação sexual, raça, neurodiversidade, de cultura, origem social, educação, etc., pelo que nos esforçamos por criar e dar condições para que todos se sintam incluídos, possam ser elas próprias, na sua singularidade, sem receio de qualquer tipo de discriminação, e tenham os mesmos direitos e oportunidades.