Um estudo divulgado pelo Future Forum em outubro de 2022 conclui que trabalhadores com completa flexibilidade de horário reportam um aumento de produtividade em 29% e um aumento da capacidade de foco nas suas tarefas em 53%.
No entanto, o mundo não tem registado o mesmo crescimento. Os Estados Unidos estão a assistir a um declínio da produtividade há cinco trimestres consecutivos, de acordo com um estudo da EY. Ao mesmo tempo, 85% dos empregadores e líderes afirmam que “a mudança para o trabalho híbrido tem sido desafiante na atribuição de confiança que os trabalhadores estão a ser produtivos”.
Apesar da evidencia publicada, que reforça o facto de que o trabalho híbrido flexível ser mais produtivo do que o trabalho forçado no escritório, os líderes estão a retomar a prática de regressar os colaboradores ao escritório, na expectativa que isso melhore a produtividade.
Definição de insanidade ou existe razão para esta escolha?
Mais trabalhadores não se traduz um maior output
Muitos líderes acreditam que o trabalho no escritório é a melhor forma de aumentar a produtividade. Quase como uma receita mágica: insere mais trabalhadores, recebe um maior output. Mas a realidade é exatamente o contrário.
Em vez de ser de existir um aumento da produtividade, investigações recentes apresentam o escritório como prejudicial à produtividade. A Reserva Federal de Nova Iorque, a Universidade de Harvard e a Universidade de Iowa apuraram num estudo recente que engenheiros de software localizados em edifícios diferentes no mesmo campus escreveram mais programas de computador do que os que estavam junto dos colegas de trabalho. No entanto, engenheiros que trabalhavam em edifícios diferentes receberam menos feedback do seu código.
Neste sentido, é possível aferir uma conclusão: o escritório pode auxiliar na mentoria, na troca de experiências entre colaboradores menos experientes e colaboradores mais experientes. Mas, ao nível da produtividade, é preferível trabalhar fora do escritório.
O estudo da EY revela que existe uma correlação direta entre o retorno forçado ao escritório e a queda na produtividade. As pessoas estão a trabalhar durante mais horas e estão a produzir menos produtos.
Regresso híbrido ao escritório não é tão flexível como aparenta
Uma semana de trabalho, repartida entre trabalho no escritório e casa, tendo alguns dias fixos de trabalho em pessoa no horário tradicional. Este é o trabalho híbrido comum, descrito com fluido e ágil, um compromisso que oferece aos trabalhadores maior controlo e autonomia depois da pandemia.
No entanto, a natureza estrita dos horários de trabalho no escritório, implementada do topo a baixo pelas chefias, não providencia a flexibilidade prometida.
“Muitas vezes, dá aos trabalhadores um horário híbrido de onde eles podem fazer o seu trabalho, mas sem qualquer flexibilidade”, explica Tim Oldman, fundador e CEO da firma de pesquisa Leesman. “Basicamente, é ‘enfiá-los’ em padrões fixos que não se adequam ao seu trabalho”.
Os obstáculos invisíveis à produtividade
De acordo com a Fortune, a tomada de decisão é muitas vezes influenciada por enviesamentos cognitivos que distorcem a nossa percepção e julgamento, especialmente quando se trata de adotar o trabalho flexível. Dois enviesamentos cognitivos em particular tem um papel significativo nesta “marcha forçada ao escritório”: o status quo e a “fixação funcional”.
No caso do status quo, os indivíduos são levados a preferir a ordem atual das coisas e a resistir à mudança, mesmo quando a mudança pode levar a melhores resultados. Pode impactar de forma significativa a forma como CEOs e executivos acolhem a ideia do trabalho flexível, causando o apego aos modelos tradicionais de trabalho.
“Fixação funcional” previne indivíduos de verem usos ou soluções alternativas para um problema particular, ao estarem fixados nos modelos tradicionais ou que reconhecem. “Fixação funcional” pode levar a que lideres mantenham-se crédulos que o escritório é a única forma para garantir a produtividade.
“A evidência é clara: um retorno forçado ao escritório não é a solução ideal para as quebras de produção, mas sim a causa. Como temos visto nos últimos cinco trimestres, continuar a forçar o retorno dos colaboradores ao escritório é o mesmo de estarmos a batermos a cabeça na parede, esperando um resultado diferente. Chegou a altura dos CEOs repensarem as suas presunções antiquadas e abraçarem a revolução trazida pelo trabalho híbrido”.
Gleb Tsipursky, CEO da “Disaster Avoidance Experts”