Autor: Luisa Aguiar, Human Resources Business Partner do SAS Portugal
Nos últimos anos, o mundo dos negócios e também, inevitavelmente, o capital humano tem-se deparado com algumas alterações (umas mais profundas que outras), relacionadas com diversos fatores, sendo um dos mais gritantes a adoção de novas tecnologias disruptivas, como a Inteligência Artificial (IA).
A verdade é que a par do aparecimento deste tipo de ferramentas surgem dúvidas e interrogações, precisamente pelo receio das mudanças que daí podem advir.
Poderá a IA acabar com os nossos empregos? Substituirá as nossas funções ou, pelo contrário, irá gerar maior produtividade entre os colaboradores? Qual o real impacto que poderá trazer?
Raro é o mês em que não somos inundados com novos dados e informação sobre esta tecnologia que tem monopolizado a atenção de muitos, deixando-nos vacilantes quanto aos seus benefícios e ou eventuais riscos. Há vozes defensoras, mas também há vozes céticas, há quem veja vantagens competitivas para as organizações e há quem veja uma “mansa” substituição da máquina pelo homem, há quem encare a IA como uma aliada, mas há também quem a veja como uma real ameaça.
Mesmo sem grandes certezas, o que constatamos é que tanto a IA como outras tendências tecnológicas em rápida evolução – como o machine learning, o ChatGPT ou o metaverso – conduzem a um novo futuro para os negócios, colidindo cada vez mais os mundos físico com o digital.
Não há dúvida que perante tantos dados e informação oriunda de diversas fontes, torna-se cada mais urgente o poder ou capacidade de otimização e automação de operações e processos, e aqui é sabido que a tecnologia desempenha um papel muitíssimo importante, permitindo em última instância que os colaboradores se concentrem noutro tipo de atividades consideradas mais estratégicas e importantes para o negócio em si.
Penso que afirmar que a força de trabalho será afetada pela IA ou colocar a tónica somente nos postos de trabalho que ficarão em risco poderá ser redutor, sendo a meu ver mais razoável e imparcial falar sobre a forma como a IA poderá influenciar e transformar determinadas funções e não substituí-las.
Acredito que as novas tecnologias de IA podem até causar algumas interrupções no mercado de trabalho, mas de curto prazo, gerando sim novos empregos e novas funções.
As tecnologias de IA vão aumentar a produtividade geral da maioria dos trabalhadores, impulsionando a longo prazo o crescimento económico, e por isso os esforços devem-se concentrar nas possibilidades de integração desta ferramenta.
O surgimento destas tecnologias disruptivas fazem parte da tendência de democratização da analítica que ao chegar a cada vez mais pessoas só vai beneficiar as organizações e a sociedade. A IA deixou de estar somente nas mãos dos cientistas de dados, matemáticos e estatísticos e começa a estar acessível e trazer valor a mais profissionais das mais diversas áreas e assim poderá começar a ser utilizada de forma mais vasta e em diversos contextos, como por exemplo para melhor detetar e prevenir fraudes, aumentar a segurança pública, melhorar o atendimento aos pacientes, agilizar as linhas de montagem nas fábricas, etc.
Em suma, embora a tecnologia possa ser vista como uma ameaça para alguns profissionais, há que salientar que ela não substitui de forma alguma a atuação humana, ajudando sim os trabalhadores a serem mais eficazes e eficientes e permitindo que as organizações otimizem os seus processos e melhorem a sua competitividade.