Por Ricardo Sousa, Diretor de Business Solutions Iberia, Workplace Options
Em Portugal, a questão já não é saber se a saúde mental é importante no local de trabalho – mas sim como integrá-la de forma estratégica, sustentável e imediata.
Nos últimos anos, assistimos a uma mudança real: a saúde mental deixou de ser um tabu. A pandemia obrigou as empresas a ver e a escutar. As conversas começaram. Algumas iniciativas surgiram – programas de apoio ao colaborador, webinars pontuais sobre resiliência, formações para managers. Mas a verdade é esta: a maioria das empresas continua a agir de forma reativa. A verdadeira oportunidade está em passar de ações isoladas para uma estratégia de bem-estar clara, mensurável, eficaz e com parceiros credíveis.
Sejamos claros – a saúde mental não é apenas um tema de RH. É uma questão de continuidade do negócio, de retenção de talentos e de credibilidade da marca. Quando um em cada três colaboradores apresenta sintomas de ansiedade no trabalho, e o burnout é uma das principais causas de absentismo, as empresas já não podem dar-se ao luxo de esperar. Os riscos – financeiros, humanos e reputacionais – são demasiado elevados.
Então, o que significa agir com estratégia? Começa com dados. Muitas vezes, as iniciativas de bem-estar são desenhadas sem escuta real. É essencial identificar os pontos críticos. Quais são as verdadeiras necessidades dos
diferentes grupos – jovens talentos, colaboradores com filhos, lideranças intermédias?
Segundo ponto: a liderança tem de dar o exemplo. A segurança psicológica começa no topo. Apenas assim, se pode implementar. É necessário criar espaço para conversas autênticas, mas também rever cargas de trabalho, prazos e estilos de gestão. Não é apenas oferecer yoga à hora de almoço, mas sim cultura organizacional.
Terceiro: o bem-estar precisa de ser operacionalizado. Tem de estar presente nos KPIs, no onboarding, nos objetivos dos managers. Em Portugal, onde as PME dominam o tecido empresarial, são fundamentais modelos escaláveis – soluções adaptáveis sem comprometer a qualidade.
Na Workplace Options, trabalhamos com empresas de várias dimensões e setores. E uma verdade é transversal: as organizações que integram o bem-estar no seu ADN – em vez de o tratar como algo “à parte” – são aquelas que melhor performance apresentam. Em retenção, em inovação, em resiliência.
Já ultrapassamos a fase da sensibilização. Portugal tem os recursos, os especialistas e a necessidade. O que falta agora é audácia. O bem-estar tem de ser um verdadeiro motor de transformação – não amanhã, mas hoje. As empresas que agora agirem com coragem, não vão apenas proteger e apoiar os seus colaboradores, vão liderar o mercado!
Artigo publicado na edição 158 da RHmagazine, referente aos meses de maio e junho de 2025
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