As organizações, no seu dia-a-dia, interagem com um conjunto de capitais à sua disposição de modo a criar valor, desde financeiro, físico até ao humano.
“Este último é cada vez mais falado, mas raramente analisado em pormenor – pela dificuldade que as empresas encontram em definir, quantificar ou medir fatores sociais”, partilha Angus Bauer, Head of Sustainable Investment Research da Schroders.
Recentemente, a Schroders divulgou um estudo com um conjunto de métricas contabilísticas quantitativas, juntamente com técnicas qualitativas, para permitir aos investidores aperfeiçoar a sua compreensão da contribuição da gestão do capital humano para os rendimentos e a produtividade de uma empresa.
A análise confirma que o capital humano é um claro impulsionador da produtividade e da rentabilidade das empresas e que as empresas com frameworks de gestão duradouros criam valor e retornos mais fortes para os investidores. A Schroders escreve que a principal conclusão do estudo e que “a maioria das empresas considera os seus colaboradores como o seu maior ativo”.
Características que as empresas devem ter em consideração
As empresas com forte gestão do capital humano são descritas como “mais eficazes, no presente, e no futuro, na medida em que podem confiar nas suas ferramentas de gestão e nos seus colaboradores”.
A Schroders, que desenvolveu este estudo em parceria com a California Public Employees’ Retirement System (CalPERS) e a Oxford Rethinking Performance Initiative da Saïd Business School, da Universidade de Oxford, acrescenta que a confiança nestas ferramentas de gestão e nos seus colaboradores permite que eles sejam capazes de tomar as atitudes corretas para a empresa e para os seus acionistas.
Angus Bauer, Head of Sustainable Investment Research da Schroders, indica que para conseguir impulsionar este retorno do capital humano, as empresas devem ter em consideração características como, por exemplo:
- Liderança – As competências sociais entre os líderes criam o espírito de equipa;
- Reconhecimento – O reconhecimento, que não tem de ser, obrigatoriamente, financeiro, pode estimular a produtividade dos colaboradores;
- Distribuição dos trabalhos – Estruturar planos que permitem a autosseleção em projetos que vão ao encontro dos pontos fortes de cada colaborador;
- Comunicação – Transparência e a interação regular promovem o envolvimento e o trabalho em equipa.
Métricas para os investidores melhorarem a sua compreensão da gestão do capital humano
Apesar de ser intangível, Angus Bauer admite que essa condição não impede o capital humano de ser medido ou, pelo menos, avaliado de forma adequada.
“Apesar de defendermos que nem todos os aspetos da gestão do capital humano possam ser medidos quantitativamente, propomos um conjunto simples de métricas/cálculos que permitem aos investidores aperfeiçoar a sua compreensão da contribuição da gestão do capital humano para os retornos e a produtividade de uma empresa: custo do capital humano, retorno do capital humano do investimento, valor económico acrescentado do colaborador e rendimento do capital ajustado aos colaboradores“
Angus Bauer, Head of Sustainable Investment Research da Schroders
Custo do Capital Humano
Apresenta o custo do capital humano, quer imediatamente como a longo prazo numa base concreta. Permite uma compreensão do investimento total feito por uma organização no seu capital humano.
Retorno do Capital Humano do Investimento
Explica o retorno completo do investimento feito em pessoas. Representa a alavancagem dos pagamentos e benefícios usados para identificar as vantagens da gestão de capital humano.
Valor económico acrescentado do colaborador
Estima o valor acrescentado dos trabalhadores numa determinada organização, ajustado ao imposto corporativo aproximado. Muitas vezes é comparado com o valor acrescentado entre o trabalho e capital.
Rendimento do Capital Ajustado aos Colaboradores
Permite o ajustamento do balanço patrimonial, P&L e cash flows para entender o capital humano como um ativo. Permite a uma organização ver o retorno completo de todos os investimentos feitos em capital humano, incluindo separar os “gastos” dos colaboradores do “investimento”

“Ao contrário dos fatores ambientais, que têm valores transparentes, o capital humano tem sido tradicionalmente difícil de quantificar, especialmente quando se olha para a parte inferior da capitalização bolsista, onde os dados são extremamente opacos. Esta framework permite que os gestores ativos, como nós, obtenham mais informações sobre as empresas do nosso universo de investimento.”
Nicholette MacDonald Brown, Head of European Blend da Schroders