Com o desemprego instalado são muitas as empresas que para além de não contratarem, não “abrem os cordões à bolsa” e pagam apenas o ordenado mínimo. Segundo uma pesquisa do Dinheiro Vivo, nem todo o panorama é negro e ainda existem algumas empresas que pagam mais que os antigos 505 euros. Vamos conhecê-las.
No Grupo Jerónimo Martins, que detém os supermercados Pingo Doce, por exemplo, “todos os colaboradores recebem acima do salário mínimo nacional, mesmo após a atualização dos 505 [euros] para os 530 euros (em Portugal)”, responde fonte oficial, acrescentando que ao valor base acresce o pagamento de horas extra, trabalho noturno, domingos e feriados e também o subsidio de refeição.
Além disso, os colaboradores das lojas estão abrangidos por um sistema de remuneração variável que se concretiza na possibilidade de acrescentar mensalmente ao seu vencimento um bónus resultante da concretização dos objetivos definidos por loja.
Já o Grupo Dia, que detém a insígnia Minipreço, começa por informar que tem 3900 funcionários. “O Dia Portugal já pagava a todos os seus empregados acima do salário mínimo, antes do aumento definido agora pelo Governo” é a resposta deste grupo de retalho.
Também o Grupo Aki, pela voz da sua diretora de recursos humanos, Sandra Barranquinho, anuncia que “toda a equipa do Aki, isto é, 100% dos colaboradores, são pagos acima do salário mínimo nacional, em qualquer departamento ou função.”
Defendendo a intenção de ser “uma empresa de pessoas para pessoas e, por isso, a política de recursos humanos assume uma importância real na estratégia empresarial”, Sandra Barraquinho destaca outras políticas de incentivo da empresa: política contratual de estabilidade (65% dos colaboradores estão connosco há mais de 3 anos); distribuição de 16% dos resultados anuais do Aki por todos os colaboradores; possibilidade dos colaboradores se tornarem acionistas da ADEO (empresa 100% detentora do Aki); prémios trimestrais em função do crescimento da empresa/loja; planos de desenvolvimento individuais com formação contínua; seguro de saúde; o “Clube da Proximidade”, descontos e vantagens exclusivas com 1500 protocolos com outras entidades; entre outros.
Já na McDonald’s, “a remuneração tem por princípio base o valor consignado na tabela salarial da convenção coletiva de trabalho, do sector da restauração, a qual se encontra, presentemente em negociação. Assim que fechadas as negociações, procederemos às devidas atualizações.”
Na área da moda e vestuário, a H&M responde que “faz o pagamento dos salários dos seus colaboradores de acordo com o estipulado pela lei portuguesa” e em alguns casos “o valor é superior ao do salário mínimo exigido por lei.”
A operar em vários setores de atividade – Construção, Indústria, Ambiente & Energia, Automóveis, Comunicação social, Hotelaria & Turismo, Serviços e Imobiliário -, o Grupo Lena diz que, “de um universo de 839 colaboradores só em Portugal, cerca de 90% recebem remuneração acima do salário mínimo nacional.” “A nossa aposta é na crescente qualificação dos recursos humanos, de forma a mantermos a competitividade e qualidade dos nossos serviços, em todos os setores em que atuamos”, defende Joaquim Paulo Conceição, CEO do Grupo Lena.
O mesmo responsável acrescenta que, “complementarmente, a empresa tem “um sistema de avaliação de desempenho instaurado há mais de uma década e que abrange 100% dos colaboradores, com o objetivo de reconhecer pelo mérito aqueles que se destacam nas suas áreas, quaisquer que elas sejam, motivando assim as equipas a crescer qualitativamente.”
Salário mínimo (médio), segundo a Randstad.
Enquanto isso, a empresa especialista em Recursos Humanos, Randstad, calculou para o Dinheiro Vivo a média dos salários mínimos praticados em Portugal nas áreas da restauração e retalho.
Na restauração as categorias habitualmente colocadas por esta empresa são funcionários de serviço ao refeitório, com uma remuneração de 530 euros/mês; cozinheira de 3.ª (569,73 euros), empregado de bar (543,11 euros), o que dá uma média de 550,00 euros.
Relativamente às categorias da área de restauração, o salário mínimo pode variar entre 530 euros e 766 euros.
Como exemplo, a Randstad aponta uma lista de salários médios que pode servir de referência para os mais interessados: Empregado de Mesa/Balcão de 1.ª surge a ganhar 592 euros/mês; seguindo-se o empregado de Mesa/Balcão de 2.ª (542 euros); empregada de refeitório (530 euros); cozinheiro de 1.ª (650 euros) e cozinheiro principal (766 euros).
No setor do retalho, tendo em conta que os intervalos de vencimento estão entre os 530 e 600 euros, a média situa-se entre 550 e 560 euros. Importa referir que se trata de funções menos especializadas.