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Um licenciado demora seis meses para encontrar emprego na situação atual

Estudo da Robert Walters conclui também que dos que encontram emprego, 53% admite que os empregos atuais não estão relacionados com a licenciatura.

IIRH Por IIRH
22 de Novembro, 2023
em DESTAQUES, GESTÃO DA CARREIRA RH, TENDÊNCIAS RH
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pobreza
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Com uma taxa de desemprego fixada nos 6,1%, Portugal situa-se atualmente numa situação de pleno emprego. No entanto, o mesmo não pode ser dito para a taxa de desemprego jovem (16 aos 24 anos), que se situa nos 20,3%, valor superior em 3,2 p.p. ao do trimestre anterior e em 1,5 p.p. ao do trimestre homólogo.

Num cenário mundial cada vez mais incerto para as novas gerações que entram no mercado de trabalho, muitos licenciados acabam por escolher trabalhos que requerem um grau de qualificação mais baixo ou candidatam-se a funções que não estão relacionadas com a área que estudaram.

Uma sondagem realizada pela Robert Walters indica que metade dos recém-licenciados (que terminaram a universidade até ao verão de 2022) afirmou que levou mais de seis meses a encontrar um emprego profissional desde que se licenciou – enquanto menos de um quinto (17%) dos trabalhadores experientes (não licenciados) afirmaram que a sua procura de emprego durou muito tempo.

“De facto, a tendência parece ter afetado o seu tempo na universidade – com 50% dos licenciados que estudaram em pós pandemia (2020-2023) a afirmarem que não conseguiram garantir experiência profissional relevante enquanto estudavam, com outros 27% a afirmarem que o que encontraram foi apenas para de curto prazo (1-6 meses)”, refere a Robert Walters em comunicado.

De acordo com as conclusões de uma recente sondagem realizada pela empresa de recrutamento, aqueles que se formaram nos últimos 12 meses sentem que o seu estatuto de recém-licenciado não lhes valeu muito poder de negociação no mercado de trabalho – com 72% a sentirem que não têm “muita vantagem” sobre os candidatos que não foram para a universidade.

Exploração dos Cursos

Surpreendentemente, 45% dos recém-formados não acham que a sua licenciatura os tenha formado com as habilidades necessárias para serem bem-sucedidos no mercado de trabalho atual – com quase 20% acreditando que  a experiência de trabalho teria sido mais útil.

No início deste ano, o Governo revelou planos para reprimir o que consideram ser “diplomas de roubo” – classificados como aqueles com uma elevada taxa de abandono escolar ou com uma baixa proporção  de estudantes que encontram um emprego profissional depois de se formarem.

No entanto, os resultados da pesquisa Robert Walters estabeleceram que a luta para encontrar um emprego era transversal aos licenciados –  e não aos de alguns cursos universitários selecionados – que levantavam a questão;  Qual é a culpa de mais de metade dos licenciados que lutam para encontrar emprego profissional – licenciaturas “enganadoras ” ou um mercado de trabalho difícil?

“Os recém-chegados estão a entrar num mercado de trabalho mais desafiador quando comparado com a década passada – uma  mistura de menos vagas, salários que não correspondem ao custo de vida e a alta concorrência pela procura de talentos remotos e à escala global – levando a que os recém licenciados demorem mais tempo a encontrar uma função de emprego adequada”, comenta François-Pierre Puech, Diretor da Robert Walters.

Somando à questão de tempo, François-Pierre Puech acrescenta que o mercado de trabalho está a assistir “a uma tendência emergente entre a geração Z que, ao terem testemunhado os seus pais ou irmãos mais velhos a trabalhar num mundo corporativo pré-pandemia, agora dão muito mais ênfase ao prazer de seu trabalho, aos valores e propósito da empresa, bem como ao bem-estar e ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional”, levando a que gastem mais tempo a procurar um novo emprego.

Diminuição do valor de mercado

Mais de um terço (39%) dos licenciados considera que o seu diploma não é de  todo  valorizado pelo mercado, com outros 19% a sentirem que não é tão valorizado como esperavam. E podem não estar errados.

De acordo com uma pesquisa do Institute of Student Employers (ISE), a proporção de empresas que exigem pelo menos uma qualificação 2:1 dos licenciados diminuiu de 50% pela primeira vez no ano passado. Novos dados do LinkedIn demonstram um aumento de +90% na percentagem de anúncios de emprego no Reino Unido que não exigem um diploma universitário.

De  facto, empresas como a Kellogg’s, a Google, a EY, a IBM e a BBC abandonaram os seus requisitos tradicionais de formação académica – e com a crescente proeminência colocada na diversidade, mais empresas estão a reconhecer  que são capazes de atrair candidatos  de diferentes origens socioeconómicasse não colocarem um diploma de licenciatura como requisito.

Diplomas que não correspondem aos empregos

Dos licenciados que encontraram emprego, mais de metade (53%) afirma não estar a desempenhar tarefas relacionadas com a sua licenciatura.

“Embora esteja a tornar-se comum que os licenciados iniciem funções em posições não relacionadas com a área que estudaram,  estão a ser lançadas dúvidas sobre a  adequação de muitos cursos,  dado o custo que agora é necessário para frequentar a universidade. Infelizmente, isto está a levar a que um número significativo de licenciados tenha de repensar toda a sua trajetória profissional para garantir emprego”, acrescenta François-Pierre Puech, Diretor da Robert Walters.

O que é que os licenciados realmente querem?

Embora alguns licenciados possam terminar os seus cursos com um plano de carreira claro em mente, existem outros fatores que também são importantes para eles.

Quando questionados sobre o fator mais importante na procura de um cargo profissional após a graduação, os jovens priorizaram a progressão (38%) e o salário (35%), à frente da função que precisa estar em uma área relacionada a sua licenciatura (15%) – com a estabilidade no emprego em último lugar (13%).


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