A Randstad apresentou os resultados do estudo sobre as Tendências de Recursos Humanos 2023-2024, que revelou que o ano de 2023 foi um período de adaptação das empresas aos acontecimentos de anos anteriores – como a implementação de novos modelos de trabalho, a discussão em torno da semana de quatro dias de trabalho, a escassez de talento, entre outras.
“À medida que as empresas se adaptam a mudanças operacionais, têm de gerir o abrandamento económico nacional e internacional e os desafios que vão surgindo, como é o caso da entrada da inteligência artificial no mundo do trabalho e do impacto que esta terá no emprego. Neste contexto, torna-se crucial que as empresas, antes de mais, estejam informadas sobre o que está a acontecer no mercado de trabalho, para que possam tornar-se cada vez mais competitivas e serem capazes de adaptar a um mercado em constante transformação”, afirma Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal.
A análise começou por estudar as expetativas que as empresas têm acerca da situação económica num futuro próximo, de forma a poder analisar posteriormente os desafios com que se deparam e as estratégias a seguir.
O resultado global obtido foi uma previsão de “ligeiro agravamento” da situação económica internacional, do país e dos diferentes setores inquiridos. Com este cenário, a pesquisa refere que as empresas vão enfrentar um conjunto de desafios que exigirão uma adaptação rápida, baseada na análise de dados. Torna-se, por isso, segundo o estudo, muito importante a capacidade de inovação e de adaptação ágil, e um olhar muito atento para aquilo que é mais valorizado pelas diferentes gerações.
56,2% dos inquiridos referem que reter o talento será o maior desafio para as empresas e departamentos de recursos humanos, porém, também a escassez de talento no que respeita à atração de novos profissionais, é apontada como um desafio em larga escala. É ainda indicado que 83,9% das empresas planeiam contratar nos próximos 12 meses, sendo que, entre os motivos de contratação está a rotação dos profissionais (26,6%), seguida da intenção de crescimento de negócio (20,7%) e a procura de novas competências e habilidades (15,6%).
As principais tendências que vão marcar o setor dos Recursos Humanos em 2024
Segundo a análise da Randstad, estas são as tendências que irão marcar o setor de Recursos Humanos em 2023-2024:
- Escassez de Talento: A maioria das empresas entrevistadas (60%) considera que, no seu local de trabalho, existe uma notável escassez de talento, isto é, uma dificuldade em encontrar profissionais com as competências adequadas, apontando este fator como responsável para a criação de um impacto negativo sobre variáveis estratégicas como a competitividade, a produtividade e a capacidade de satisfazer as necessidades dos clientes.
- Competências mais procuradas: A orientação para os resultados e a capacidade de adaptação revelam-se as competências mais exigidas pelas empresas, com valores de 43,8% e 43,1%, respetivamente. Estas são também as competências que os profissionais consideram que são as mais procuradas. Os conceitos de reskilling e upskilling tornaram-se estratégias essenciais para abordar a escassez de talento.
- Inteligência Artificial: A transformação digital e a inovação tecnológica são os fatores que mais irão marcar o futuro do mercado de trabalho, segundo as respostas das empresas. A Inteligência Artificial surge como um desafio, mas também uma oportunidade para as empresas e profissionais, visto que transformará tarefas e processos.
- Salário Emocional: O salário emocional é uma parte da remuneração relacionada com benefícios psicológicos e emocionais. Cada profissional atribui um valor subjetivo ao salário emocional, com base nas suas próprias referências, necessidades e contexto pessoal. A análise refere que a conclusão é que priorizar o salário emocional e o reconhecimento das diferenças na sua valorização é fulcral num contexto como o atual. Este estudo analisou ainda o valor médio monetário das várias componentes do salário emocional. Concluiu que o benefício com maior valor médio subjetivo atribuído por todas as gerações de profissionais foi ter quatro dias de trabalho por semana (167 euros), seguido da sexta-feira à tarde livre (151 euros), do horário flexível (149 euros) e do teletrabalho (139 euros).
- Medidas de Flexibilidade: A flexibilidade no trabalho mostra-se um fator altamente valorizado pelos profissionais e é um dos benefícios do salário emocional mais procurados. Da mesma forma, as medidas atualmente aplicadas nas empresas ainda não são suficientes para atrair e reter o talento, pois 55% dos profissionais pensam que as medidas aplicadas na sua empresa não são eficazes, ao contrário das empresas, já que 61% consideram que sim.
- Modelo de Trabalho: O teletrabalho é, segundo o estudo, uma das medidas de flexibilidade mais importantes e nos últimos anos transformou-se numa tendência significativa em Portugal. No entanto, 47,4% dos profissionais entrevistados ainda trabalham em empresas que adotam um modelo 100% presencial. Face a estes dados, 44,3% dos profissionais consideram que o ideal seria ter um modelo híbrido e 30% um modelo totalmente flexível.
- Diferenças Geracionais: Atualmente, convivem quatro gerações no mercado de trabalho. Isso cria um ambiente de diversidade, encontrando perspetivas únicas e gerando oportunidades e desafios. Os baby boomers dão um menor valor subjetivo a todos os benefícios que fazem parte do salário emocional. Pelo contrário, millennials e geração Z, gerações mais jovens, dão maior valor à flexibilidade no trabalho.
- Employee Value Proposition: Um dos fatores mais relevantes na estratégia de atração e retenção do talento é a employee value proposition que deve adaptar-se às circunstâncias dos colaboradores, principalmente num mercado de trabalho altamente competitivo. Os cinco benefícios mais valorizados pelos profissionais são as oportunidades de crescimento, a flexibilidade no trabalho, os aumentos salariais, um bom ambiente de trabalho e o seguro de saúde.
- Retenção de Talento: Num mercado competitivo, as empresas que possuem equipas estáveis têm uma vantagem estratégica significativa. A falta de talento pode ter como consequência a perda de oportunidades de crescimento, inovação e produtividade. A elaboração de estratégias eficazes para atrair, reter e desenvolver talentos é fundamental para garantir a competitividade das empresas.
Sobre o estudo
Para realizar esta análise, a Randstad fez um inquérito, tanto a empresas como a profissionais, com o intuito de compreender quais as principais tendências que vão marcar o mercado de trabalho no próximo ano.
Em conjunto, estes dois inquéritos fornecem uma visão abrangente das dinâmicas do mercado de trabalho em Portugal, já que abordam quais as perspectivas de contratação e condições oferecidas pelas empresas e, por outro lado, o nível de satisfação face à situação profissional, assim como os objetivos profissionais. Relativamente à amostra deste estudo, existe uma diversidade setorial, com 6% a 14% de resultados de cada setor. Para além disto, 36% das empresas da amostra têm menos de 50 colaboradores, o que destaca a importância das pequenas e médias empresas no mercado de trabalho nacional.