Em 2014, o Win4Youth contou com a participação de cerca de 30.000 colaboradores. Fale-nos um pouco sobre este projeto.
Win4Youth é um projeto de responsabilidade social do grupo Adecco que surgiu há seis anos, com o intuito de associar a prática desportiva entre colaboradores e parceiros de todo o mundo, mas com um objetivo que vai além da prática desportiva, pois os quilómetros percorridos são posteriormente convertidos em donativos para instituições de apoio a crianças e jovens, nos 60 países onde a Adecco está presente.
Os 30.000 colaboradores Adecco que participaram no Win4Youth 2014 ultrapassaram em 223.094 quilómetros o desafio inicial proposto, que consistia em percorrer 2 milhões de quilómetros – cinco vezes a distância da Terra à Lua. Deste modo, conseguimos angariar um total de 375 mil dólares que foram distribuídos por cinco instituições de solidariedade social na Argentina, Cambodja, Itália, Polónia e em Portugal. Em termos globais, o nosso objetivo em 2015 é pedalar, nadar ou correr quarenta e quatro vezes a volta ao mundo, ou seja, 1,75 milhões de quilómetros para que possamos continuar a ajudar na integração de pessoas em risco de exclusão social e no mercado de trabalho, contribuindo assim para melhorar as suas condições de vida.
Qual o peso da R.S.E na Adecco em Portugal?
Apesar de se realizar desde 2010, foi a primeira vez que as verbas decorrentes do projeto Win4Youth beneficiaram uma instituição portuguesa e por isso, para aqueles que participam desde o início, entregar este donativo foi absolutamente gratificante. Em Portugal, este ano a Ajuda de Mãe recebeu 75 mil dólares, o que equivale a 66. 207, 627€ e que serão utilizados para melhorar a qualidade de vida das grávidas e jovens mães, assim como das suas famílias. Pessoalmente, e apesar de toda a ajuda financeira que estas associações necessitam, acredito que o esforço e empenho, a relação de entreajuda que se gera, são o maior contributo que cada um pode dar. Na dimensão social, para além do projeto Wint4Youth, implementámos o programa Athlete Career Programme, em parceria com os Comités Olímpico e Paralímpico Internacionais, com o objetivo de impulsionar a preparação da fase pós-carreira dos atletas. Este programa consiste na conciliação da carreira desportiva com o desenvolvimento de uma profissão paralela e é uma forma de ajudar os atletas a ingressarem no mercado do trabalho, o que nem sempre é fácil após a conclusão da carreira desportiva. Foi também criado o programa Way to Work™ a nível internacional que apoia a procura ativa de emprego, dando orientação profissional através de workshops de formação gratuitos e de ferramentas complementares de formação, como o website www.adeccowaytowork.com com dicas sobre como responder a um anúncio, redigir um CV ou preparar entrevistas. A iniciativa é assinalada com uma ação de rua nas principais cidades dos países onde a Adecco opera.
Como é que os valores do Win4Youth se refletem no dia a dia da Adecco?
Os principais valores que orientam a atividade da Adecco em todo o mundo são o espírito de equipa, o foco no cliente, a paixão pelo trabalho que fazemos e a responsabilidade. Dizemos até que temos o trabalho mais bonito do mundo porque trabalhamos para que outras pessoas possam fazê-lo e por isso, acreditamos que podemos fazer a diferença na vida das pessoas, tornando-a melhor. É neste sentido, precisamente, que o projeto Win4Youth se integra e articula nos próprios valores do Grupo, pois exige um esforço de todas as equipas, um foco muito estreito naquele que é o objetivo, a responsabilidade e a paixão por ajudar. Pessoalmente, acredito que estas iniciativas consistem numa forma de concretizar aquilo que fazemos todos os dias.
Para além da R.S.E, como é que a Adecco fomenta uma cidadania saudável na empresa?
Penso que é fundamental que todos nós, empresas e particulares, façamos um compromisso com a responsabilidade social, porque faz parte da boa cidadania. Da parte da Adecco esta responsabilidade começa no tratamento que, no meu ponto de vista, devemos dar a cada pessoa que procura trabalho. Nestes contornos, incentivamos a prática de uma liderança próxima e altruísta.
Concedemos a cada colaborador a autonomia e o espaço para que possa crescer e desenvolver-se, pessoal e profissionalmente, de forma sustentada, dentro da própria empresa. As organizações têm um papel cada vez mais central na vida das pessoas, daquelas que são as suas necessidades, angústias, medos, sonhos, objetivos e é por isso, precisamente, que os colaboradores aportam valor real às empresas. Neste sentido, envolver as pessoas e motiva-las no seu trabalho é fundamental para aumentar a sua produtividade mas acima de tudo, para inspirarem todos os nossos clientes e parceiros a encontrarem um emprego que contribua de forma positiva para o seu bem-estar físico, psicológico e emocional.
Na sua opinião como se podem transformar locais de trabalho mais saudáveis?
Pessoalmente, acredito que reconhecer a importância das pessoas nas organizações, enquanto agentes ativos nos processos e práticas institucionais que aportam valor real às empresas, é o principal ponto de partida para a criação de um ambiente de trabalho mais saudável. Em simultâneo, importa perceber que este é um processo contínuo e gradual, que exige a auscultação sistemática daquelas que são as necessidades e expectativas das pessoas, numa lógica de mútuo ajustamento. Ainda que esta seja, primeiramente, uma obrigação dos diretores e líderes das equipas, cabe, também, a cada indivíduo, assumir uma posição de respeito e consideração pelo trabalho do outro.
Por outro lado, sabemos que existem benefícios para além dos salários, sendo que benefícios sociais para os colaboradores influem na sua motivação e, consequentemente ajudam a transformar o trabalho num local mais saudável – e aqui entram, por exemplo, dias extras de férias, seguros de saúde, compensações extras nos dias de aniversário, apenas a título de exemplo, para mostrar a importância de construir melhores locais de trabalho.
Em último lugar, parece-me que existe uma necessidade urgente de compreender e maturar uma cultura de aceitação do erro. Enquanto ser humano, ninguém está livre de errar. Muito pelo contrário, o erro demonstra, precisamente, a coragem de arriscar e a ousadia de procurar novas soluções – e a inovação é um dos principais vetores conducentes das empresas num mercado tão concorrencial!
Como prevê o papel das empresas na construção da personalidade dos seus colaboradores?
Como disse, as organizações têm um papel cada vez mais assíduo e presente no quotidiano das pessoas e desse ponto de vista, é determinante que as empresas encontrem formas de oferecer a todos os nossos stakeholders uma organização coesa e coerente com os seus princípios e práticas, como são exemplo as ações de responsabilidade social. Sabemos que a personalidade é, em larga medida, estabelecida pela moldura cultural em que as pessoas crescem e se desenvolvem. Enquanto sistema social, as organizações são um palco onde a heterogeneidade encontra uma sintonia, através da própria cultura empresarial. Deste modo, as organizações fomentam a criação de padrões de referência que, ao longo do tempo, se vão integrando na bagagem cultural de cada indivíduo. Na minha prespectiva, a médio prazo, a relação entre as empresas e as suas pessoas passa por preservar a confiança e colaboração.