Especializada no recrutamento e consultoria na área do Direito, a FIND tem visão privilegiada sobre como está a ser a adaptação dos escritórios de advogados à digitalização da economia, assim como a outras tendências reforçadas pela pandemia. Filipa Mendes Pinto, fundadora e diretora da FIND, traça o estado da arte na área que conhece há 30 anos, apontando também para caminhos de aperfeiçoamento.
Que desafios apresenta atualmente o mercado de recrutamento no setor jurídico para a FIND?
O ano de 2021 tem sido pleno de (bons) desafios para a FIND, na medida em que o mercado onde atua tem estado particularmente dinâmico, com as sociedades de advogados e as empresas a recrutarem a um ritmo elevado. É, por um lado e no caso das sociedades de advogados, sinal claro da flexibilidade que este mercado possui perante momentos da vida económica menos ativos e, por outro e no caso das empresas, sinal evidente da importância que a assessoria jurídica interna tem vindo, progressivamente, a assumir. O grande desafio pode começar agora a ser a escassez de oferta, em particular ao nível de algumas áreas de especialidade.
As sociedades de advogados também precisam de fazer a sua transformação digital? Nota mais necessidade de consultoria nesta área?
As sociedades de advogados souberam adaptar-se muito bem durante os períodos mais duros da pandemia, os quais acabaram por contribuir para um grande desenvolvimento das suas competências digitais, acelerando o respetivo processo de transformação. Há ritmos e capacidades muito diferentes mas, em termos globais, julgo que se poderá dizer que há uma preocupação séria em concretizar essa transformação.
Neste sentido e face à especificidade dos temas que envolvem a referida transformação, é natural que o apoio externo especializado se mostre mais premente. Mas, a par deste tema relevante, outros estarão, ou deverão estar, cada vez mais presentes nas prioridades das sociedades. Falo dos temas relacionados com ética do negócio, com a sustentabilidade e com a responsabilidade social, os quais mostrar-se-ão fundamentais na sua estratégia, quer numa perspetiva interna (da própria sociedade), quer numa perspetiva externa (dos clientes e do negócio associado).
[No upskilling dos advogados] há sempre caminho para fazer: valências no campo digital e capacidade de ler os sinais da economia, fazendo com que a sua postura seja mais a de atuar na antecipação e prevenção das questões
Em relação às competências, como estão as dos advogados? Também eles precisam de upskiling?
Os advogados têm vindo, ao longo dos últimos tempos, a evidenciar muito boas capacidades de desenvolvimento de competências e este período especial que vivemos voltou a confirmar isso mesmo. Todavia, há sempre caminho para fazer. Em particular, as valências no campo digital, a capacidade de ler os sinais da economia fazendo com que a sua postura seja mais a de atuar na antecipação e prevenção das questões – numa ligação cada vez mais forte e multidisciplinar ao cliente – ou a consciencialização relativamente a temas sensíveis como os acima mencionados são algumas das vertentes nas quais se vai passar a exigir que os advogados evidenciem adequadas competências.
Entrevista publicada na edição n.º 137 da RHmagazine, referente aos meses de novembro/dezembro de 2021.
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