O
novobanco registou cerca de oito mil participações no Programa 5+ no último ano e 60% dos colaboradores participaram em pelo menos uma iniciativa. Criada há cerca de quatro anos, no rescaldo da pandemia de Covid-19, a iniciativa procura promover a saúde, o bem-estar, o equilíbrio e a felicidade dos colaboradores.
Como evoluiu esta intervenção e como é que chega hoje às pessoas? Foi a partir destas questões que se desenvolveu a conversa com Conceição Carvalho, Diretora Central do Departamento de Capital Humano, Bem-Estar e Experiência de Colaborador do novobanco, no podcast “Pessoas & Talento”, do iiRH/RHmagazine.
O banco acompanha a evolução do bem-estar através de vários indicadores, entre os quais o Pulse, o absentismo e os riscos psicossociais. Nos quatro anos de existência do Programa 5+, o Pulse aumentou cerca de 12 pontos percentuais. Já a taxa de absentismo recuou um ponto percentual desde o início do programa, situando-se atualmente nos 2,13%, segundo Conceição Carvalho.
Nos riscos psicossociais, avaliados anualmente desde a pandemia, são cruzados indicadores de burnout e engagement, que permitem distribuir os colaboradores por três grupos: saudável, de risco e de mal-estar. O grupo considerado saudável aumentou cerca de 10 pontos percentuais. Contudo, a responsável deixa uma ressalva na leitura destes dados: a evolução dos indicadores não pode ser atribuída exclusivamente ao Programa 5+.
A cautela na medição acompanha uma intervenção que também foi sendo alargada. No novobanco, o cuidado com as pessoas começou por estar muito associada à saúde, através da Medicina do Trabalho, de algumas especialidades médicas gratuitas para os colaboradores e do seguro de saúde do setor bancário. A alimentação e a nutrição foram outras áreas acrescentadas posteriormente.
A resolução do BES trouxe novas necessidades. “Houve uma forte preocupação de cuidar das pessoas. Foi um momento crítico a esse nível”, recorda Conceição Carvalho. A saúde mental passou então a integrar esta intervenção e a pandemia voltou a acelerar o trabalho nesta área.
Foi neste contexto que nasceu o Programa 5+, com uma forte componente dedicada à saúde mental. O nome corresponde aos cinco objetivos definidos: “É um programa que tem cinco objetivos, mais saúde física, mais saúde mental, mais bem-estar, mais equilíbrio e mais felicidade.”
O desafio de chegar a 4200 pessoas
O programa organiza-se em oito dimensões, entre as quais a saúde física e mental, o bem-estar físico, mental e social e as dimensões financeira, intelectual e profissional. A intervenção passa também por formação, workshops e atividades práticas. “No fundo, fazemos muita literacia nestas várias dimensões do programa”, refere Conceição Carvalho.
Há um calendário mensal de atividades para toda a organização e, semanalmente, uma dica de autocuidado. A participação e a avaliação das iniciativas são acompanhadas, assim como os temas sugeridos pelos próprios colaboradores. “Há um processo de melhoria contínua e de escuta ativa. Vamos integrando isso no nosso programa de bem-estar.”
A dificuldade está em fazer chegar esta oferta a uma organização com cerca de 4200 pessoas e contextos de trabalho distintos. Cerca de metade dos colaboradores está concentrada no campus, enquanto a rede de balcões exige uma maior utilização do formato online. Pelo menos uma vez por mês, o banco promove uma “palestra cinco mais”, aberta a toda a organização, sobre temas específicos, como o sono.
Todavia, algumas das medidas partem de problemas menos abstratos. É o caso do takeaway da cantina, criado no âmbito da conciliação entre vida profissional e pessoal. A ideia surgiu ao olhar para uma dificuldade recorrente no final do dia: sair do trabalho, ir buscar os filhos e ainda preparar o jantar. A resposta foi encontrada num recurso que o banco já tinha.
A medida está disponível no campus e, segundo Conceição Carvalho, foi bem recebida. Houve colaboradores que passaram a levar sopa para casa e outros que encontraram ali uma forma de libertar tempo para outras atividades antes de regressar a casa. “É um dos exemplos em que olhámos para dentro, para os recursos e tentámos fazer uma medida diferente.”
Na saúde mental, a lógica é mais preventiva. “Trabalhamos muito a saúde mental sem falar propriamente em saúde mental porque há muitas coisas que influenciam aquilo que é o bem-estar mental.”
Mindfulness, ioga e relaxamento fazem parte do programa, a par de iniciativas de socialização e comunidades internas. Uma delas é o Clube de Leitura 5+, que reúne colaboradores pelo menos uma vez por mês. A gestão do stress é outra das áreas trabalhadas, com o envolvimento das chefias no apoio às equipas.
O papel das lideranças
Se as políticas são definidas pela organização, a sua aplicação concreta passa também pelas chefias. É por isso que Conceição Carvalho considera a liderança “um elemento crítico”. A política de teletrabalho, por exemplo, permite até três dias por semana, desde que a função o permita. A forma como essa possibilidade é concretizada depende depois da atuação das lideranças.
“Diria que as lideranças são quem ajuda a materializar estas políticas e estes benefícios para os diferentes colaboradores do banco.” O papel das chefias é também trabalhado através de formação, no âmbito da transformação cultural desencadeada depois da definição de uma nova missão e de novos valores.
Há ainda uma intervenção dirigida especificamente à área comercial. A avaliação de riscos psicossociais apresentou resultados menos favoráveis nesse contexto, levando o banco a desenvolver um programa de bem-estar dirigido inicialmente a cerca de 40 líderes.
O acompanhamento inclui apoio psicológico e nutricional. “O líder também tem que ser cuidado e preparado para depois estar bem para a sua equipa.” O feedback tem sido positivo e o próximo passo passa por medir o impacto do programa nas equipas lideradas pelos participantes.
A experiência do Programa 5+ mostra, assim, uma intervenção que combina iniciativas para toda a organização com respostas mais específicas e dirigidas. Os números ajudam a acompanhar o caminho, mas não eliminam a dificuldade de determinar o peso de cada medida nos resultados.
Entre os destaques deste episódio:
- A evolução da política de bem-estar do novobanco e a criação do Programa 5+;
- A importância da saúde mental e da prevenção no bem-estar dos colaboradores;
- Como medidas concretas podem responder a necessidades do quotidiano e apoiar a conciliação entre vida profissional e pessoal;
- O papel das lideranças na concretização das políticas e benefícios de bem-estar;
- Os indicadores utilizados para acompanhar a evolução do bem-estar e os desafios de medir o impacto de uma iniciativa específica.
Ouça a conversa completa ou assista ao episódio.
Aproveite e leia já as últimas edições da RHmagazine AQUI