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O tema da saúde mental tem estado na ordem do dia. Há um debate constante sobre pessoas mais felizes, organizações mais felizes, autocuidado, equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Mas será mesmo esse o caminho que estamos a seguir? O que nos dizem as pessoas? De que forma se exprimem os responsáveis das organizações? E as estatísticas?
Durante muitos anos o conceito de saúde foi associado ao aspeto físico, descurando-se a prevenção da doença mental. A felicidade e o bem-estar são dois conceitos que se encontram de mãos dadas, estando diretamente relacionados com um sentimento de realização e de produtividade, mas não somente num contexto físico, como também psicológico (Adams, 2019).
O bem-estar nas organizações ainda é um conceito pouco explorado academicamente. Embora já existam algumas definições de bem-estar organizacional, este não é consensual entre os diferentes autores da especialidade. Porém, uma das dimensões relatadas aquando da definição de bem-estar organizacional trata-se do equilíbrio entre vida pessoal e vida profissional.
Ou seja, de acordo com alguns autores (e.g. Johnson et al., 2018), os trabalhadores podem relatar um maior bem-estar nas organizações quando sentem que as suas dimensões de vida profissional e pessoal estão equilibradas.
Citando diretamente o relatório da Ordem dos Psicólogos Portugueses sobre a importância do bem-estar organizacional (2021): “A Organização Mundial de Saúde passou a definir Saúde como um estado de bem-estar que permite às pessoas realizar as suas capacidades e potencial, lidar com o stress normal do dia-a-dia e trabalhar produtivamente.” (p.4). Esta promoção da saúde psicológica passou, então, a ter impacto na promoção de políticas públicas.
Se quisermos especificar para o contexto português, de acordo com um estudo europeu publicado já no ano de 2013 (Europeam Opinion Poll on Occupational Safety and Health), Portugal era já o terceiro país da europa em que as pessoas relatavam ser muito comum sentirem stress associado ao trabalho, sendo esta percentagem (28%) o dobro da média europeia (16%).
Sabemos que, ainda hoje, se beneficia o “multi-tasking” e a produtividade a todo o custo. Quais as consequências que isto pode ter para o mercado de trabalho? Será que faz sentido continuarmos a exigir às pessoas que não basta serem suficientemente eficazes nas várias esferas da sua vida, mas excelentes em todas elas? Em termos biológicos, como funciona o nosso cérebro?
A ciência diz-nos que o cérebro humano está focado totalmente numa tarefa, durante cerca de 30 minutos. Atualmente, sabemos que a esmagadora maioria das pessoas não realiza pausas até durante esse período de tempo.
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) poderão ter vindo a contribuir, de certa forma, para que as pessoas se tornassem “sempre ligadas”, existindo uma maior pressão sobre melhores resultados, em menos tempo e, também, uma menor conciliação trabalho/família, sendo que permitiram que as pessoas consigam trabalhar mais facilmente “à distância”.
Mas serão estas as únicas “culpadas” pelo facto de os trabalhadores portugueses sentirem stress no seu local de trabalho? Todos sabemos que as TIC vieram para ficar e que, muito provavelmente, a Inteligência Artificial (IA) será um caminho nas mais diversas profissões.
Mas antes de criarmos barreiras à mesma, será importante refletir de que forma esta poderá ajudar a melhorar o bem-estar organizacional, não como uma substituição do trabalho humano, mas antes como um complemento. Torna-se premente entender se existem benefícios e quais são, ao invés de nos focarmos única e exclusivamente nos riscos (não descurando que existem).
Face aos aspetos mencionados, torna-se crucial refletir sobre as variáveis que contribuem para um maior bem-estar nas organizações e não basta fazê-lo, apenas, num enquadramento teórico. É muito importante que os gestores de recursos humanos, psicólogos organizacionais e demais stakeholders conheçam os manuais de boas práticas: Porque o mais importante serão sempre as pessoas!
Autora: Rita Monteiro Mourão, Licenciada em Psicologia e Mestre em Psicologia Social e das Organizações, Doutorada em Ciências da Comunicação, professora Auxiliar no IADE-Universidade Europeia e Docente Convidada na Escola Superior de Comunicação Social-IPL
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