Este artigo sintetiza os insights críticos do mais recente RH Talk do IIRH dedicado às Tendências 2026: talento, motivação e o futuro do trabalho revelando que o sucesso na próxima década não será medido apenas pelo código da IA, mas pela resiliência biológica e pela qualidade das ligações humanas. Este webinar contou com o patrocínio do Urban Sports club.
O “Normal normal”: A maturidade do modelo híbrido
Esqueça o conceito de “novo normal”. Em 2026, entramos na era do “Normal normal”. Como defende Sandra Coelho (Capgemini), o modelo híbrido amadureceu: deixou de ser uma adaptação de emergência para se tornar a infraestrutura basal das empresas de alto rendimento. Neste cenário, o escritório foi ressignificado como um centro estratégico de colaboração e reforço cultural, e não como um local de tarefas rotineiras. A flexibilidade tornou-se o pilar da retenção, especialmente para as gerações mais jovens. Um exemplo de vanguarda é o programa “Work Abroad” da Capgemini, que permite trabalhar a partir do estrangeiro até 45 dias. Em 2026, a flexibilidade já não é um benefício “extra”; é a base sobre a qual se constrói a confiança organizacional.
A dimensão social: O elo perdido do bem-Estar
Embora o investimento em saúde física e mental tenha crescido, a dimensão social emergiu como o componente mais negligenciado — e o mais vital. Alexandra Pinote, da GALP alerta que a “urgência constante” e o ritmo digital atropelam a escuta ativa, fragilizando os laços de confiança necessários para navegar na incerteza. O bem-estar em 2026 é uma parceria de responsabilidade partilhada, onde a transparência da liderança atua como o principal antídoto para a ansiedade. “Mesmo quando não tens as respostas todas, ajuda a dizeres alguma coisa… isso reduz a ansiedade e o ruído. A liderança tem de estar próxima para dar sentido e confiança aos colaboradores.” — Alexandra Pinote
VO2 máximo e ROI: A ciência por trás da produtividade
A saúde física deixou de ser um tema de “recursos humanos” para se tornar um tema de “estratégia de negócio”. Vítor Rocha do Urban Sports Club apresentou dados do Wellbeing Compass que revelam um fosso competitivo entre Portugal e Espanha onde muitas mais pessoas praticam desporto.
O indicador crítico de 2026 é o VO2 Máximo que mede a eficiência do coração, pulmões e músculos a produzir energia . Mais do que uma métrica desportiva, é um biomarcador de longevidade e energia biológica. O próprio Vítor Rocha confessa ter mudado a sua perspetiva sobre o desporto após a paternidade, focando-se na longevidade para acompanhar o crescimento do filho. Traduzido para as empresas, isto significa que colaboradores com maior capacidade aeróbica são mais resilientes e produtivos.
O Caso de sucesso do OLX: Com uma taxa de ativação de benefícios desportivos de 90%, a OLX prova que o segredo não é apenas a oferta, mas a cultura. Através de “embaixadores” e momentos como torneios de padel, a empresa utiliza o desporto para humanizar as chefias. No campo, o líder deixa de ser o “chefe” para ser o parceiro ou o adversário, quebrando silos e gerando o que Vítor chama de “energia antidepressiva” do grupo.
IA e a requalificação: O fim do “bicho-papão”
Para operar as ferramentas de IA de 2026, o colaborador precisa de energia humana e literacia digital. O relatório do World Economic Forum citado por Sandra Coelho (Capgemini) é claro: 40% das competências atuais mudarão até 2030. A resposta da Capgemini a este desafio é massiva, registando uma média de 96 horas de formação por pessoa. Os dados demonstram que a retenção é significativamente maior entre os colaboradores que apostam nesta aprendizagem contínua.
A tecnologia está agora ao serviço da humanização: botes de IA são utilizados para fornecer dados rápidos aos gestores, libertando-os das tarefas administrativas para se focarem no que a IA não faz: o feedback contínuo e a escuta empática.
As “Golden Rules” da Galp: Um guia para a desconexão
Para combater a fadiga e o volume de trabalho, a Galp estruturou um guia prático de autorresponsabilização, dividido em dois pilares essenciais:
Bem-Estar físico:
- Alimentação e água: Nutrir o corpo para sustentar o esforço intelectual.
- Exercício físico: Movimento regular como base da vitalidade.
- Sono: Higiene do sono e rotinas para combater a insónia.
- Prevenção: Vigilância ativa da saúde e exames regulares.
Bem-Estar mental:
- Emoções: Conhecer e abraçar o que se sente.
- Partilha: Comunicar para não “sufocar” sob pressão.
- Desconexão: “Desconecta para reconectares” — desligar dispositivos para recuperar a mente.
- Limites: Estabelecer prazos e horários conscientes.
- Propósito: Alinhar o trabalho com o sentido de vida pessoal.
Conclusão: Um futuro de responsabilidade partilhada
O sucesso organizacional em 2026 depende de uma tríade indissociável: a tecnologia (IA) como motor de eficiência, a saúde física (VO2 Máximo) como fonte de energia vital e a liderança humana como garante de segurança psicológica.
O futuro do trabalho não é algo que nos acontece; é algo que construímos através da nossa própria literacia e cuidado pessoal. A empresa fornece o ecossistema, mas o comando da aprendizagem e da saúde pertence ao indivíduo.
Veja aqui o vídeo completo:
Aproveite e leia já as últimas edições da RHmagazine AQUI