Quais são os principais benefícios observados nas empresas que investem na literacia financeira dos seus funcionários?
A literacia financeira em contexto empresarial é particularmente importante porque se destina a uma classe de pessoas que provavelmente já não irá à escola receber formação nessas áreas, ao contrário das gerações mais novas, que poderão ainda vir a usufruir desses conhecimentos no ensino obrigatório.
A literacia financeira define-se como o conhecimento e a compreensão de conceitos financeiros que resultam na capacidade de tomar decisões informadas no que se refere à gestão do dinheiro. Melhorar atitudes financeiras, desenvolver hábitos de poupança e promover o acesso responsável ao crédito são, por exemplo, algumas das metas alcançáveis através do aumento da literacia financeira.
Combater a inércia do consumidor (incentivar a comparação, mudança). Pensar que a educação financeira serve apenas para saber negociar melhor com intermediários financeiros ou interpretar notícias mais avançadas relacionadas com economia é errado.
O capital (dinheiro, património, créditos, investimentos, etc.) é da responsabilidade de cada um – e nada melhor do que ter conhecimentos suficientes para o poder administrar. A literacia financeira é uma competência básica e fundamental para gerir eficazmente as finanças pessoais.
Quais as grandes linhas e meios de intervenção da DECO PROteste na promoção da literacia financeira?
Há quase 30 anos que a DECO PROteste tem contribuído para a literacia financeira, através da sua linha financeira DECO PROteste Investe, da publicação CARTEIRA (revista mensal e boletim semanal) e também da revista Contas & Direitos.
Faz análises, dá conselhos, promove mudanças de comportamentos e tem ajudado a alterar as regras e a legislação relativamente a muitos produtos financeiros através de reivindicações e do contributo no sentido de melhorar a legislação. Tem observado de perto os erros nas decisões de poupança, investimento, crédito e ajudado milhares de consumidores.
As empresas do setor financeiro, como bancos e seguradoras, têm desenvolvido os seus negócios, em grande parte, à custa da iliteracia dos clientes, comercializando produtos pouco competitivos, muitas vezes desadequados ao perfil do cliente.
Além disso, aos portugueses faltam hábitos como comparar, diversificar e mudar. A inércia do consumidor deriva também sua elevada iliteracia. Disponibilizamos ainda diversas formações, em formato presencial e e-learning, em áreas como finanças pessoais, preparar a reforma e otimização fiscal.
Nos últimos anos, fizemos inúmeras sessões nestas áreas para colaboradores de empresas dos mais variados setores de atividade, com o objetivo de melhorar a literacia financeira dos portugueses. Continuamos a apostar no alargamento deste portfólio de formações.
Que diretrizes entende a DECO PROteste serem importantes para promover a literacia financeira em Portugal?
A DECO PROteste tem dado algumas formações e ações de sensibilização em escolas, no âmbito da literacia financeira para os mais jovens. No entanto, temos noção de que é um trabalho limitado por questões logísticas e de recursos e porque será sempre uma “agulha num palheiro”.
Por isso, temos lutado em algumas batalhas relativamente à literacia financeira, como a integração da literacia financeira no ensino obrigatório. É fundamental para alterar comportamentos – como criar hábitos de poupança, antecipar e programar a reforma cada vez mais cedo – ter um conhecimento mais alargado do leque de produtos financeiros, identificar os riscos associados a cada produto.
Exigências necessárias num contexto cada vez mais complexo, onde proliferam sugestões de ganhos rápidos, fraudes e produtos não regulados e recomendações pouco isentas de influenciadores digitais patrocinados.
Muito do trabalho da DECO PROteste baseia-se na denúncia de maus comportamentos dos operadores do mercado e da legislação. Assim, temos apelado aos governantes por políticas que acompanhem a evolução dos mercados e dos produtos e, simultaneamente, que promovam o desenvolvimento da sociedade e não apenas “pensos rápidos” para corrigir este ou aquele problema que vai surgindo a curto prazo. Por exemplo, temos insistido em medidas para incentivar a poupança, uma das quais é aumentar os benefícios fiscais dos PPR, que já foram bem superiores aos atuais, como forma de incentivar a poupança para a reforma e evitar mais resgates de PPR.
Por fim, a publicidade é cada vez mais agressiva e os influenciadores digitais são patrocinados. Ou seja, os seus conselhos nem sempre são isentos. Aos bancos é exigido que classifiquem os clientes por perfil de risco e apenas podem apresentar produtos de acordo com o seu perfil, mas outras instituições de investimento bem mais arriscado (como criptomoedas) estão a promover esses investimentos de forma indiscriminada em jornais, TV, redes sociais, etc.
Em termos de formação, estamos a procurar aumentar a oferta de cursos na área da literacia financeira e a incrementar o nosso envolvimento com as empresas no sentido de disponibilizarem formação e conteúdos aos seus colaboradores.
Artigo publicado na edição 154 da RHmagazine, referente aos meses de setembro e outubro de 2024
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