Este relatório revela que o paradigma tradicional de estudar apenas uma vez na vida já não é suficiente num mundo em constante mudança económica e tecnológica e social.
A Inteligência Artificial está a posicionar-se como o maior fator de disrupção do mercado de trabalho, tornando-se essencial para manter a empregabilidade. Seis em cada dez inquiridos partilham desta opinião e preveem que a IA e a Ciência de Dados estarão entre as áreas mais procuradas nos próximos cinco anos. As expectativas são elevadas: um terço dos inquiridos acredita que a IA irá substituir o seu emprego no futuro, enquanto sete em cada dez concordam que as gerações futuras terão empregos que ainda não existem.
Ana Botín, presidente executiva do Banco Santander, afirmou que “a ascensão da inteligência artificial não está apenas a transformar a forma como trabalhamos; está a redefinir a maneira como vivemos e aprendemos. Esta mudança representa uma enorme oportunidade para aumentar a produtividade, reforçar a competitividade e criar valor. Mas levanta também uma questão urgente: estamos preparados para esta nova realidade?”.
E acrescentou: “No Santander, acreditamos que as empresas devem fazer parte da solução. É por isso que estamos a investir €400 milhões entre 2023 e 2026 para apoiar a educação, a empregabilidade e o empreendedorismo. Com iniciativas como a Santander Open Academy, queremos apoiar a aprendizagem ao longo da vida, ajudando as pessoas a desenvolverem novas competências, a requalificarem-se e a descobrirem novas oportunidades — para que ninguém fique para trás.”
As áreas de formação apontadas como as mais procuradas para o futuro são: inteligência artificial e dados, seguidas de tecnologia e digitalização, saúde e bem-estar, sustentabilidade e gestão.
O relatório indica ainda que metade dos portugueses acredita que a experiência prática e a formação não formal (autodidatismo, cursos, workshops) serão mais importantes que os diplomas formais, evidenciando a necessidade de adaptação a um mercado em constante transformação.
A maioria reconhece a necessidade de alargar o leque de competências, embora haja divergências sobre a adequação das ofertas atuais de formação para adultos e sobre quem deve ser responsável pela sua disponibilização. A este propósito, 39% dos inquiridos considera que a oferta do setor público é insuficiente e 25% entende que deve ser o Estado a assumir essa responsabilidade. No entanto, 43% defende que esta responsabilidade deve caber às empresas, enquanto 29% considera que cabe a cada indivíduo atualizar as suas competências ou mudar de carreira.
O mercado das competências
45% dos inquiridos (em Portugal são metade) atribui maior importância às chamadas soft skills, como a comunicação, liderança e trabalho em equipa, do que à formação técnica.
Neste contexto, as plataformas digitais de formação continuam a afirmar-se como uma alternativa viável. Apesar de 89% não estarem familiarizados com estas ferramentas de upskilling e reskilling, seis em cada dez manifestam vontade de as utilizar. Neste sentido, Portugal destaca-se (juntamente com Itália e Espanha) como um dos países com opinião mais favorável em relação às plataformas digitais de aprendizagem e desenvolvimento profissional – com mais de metade (57%) a considerar o impacto destas plataformas como muito positivo e 65% a mostrar abertura para utilizar este tipo de plataformas.
36% prefere uma aprendizagem em regime híbrido e 31% escolheria universidades públicas como fornecedoras de formação contínua. Há também uma percepção generalizada de que o empreendedorismo está a ganhar importância como uma alternativa para gerar empregos e riqueza.
Apesar de reconhecerem a importância da aprendizagem ao longo da vida, os portugueses enfrentam algumas barreiras no acesso à formação contínua: o custo elevado surge como principal barreira, seguindo-se a falta de tempo e a falta de incentivos, de interesse nos cursos ou a pouca consciencialização para a sua importância.
Uma perspectiva geográfica
O relatório analisa as diferentes realidades e percepções sobre a educação e as competências futuras com base na origem dos inquiridos. Os dados mostram que a Europa lidera em mobilidade de carreira, com 70% dos inquiridos a terem mudado de setor, empresa ou função ao longo da sua vida profissional.
Os europeus destacam-se também por serem os mais insatisfeitos com a formação recebida antes de entrarem no mercado de trabalho. Ainda assim, mantêm um certo otimismo relativamente ao futuro do continente: 64% acredita que existem boas oportunidades de emprego e apenas 26% estaria disposto a emigrar para fora da UE por motivos profissionais.
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