O estudo “Estado da Nação 2023” da Fundação José Neves aponta que as empresas estão intrinsecamente ligadas ao processo de transformação digital.
No capítulo III do “Estado da Nação 2023”, é abordado o papel das empresas na digitalização. “As empresas estão intrinsecamente ligadas ao processo de transformação digital”, explica a Fundação José Neves (FJN).
Acrescentam que as TIC têm o potencial de afetar positivamente as empresas, seja de forma mais simples pela digitalização da informação e dos processos, mas também de forma mais complexa, integrando as TIC no negócio.

A digitalização foi um processo notório, mas ainda é reduzido em cerca de metade das empresas
A FJN acrescenta que a percentagem de empresas com um nível médio e elevado de digitalização tem vindo a aumentar consecutivamente desde 2017, em detrimento da percentagem de empresas com um nível mais baixo.

Os saltos mais significativos verificaram-se entre 2019 e 2020, um sinal de que a crise pandémica acelerou de forma significativa o recurso a tecnologias digitais pelas empresas em resposta às dificuldades provocadas pela pandemia.
Apenas entre esses dois anos, a percentagem de empresas com baixo nível de digitalização caiu 10 pontos percentuais (de 63% para 53%), contrabalançado com um aumento de 7 pontos percentuais no nível médio (de 27% para 34%) e de 3 pontos no nível mais avançado (de 10 para 13%).
Em 2021, a mesma tendência foi reforçada, resultando na seguinte distribuição de empresas: 48% no nível de digitalização baixo, 35% no nível intermédio e 17% no nível mais elevado. Apesar do avanço, em 2021 quase metade das empresas ainda estavam no nível mais baixo de digitalização.
A resposta das empresas à pandemia passou essencialmente pela ligação à internet
A diminuição de empresas no nível mais baixo de digitalização durante a pandemia deve-se essencialmente ao crescimento dos itens relacionados com a ligação da empresa à internet, seja em termos de velocidade, seja em termos da percentagem de pessoal com equipamento com ligação à internet.
O índice que resulta do conjunto desses itens passou de 0,5 em 2019 para 0,71 em 2021. O aumento do índice relacionado com a presença da empresa na internet foi muito ligeiro, em contraste com o índice que aponta para uma utilização de tecnologias digitais mais avançadas, que aumentou aproximadamente 50%.

Estes valores indicam que a resposta mais imediata das empresas à pandemia ocorreu essencialmente da forma mais básica, com maior ligação à internet e maior utilização de tecnologias digitais por parte dos trabalhadores.
Entre 2020 e 2021, o aumento mais significativo, mas ainda sem paralelo ao anterior, deveu-se a uma utilização mais avançada e complexa das tecnologias digitais. Estes dados indicam claramente uma maior digitalização das empresas durante o período pandémico, mas parece haver ainda dificuldades na integração mais ampla das TIC e de uma verdadeira transformação digital para uma larga maioria de empresas.
A digitalização foi um dos fatores relevantes na resiliência das empresas face à crise pandémica
Outra das conclusões apuradas pela Fundação José Neves foi que, com a recente crise causada pela Covid-19, a digitalização foi um dos fatores relevantes na resiliência das empresas face a alguns choques externos.

“Nos anos anteriores à pandemia, 2018 e 2019, o crescimento médio estimado do valor acrescentado bruto (VAB) foi maior nas empresas com nível de digitalização “Elevado” (3,1%) e “Médio” (1,3%), em comparação com o decréscimo nas empresas com nível de digitalização “Baixo” (-1,5%)”, explica a FJN.
A digitalização das empresas varia com o setor de atividade e a dimensão da empresa
É no setor das “Atividades de informação e de comunicação” que se regista uma maior percentagem de empresas com nível elevado de digitalização (40,3%), seguido do setor das “Outras atividades de serviços” (31,2%). Em contraste, os setores do “Alojamento, restauração e similares”, dos “Transportes e armazenagem” e da “Construção” são os que têm pelo menos 70% das empresas com um indicador de nível mais baixo. Juntamente com as “Indústrias transformadoras”, estes são os quatro setores onde se encontram as empresas com piores indicadores em termos de digitalização.

Para além do setor de atividade, outro fator relevante para a digitalização é a dimensão da empresa em termos do número de trabalhadores. Quase 90% das empresas com 250 ou mais trabalhadores estão situadas nos dois níveis mais elevados de digitalização. Já entre as empresas de dimensão inferior a 10 trabalhadores, apenas 43% estão nestes níveis.

“A dimensão da empresa está, assim, positivamente correlacionada com o nível de intensidade digital, sugerindo que que as TIC são complementares a competências organizacionais e de gestão já existentes”, conclui a FJN.