Numa empresa onde arquitetura, engenharia, design e real estate coexistem, construir uma cultura de pertença é tanto um desafio como uma prioridade. No Grupo Openbook, esse equilíbrio tem sido alcançado através da valorização da colaboração multidisciplinar, da escuta ativa e de uma liderança humanizada, onde o talento e o bem-estar andam de “mãos dadas” com a inovação.
“A promoção de uma comunicação acessível e próxima é fundamental para fortalecer o relacionamento com os nossos colaboradores. Ao adotarmos uma postura colaborativa e transparente, criamos um ambiente onde todos se sentem à vontade para expressar as suas opiniões, dúvidas e sugestões”, disse Carla Colaço, Diretora de Recursos Humanos do Grupo Openbook, em entrevista à RHmagazine. Sublinhou também que “a escuta ativa, aliada à empatia, é uma ferramenta poderosa, que nos permite compreender verdadeiramente as necessidades e sentimentos das pessoas, fortalecendo a confiança, pois os colaboradores percebem que as suas opiniões e ideias são valorizadas e consideradas”.
Desde 2024, a responsável conduziu uma transformação interna no Grupo Openbook ancorada em três pilares: cultura como motor estratégico, escuta ativa como ferramenta de gestão e uma visão de Recursos Humanos como parceiro direto do negócio.
Como se constrói uma cultura de pertença num grupo em forte crescimento e com áreas tão distintas como arquitetura, engenharia, design e real estate?
A cultura de pertença, o espírito coletivo, de partilha e compromisso que existe no grupo Openbook, nasce de um ambiente diário que incentiva a criatividade, o rigor e a colaboração entre perfis diversos, que se complementam e trabalham juntos na abordagem de desafios de forma holística. Diria que este é um dos segredos do sucesso da organização. É nesta sinergia multidisciplinar, com um crescimento
exponencial e em transformação, que a manutenção de uma cultura de grupo se torna estimulante. Começa com a seleção de talentos com valores e atitudes que se adequem ao nosso “cultural fit”, o que facilita uma adaptação célere e natural ao espírito de grupo. Depois, com uma comunicação aberta e transparente, onde há o reconhecimento e a valorização de cada um, lideranças exemplares, a preocupação de criar espaços que criem ambientes confortáveis e aprazíveis que gerem a interação e a troca de ideias, é possível propiciar um ambiente onde todos se sintam parte importante do crescimento e do sucesso da organização.
A escuta ativa foi um dos pilares da transformação interna no Grupo Openbook. Que práticas implementou para estruturar essa escuta e que principais aprendizagens destaca deste processo?
A promoção de uma comunicação acessível e próxima é fundamental para fortalecer o relacionamento com os nossos colaboradores. Ao adotarmos uma postura colaborativa e transparente, criamos um ambiente onde todos se sentem à vontade para expressar as suas opiniões, dúvidas e sugestões. A escuta ativa, aliada à empatia, é uma ferramenta poderosa, que nos permite compreender verdadeiramente as necessidades e sentimentos das pessoas, fortalecendo a confiança, pois os colaboradores percebem que as suas opiniões e ideias são valorizadas e consideradas. Ao estabelecer um canal de comunicação sempre aberto – e uma porta, literalmente, sempre aberta – também reforçamos o nosso compromisso com a segurança emocional de todos. Um ambiente onde há escuta atenta e empática promove uma maior identificação de pontos de melhoria, possibilitando ações mais alinhadas às necessidades reais da equipa. O nosso papel tem sido o de criar momentos de diálogo transparentes, promovendo uma cultura de confiança mútua. Assim, fortalecemos o engagement, a colaboração e o desenvolvimento contínuo das pessoas e da empresa.
Com mais de 20 anos de experiência em Recursos Humanos, que momentos ou desafios do seu percurso considera mais determinantes para a liderança que exerce hoje?
Quando iniciei a minha carreira na área de Recursos Humanos, tive a necessidade de conquistar a confiança e a credibilidade das equipas com que me relacionei. Para isso através da escuta ativa, colocando-me no lugar do outro e procurando compreender as dificuldades sentidas por cada um, tentando sempre encontrar a melhor forma para apoiar na resolução das situações, adotei uma postura conciliadora e facilitadora e consegui alcançar o respeito e a confiança das equipas. Por outro lado, as relações empáticas que se estabeleceram contribuíram para um ambiente de trabalho mais harmonioso, fortalecendo a coesão do grupo e por seu lado os níveis de motivação para a realização de tarefas, alcance dos objetivos definidos e cumprimento dos procedimentos instituídos. Foram estes os ensinamentos que trouxe até aqui, e que são elementares para as funções que desempenho atualmente.
Em organizações criativas e técnicas, que desafios específicos identifica na gestão de talento e cultura?
Na área de atuação do Grupo Openbook, que é bastante criativa e técnica ao mesmo tempo, alguns desafios específicos na gestão de talento e cultura podem surgir. É importante estimular uma cultura de inovação contínua, onde as novas ideias, novos materiais e tecnologias seja incentivada, sem perder o foco na viabilidade e na sustentabilidade dos projetos. O que requer um ambiente criativo, com
responsabilidade e cumprimento dos prazos. Também a retenção de talentos é um ponto que merece atenção, proporcionar oportunidades desafiantes e de crescimento, reconhecimento e um ambiente de
trabalho que valorize e estimule a criatividade são essenciais para manter as equipas comprometidas e motivadas. Do mesmo modo, a disponibilização de benefícios atraentes e diferenciadores e um ambiente que promova a felicidade no trabalho aportam valor e fomentam a estabilidade. Hoje, os novos talentos trabalham onde se sentem melhor!
Como imagina o futuro dos Recursos Humanos em organizações que combinam inovação técnica e criatividade? Que papel acredita que os RH devem assumir?
Imagino que o futuro dos Recursos Humanos será bastante dinâmico e transformador! Vivemos o privilégio de “estarmos no olho do furacão” de uma mudança de paradigma no que diz respeito à gestão de pessoas. No nosso exemplo, o Grupo Openbook está na linha da frente e a tecnologia desempenha um papel crucial da nossa atividade. Na estratégia definida, há uma aposta muito grande no uso de tecnologia de ponta, não só na componente de design, como paralelemente, na área de gestão de projeto, onde somos pioneiros na utilização de tecnologia BIM, aliada a uma aposta clara no talento criativo e na capacidade de inovação contínua das nossas pessoas, inseridas num ambiente de
aprazível, motivador e feliz. É nesta conexão que os RH assumem um papel de facilitadores, com a promoção de medidas que apoiem o trabalho em equipa, o bem-estar, e o espírito de compromisso, garantindo que as equipas estejam motivadas e preparadas para os desafios futuros.
Que conselhos gostaria de deixar a quem hoje inicia a sua carreira na área de Recursos Humanos?
Diria que, para enfrentar os grandes desafios num universo em plena transformação (digital e comportamental), no seu dia a dia o profissional de RH deve estimular a proximidade, e agir com ética, empatia e transparência. É essencial antecipar as necessidades e as expetativas dos colaboradores, mantendo o foco no seu bem-estar e promover ações que articulem o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. É imperativo estar atento às novas tendências e práticas emergentes, onde o investimento no desenvolvimento contínuo e o apoio das novas ferramentas digitais nos processos de gestão de recursos humanos são alicerces facilitadores para um desempenho com êxito. Tudo isto, não esquecendo que a humanização continuará a ser basilar nas relações profissionais para o sucesso.
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