“Portugal tem talento suficiente para receber tanto investimento empresarial?” – está lançada a escada para o debate que tomou lugar nas instalações da Gi Group Holding, em Lisboa. No 41.º EncontRHo online promovido pelo IIRH os oradores convidados refletiram sobre os passos que uma empresa deve seguir para conseguir atrair e reter talentos, num mercado cada vez mais dinâmico. Quanto à pergunta de partida do webinar, a resposta foi unânime: Sim, Portugal tem talento… e bem preparado!
A escassez de talentos está a atingir máximos históricos. Estudos internacionais demonstram que Portugal é o segundo país do mundo – imediatamente a seguir a Taiwan –, que mais padece deste problema, com 85% das empresas portuguesas a sentirem dificuldades em encontrar colaboradores. Esta realidade reflete-se em problemas para qualquer desenvolvimento de negócio. Face a tanta procura de mercado, haverá, então, profissionais suficientes em Portugal para lhe dar resposta? Para refletir sobre a temática, convidámos André Salgueiro, Business Manager da Wyser (uma das empresas da Gi Group Holding), Paulo Pinto, CEO da La Redoute, e Rui Almeida, CEO & Managing Partner do Grupo Moneris. O webinar foi moderado por Cristina Martins de Barros, Managing Director do IIRH – Instituto de Informação em Recursos Humanos, e contou com o apoio da Gi Group Holding.
Portugal tem, ou não, talento suficiente que justifique o investimento internacional que está a receber? Os oradores não hesitam em responder afirmativamente.
Portugal é o segundo país do mundo – imediatamente a seguir a Taiwan – com mais escassez de talentos: 85% das empresas portuguesas sentem dificuldades em encontrar colaboradores
Paulo Pinto faz as honras do debate e começa por referir o paradoxo em que assenta o nosso país, que, por um lado, tem cada vez mais licenciados, pessoas com mais qualificações e, por outro, sofre de uma escassez de talentos, designadamente nas áreas tecnológicas.
“Os nossos currículos académicos preparam muito bem as pessoas. Por isso é que muitas empresas internacionais apostam no território português, uma vez que sabem que vão encontrar profissionais bem qualificados”, defende o CEO da La Redoute.
Quanto à realidade vivida na La Redoute, Paulo Pinto revela que a empresa de moda e decoração online não sente grandes dificuldades em recrutar na generalidade das áreas, com exceção para as áreas de TI. Esta é uma realidade da generalidade das organizações, que se repercute num desequilíbrio para aquelas que são as necessidades atuais de um mercado cada vez mais digital.
Seguindo a mesma linha de pensamento, Rui Almeida menciona Portugal como uma sociedade do conhecimento, posicionando o país nos melhores rankings (ex: Financial Times) no que respeita ao ambiente académico, que potencia o desenvolvimento da mão de obra. Para o CEO & Managing Partner do Grupo Moneris, Portugal tem talento, sim, contudo, há cada vez mais a necessidade de apostar no upskilling e reskilling de talentos, rumo a uma maior produtividade.
“O digital é uma alavanca importantíssima do negócio e há que requalificar os trabalhadores para que consigamos, com eles, alcançar uma maior produtividade”, aponta Rui Almeida. “Com a robotização, há pessoas que vão ficar, objetivamente, sem enquadramento de trabalho, se não conseguirem reinventar-se – algumas tarefas vão ser automatizadas e cabe ao humano fazer aquilo que lhe é imprescindível: criar valor, aconselhar, tomar decisões”, acrescenta. “Uma maior literacia tecnológica permite aumentar o índice de produtividade e, consequentemente, uma maior valorização de salários”, diz ainda o CEO e Managing Partner do Grupo Moneris.
Para André Salgueiro, o upskilling e reskilling pode mesmo ser uma solução para combater a escassez e converter profissionais de determinadas áreas, estimulando neles outros caminhos.
O Business Manager da Wyser, empresa de search & selection para perfis middle-top management da Gi Group Holding, refere que Portugal está a preparar mais e melhor os seus profissionais e a ser mais atrativo; os mercados deixaram de estar apenas centralizados nas grandes metrópoles, Lisboa e Porto, estando agora dispersos – o que traz desafios, mas também oportunidades para o setor RH. Será esta descentralização uma boa recomendação para as empresas que têm dificuldade em recrutar? É isso que Cristina Martins de Barros procura saber junto do painel.
André Salgueiro defende que diversificar as localizações das empresas poderá agilizar o processo de recrutamento: “Com a obrigatoriedade da presença no escritório a reduzir, há pessoas em qualquer ponto do país que conseguem apoiar empresas localizadas nos principais polos, a nível nacional. É uma oportunidade de descentralizar o país, que o trabalho remoto veio impulsionar”.
“A evolução de mentalidades faz com que, hoje, as pessoas procurem uma qualidade de vida que, muitas vezes, encontram fora de uma grande urbe. O regime híbrido dá um argumento à nova localização das pessoas – um trunfo muito importante que vai levar à descentralização”, garante, por sua vez, Paulo Pinto, sublinhando que o facto de a La Redoute, em Portugal, estar localizada em Leiria e nunca ter experimentado grandes dificuldades de recrutamento deve-se à procura, cada vez mais vincada, das pessoas pelo bem-estar e pela segurança como um padrão de vida.
Para o CEO da La Redoute, Portugal é competitivo para o exterior devido a várias características, que passam não só pela segurança, como também pela proficiência linguística, condições atmosféricas, qualidade de ensino, infraestruturas tecnológicas, etc.
“Muitas organizações vêm para Portugal numa lógica de custos, mas temos de enfatizar a questão das competências, da característica do trabalhador português, ao nível da sua resiliência, capacidade de trabalho e conhecimento”, aponta ainda Paulo Pinto.
Há, contudo, outro fator que tem sido, cada vez mais, determinante nesta competitividade: o ESG (Environmental, Social and Governance). Os talentos, sobretudo as camadas mais jovens, procuram organizações com um mindset diferente, moderno, mais aproximado do seu modo de vida. Sobretudo os mais jovens, procuram empresas com propósito, que respeitem o ambiente e a diversidade.
As “chaves de futuro” para atrair e reter
Já explorada a dificuldade em captar talentos, o que se pode dizer a respeito da sua retenção?
Este tem sido também o grande desafio das empresas. Os oradores do 41.º EncontRHo online revelam vários aspetos que poderão “jogar a favor” da retenção: desde a componente salarial atrativa, passando pelas formações de qualidade e por uma perspetiva de carreira, até à flexibilidade impulsionada pelo trabalho remoto.
A respeito desde último ponto, Rui Almeida diz: “Queremos que os trabalhadores sejam móveis, mas não queremos perder a ‘cola’ que existe em termos de cultura empresarial, o que para nós, Moneris, pela sua capilaridade, torna-se num desafio diário”.
Questionados quanto a recomendações para contornar as dificuldades de atração e retenção vividas atualmente no mercado, os oradores respondem. Construir uma employer branding forte, definir planos de carreira de três a cinco anos, investir na formação contínua dos colaboradores e garantir a flexibilidade são apontadas como as “chaves de futuro” para atrair e reter os melhores talentos.
Sobre a Gi Group Holding
Antes de iniciarmos as intervenções dos nossos oradores, Paula Falé, Head of Corporate Sales da Gi Group Holding, deu aos quase 350 assistentes do webinar algum contexto a respeito da empresa que ajuda outras organizações a enfrentar a escassez de talentos. Vejamos:
A Gi Group Holding é uma multinacional italiana, que iniciou a sua operação em 1998. Passados quatro anos, deu início ao seu processo de internacionalização e, neste momento, está presente em 30 países, com cerca de 650 escritórios e filiais e mais de 6.700 colaboradores internos. Em Portugal desde 2015, com 11 escritórios espalhados de norte a sul do país, a empresa iniciou atividade com duas das suas atuais marcas: a Wyser – empresa de search & selection para perfis middle-top management – e a QiBit, vocacionada para a área de especialização de TI. Em 2016, a Gi Group Holding deu início àquele que é o core do grupo: o trabalho temporário e a área de permanent placement. Em 2019, surge mais uma área de negócio – Gi BPO –, que se dedica ao outsourcing muito vocacionado para áreas de produtividade e melhoria contínua; e, por último, a empresa apostou na área de formação e desenvolvimento com a empresa Tack TMI.
Re(veja), aqui, o 41.º EncontRHo online promovido pelo IIRH:
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