A presença feminina no setor tecnológico continua a ser um desafio global. Um relatório da HP conclui que as mulheres tendem a candidatar-se apenas quando preenchem 100% dos requisitos de uma vaga, enquanto os homens o fazem com apenas 60%.
Além disso, menos de um terço (29%) dos cargos de liderança tecnológica são ocupados por mulheres, de acordo com um relatório da McKinsey. A falta de representatividade e de referências femininas contribui, assim, para que menos mulheres escolham e invistam em carreiras na área tecnológica.
Para reverter este cenário e promover mais diversidade de vozes, a tb.lx, uma tecnológica portuguesa subsidiária da Daimler Truck, defende que é essencial adotar estratégias eficazes que promovam a paridade de género no setor tecnológico, nomeadamente:
1. Programas de mentoria e liderança feminina
Criar iniciativas onde mulheres em início de carreira possam ser acompanhadas por líderes experientes incentiva a progressão e retenção de talento feminino uma vez que ter modelos de referência torna os objetivos mais concretos e acessíveis. Estes programas procuram incluir sessões regulares de aconselhamento (coaching), networking e partilha de experiências, ajudando a ultrapassar desafios específicos que as mulheres tipicamente enfrentam ao longo da sua carreira.
A C-Level Mentorship Academy, que liga jovens profissionais a líderes experientes, ou a comunidade Geek Girls Portugal, que promove formação e networking na área tecnológica, são exemplos claros do impacto positivo deste tipo de iniciativas.
2. Iniciativas de educação e formação
Estabelecer parcerias com escolas e universidades pode ajudar a desmistificar a jovens estudantes os preconceitos associados às mulheres nas carreiras em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM, no acrónimo em inglês).
Com o objetivo de desafiar a ideia de que são setores predominantemente masculinos, pretende-se ao mesmo tempo criar oportunidades para que mais mulheres considerem estas vias. Exemplos como a iniciativa Portuguese Women in Tech, que promove programas educativos e de capacitação para mulheres na tecnologia, são fundamentais para desafiar a ideia de que estes setores são predominantemente masculinos e para criar oportunidades reais de entrada e progressão no mercado.
3. Participação em eventos focados em mulheres
Eventos direcionados para mulheres nas STEM desempenham um papel essencial no empoderamento feminino, proporcionando um espaço de partilha, aprendizagem e criação de redes de apoio. Ao reunir mulheres na tecnologia, fomentam a representatividade e oferecem estratégias concretas para ingressar e crescer no setor. Além de atraírem talento feminino, estes espaços fortalecem também redes de contacto e a visibilidade para empresas que promovem a diversidade.
4. Revisão de processos de recrutamento
Usar linguagem neutra e clara em anúncios de emprego torna as vagas mais inclusivas e incentiva candidaturas femininas. A valorização de competências técnicas e a adoção de processos de recrutamento focados na experiência e conhecimentos, e não apenas em critérios subjetivos, contribuem para um ambiente mais equitativo e diverso.
Equipas de recrutamento mais diversas ajudam a mitigar vieses inconscientes na seleção de candidatos, assegurando uma avaliação mais justa e equilibrada. Além disso, organizações que adotam estas práticas beneficiam de equipas mais inovadoras e produtivas, uma vez que a diversidade de perspetivas estimula a criatividade e a resolução de problemas.
5. Flexibilidade e equilíbrio entre a vida pessoal e profissional
Disponibilizar condições que permitam um melhor equilíbrio entre a vida pessoal e profissional é determinante para reter talento. Políticas como horários flexíveis, possibilidade de trabalho remoto e apoio à parentalidade permitem que mais mulheres permaneçam na área tecnológica sem terem de abdicar da sua progressão de carreira.
Estas políticas promovem um ambiente de trabalho mais sustentável, estável e seguro para todos ao fortalecer a confiança entre colaboradores e empresas, criam um ambiente de trabalho mais centrado nas pessoas e favorecem a retenção de talento. Quando os profissionais podem ser autênticos e equilibrar responsabilidades pessoais sem comprometer a carreira, sentem-se mais motivados e produtivos, aumentando os níveis de lealdade à organização e à sua comunidade.
6. Políticas de diversidade e inclusão
A diversidade e inclusão devem estar presentes em todas as fases da jornada dos colaboradores – desde o recrutamento até ao offboarding. Fomentar uma cultura organizacional mais equitativa através da implementação nas empresas de processos transparentes, como avaliações justas de desempenho, e de ações concretas como formações regulares sobre preconceitos de género, ajuda a combater enviesamentos inconscientes e a promover um ambiente mais inclusivo e igualitário.
Quando estas práticas são uma parte integrante da cultura organizacional, as empresas tornam-se mais competitivas e resilientes.
“Na tb.lx, acreditamos que a diversidade é fundamental para impulsionar a inovação. A implementação de estratégias eficazes de atração e retenção de talento feminino é essencial para construirmos um setor tecnológico mais equilibrado, representativo, completo e criativo. De momento.
30% dos nossos colaboradores são mulheres e 30% das mesmas ocupam cargos de gestão. Com 60% da nossa equipa de liderança a ser composta por mulheres, queremos não ser a exceção, mas a regra”, afirma Ana Belo, Talent Acquisition Lead da tb.lx.
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