Dra. Cláudia de Jesus
Médica
A diabetes é a mais comum das doenças não transmissíveis, com elevada prevalência e incidência crescente. Atinge atualmente cerca de 415 milhões de pessoas em todo o mundo e continua a aumentar em todos os países, estimando-se que em 2040 sejam 642 milhões o número de pessoas afetadas pela doença. À nossa escala, Portugal posiciona-se entre os países europeus que registam uma das mais elevadas taxas de prevalência da diabetes, a qual foi estimada em 13,3% da população portuguesa com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos.
No dia 14 de Novembro comemora-se o Dia Mundial da Diabetes. O objetivo deste dia é chamar a atenção dos cidadãos e governantes para a problemática da Diabetes.
A diabetes mellitus é uma doença na qual os níveis de açúcar no sangue (glicose) são anormalmente elevados, porque o organismo não produz insulina (hormona que permite a passagem da glicose para o interior das células) suficiente para atender às suas necessidades. Quando a insulina não atua, o organismo entra em hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue) deteriorando progressivamente os vasos sanguíneos. Por esta razão, as doenças cardiovasculares como a angina de peito, o enfarte agudo do miocárdio e a morte cardíaca súbita são mais frequentes em doentes diabéticos do que na população em geral. É por isso essencial controlar de perto outros fatores de risco como o consumo de tabaco, a hipertensão e o colesterol elevado, de forma a prevenir o efeito multiplicativo dos diversos fatores de risco sobre as artérias dos diabéticos.
A diabetes é detetada quando os níveis de açúcar no sangue ultrapassam os 126mg/dL em duas ou mais medições da glicémia em jejum, ou mais de 200mg/dL numa análise em qualquer momento do dia, acompanhada de sintomas de hiperglicémia.
Os sintomas de níveis elevados de glicose no sangue incluem:
. Aumento da sede;
. Aumento da frequência com que se urina;
. Aumento da fome;
. Secura na boca;
. Visão turva;
. Sonolência;
. Comichão no corpo;
. Náuseas;
. Diminuição da resistência durante exercício físico.
Existem dois tipos de diabetes:
A diabetes tipo 1 ocorre geralmente na infância e na adolescência e deve-se ao facto das células do pâncreas deixarem de produzir insulina e implica o tratamento com insulina para toda a vida.
A diabetes tipo 2 é a forma mais comum da doença e associa-se ao excesso de peso e obesidade. Nesta forma de diabetes o pâncreas é capaz de produzir insulina, no entanto hábitos alimentares e estilos de vida pouco saudáveis tornam o organismo resistente ao desempenho da insulina. Na maioria dos casos trata-se com uma dieta adequada e exercício físico, no entanto pode ser necessário a toma de comprimidos (antidiabéticos orais) e em casos mais graves a administração de insulina. As pessoas com diabetes também devem parar de fumar e consumir apenas quantidades pequenas de gorduras e moderadas de álcool.
Não existem exames preventivos de rotina para detetar a diabetes tipo 1, mesmo para pessoas com risco elevado (por exemplo: irmãos e filhos de pessoas com diabetes tipo 1). Contudo, é importante verificar os níveis de glicose regularmente em pessoas com:
. Risco de apresentar diabetes tipo 2;
. Pré-diabetes (níveis de glicose no sangue são muito elevados para serem considerados normais, mas não altos o suficiente para serem rotulados como diabetes);
. Excesso de peso ou obesidade;
. Um estilo de vida sedentário;
. Pressão arterial elevada e/ou um distúrbio lipídico como colesterol elevado;
. Doença cardiovascular;
. Um histórico familiar de diabetes;
. Diabetes durante a gravidez ou tiveram um recém-nascido com mais de 4 quilos;
. Doença do ovário poliquístico.
As principais complicações de uma diabetes descontrolada são:
. Doença cardíaca e enfarte;
. Diminuição da função dos rins;
. Perda de visão;
. Disfunção sexual;
. Diminuição da sensibilidade das extremidades, nomeadamente dos pés podendo causar lesões graves;
. Problemas dentários.
Como as complicações têm menor probabilidade de se desenvolverem se os diabéticos controlarem rigorosamente os níveis de glicose no sangue, o objetivo do tratamento da diabetes é o de manter os níveis de glicose no sangue o mais próximo possível do normal. Cuidados adequados com os pés e exames oftalmológicos regulares podem ajudar a prevenir ou retardar o início das complicações da doença.
É importante que o diabético conheça e compreenda bem o seu tipo de diabetes, só dessa forma poderá cumprir e melhorar o tratamento. A forma como lida com a sua doença será o principal fator de sucesso no tratamento.
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