A Ericsson foi eleita pela segunda vez consecutiva a Melhor Empresa para Trabalhar em Portugal.
A RH Magazine foi falar com a responsável pelos recursos humanos da empresa, Fernanda Tomas para perceber o que distingue a Ericsson das outras empresas.
Como recebeu a notícia de que a Ericsson é novamente a melhor empresa para trabalhar em Portugal em 2015?
Estava muito confiante por 2 razões: continuamos a trabalhar diariamente para que as coisas continuem a funcionar muito bem ao nível da satisfação do colaborador mas, mais além da satisfação, queremos ter as pessoas empenhadas e a partilhar do projeto e da estratégia como qualquer outro stakeholder da empresa. É isso também o que faz a diferença. Portanto estava confiante. Por outro lado, como internamente fazemos anualmente um inquérito de satisfação aos colaboradores, que tinha tido excelentes resultados este ano, era também um indicador que as coisas iriam correr bem.
Que repercussão teve este reconhecimento para os colaboradores da empresa?
Esta notícia tem repercussão a 2 níveis e foi assim que a celebrámos, ao nível do orgulho que significa para cada um de nós o que vivenciamos no dia a dia e ao nível do que isso representa em termos da reputação externa, no sentido de continuar a atrair talento, mas sobretudo talento com o tipo de atitude que nós pretendemos. É uma dupla vantagem.
Então, o que tem a Ericsson que as outras empresas não têm?
Não sei o que as outras empresas não têm mas sei o que a Ericsson tem. Antes de mais temos 3 coisas: uma cultura extremamente forte, valores que são os mesmos há décadas, respeito, profissionalismo e perseverança e que vamos adaptando às novas realidades. E a cultura é realmente um fator fundamental é o que as pessoas valorizam. Em segundo lugar, somos uma empresa intelectual mas sobretudo emocional. Eu acho que o que caracteriza a forma como contribuímos para o sucesso da empresa é a forma como nos relacionamos uns com os outros, os relacionamentos são importantes em tudo na vida e também no trabalho, nos negócios. Os relacionamentos e a cultura são claramente os 2 aspetos que não consigo materializar porque são intangíveis mas que fazem a diferença. As outras coisas é fácil, temos excelentes benefícios sim, mas não é por aí. Não é de todo por aí. É pelos relacionamentos.
Quais são os principais desafios nos próximos anos ao nível da sua função global na Ericsson?
Em primeiro lugar é a capacidade de atrair o melhor talento onde quer que se encontre, depois é desenvolver internamente o talento que temos de forma abrangente. Desenvolver em especial em termos de liderança, que consideramos ser a base de todo o ecossistema que faz as coisas funcionarem. Trabalhamos imenso em termos de identificação de futuros líderes que quanto mais cedo os identificarmos melhor, porque dá-nos a oportunidade de os desenvolvermos ao longo da sua carreira. Apostamos imenso em tudo o que se relaciona com alto desempenho, inicialmente com sistemas muito estruturados de feedback para implementar a mudança na organização mas que, hoje em dia já fazem parte da nossa forma natural de trabalhar. Já não estamos dependentes dos processos formais de avaliação de desempenho para dar esse feedback. Por outro lado, na Ericsson evitamos falar de processos de recursos humanos porque há uma associação a tarefas que têm de ser feitas à parte do negócio e não é assim que encaramos a função, os recursos humanos fazem parte do negócio. Não gosto da designação HR Business Partner porque é assumir que não fazem parte do “business”. Na Ericsson nós tentamos falar a linguagem do negócio e desenhar os processos única e exclusivamente baseados naquilo que são as necessidades do negócio. Se não acrescenta valor para o negócio não faz sentido. Este é o grande desafio, é a transformação que tem de ser feita e a barreira com que me deparo mais frequentemente são as próprias pessoas dos recursos humanos que estão habituadas a vivenciar as coisas de outra forma.
Entrevista completa na próxima edição da RH Magazine março/abril)