Mais de um quarto dos candidatos que procuram emprego em Portugal tem menos de 25 anos e 55% dos jovens iniciam a carreira através de estágios apoiados pelo Estado, revela uma análise da Eurofirms – People First, que cruza dados internos com fontes oficiais como o Instituto Nacional de Estatística, a Segurança Social e outros organismos públicos.
A chamada Geração Z (pessoas nascidas entre 1997 e 2012) está a consolidar a sua presença no mercado laboral nacional, representando já cerca de 15% da população portuguesa. Caracteriza-se por um perfil exigente, crítico e adaptável, com expetativas que desafiam os modelos tradicionais de trabalho.
“Verificamos que os candidatos mais jovens apresentam preocupações e expectativas que diferem das prioridades dos seus pais e avós”, constata explica Cristina Rosa, People Leader da Eurofirms, citada em comunicado. Sublinhando que “a remuneração continua, claro, a ser um fator a ter em conta”, refere que “há mais variantes que entram na equação”. “A nova geração de trabalhadores deseja fazer parte de projetos estimulantes e com propósito, integrando ambientes de trabalho saudáveis.”
Dados da Eurofirms mostram que 27% dos candidatos à procura emprego têm até 25 anos, um aumento face aos 25% registados em 2024. Lisboa concentra a maior fatia de jovens candidatos (30%). Seguem-se Porto e Aveiro (entre 12% e 14%).
Embora ainda elevada, a taxa de desemprego jovem (18%) está em queda em comparação com os 38% registados em 2013. Os estágios subsidiados, em particular os promovidos pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional, continuam a ser a principal porta de entrada no mercado de trabalho.
A análise da Eurofirms revela que 40% dos jovens à procura de emprego têm o ensino secundário como grau máximo, enquanto 26% concluíram o ensino superior. Estima-se que esta geração venha a ser a mais qualificada de sempre.
Quanto aos contratos de trabalho, verifica-se que entre os 18 e os 24 anos há um ligeiro aumento de contratos fixos, que se acentuam a partir dos 25 anos (59% dos contratos assinados por esta faixa etária são já contratos sem termo).
A Geração Z procura não apenas um emprego, mas um projeto com propósito, um ambiente saudável e condições que permitam equilíbrio entre vida profissional e pessoal. A flexibilidade e as perspetivas de evolução são fatores decisivos na retenção deste talento. “Empresas que ignorarem estas motivações terão dificuldade em atrair e reter este talento, que veio para ficar”, antecipa Cristina Rosa.
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