O desemprego jovem é um desafio persistente em Portugal, país com uma das taxas mais elevadas da Europa a este nível. Para os profissionais de RH, combater esta realidade exige uma análise cuidadosa das causas subjacentes, seguida da implementação de estratégias inovadoras e inclusivas. Neste seguimento, descubra as causas do desemprego jovem, as principais dificuldades que a Geração Z enfrenta ao ingressar no mercado de trabalho e as melhores práticas para empresas e gestores de RH promoverem a inclusão de talento jovem.
De acordo com a Gi Group, os motivos que justificam o elevado desemprego jovem em Portugal estão relacionados com diversos fatores, económicos e estruturais. Em épocas de crise, as empresas tendem a suspender as intenções de contratação, o que penaliza, principalmente, os jovens que estão à procura do seu primeiro emprego.
Para além disto, a falta de qualificação, alinhada com as necessidades do mercado, é um obstáculo significativo. Muitos jovens acabam por aceitar empregos abaixo das suas qualificações, o que não só limita o seu desenvolvimento, como também prejudica significativamente a competitividade das empresas.
Segundo a NiT, o próprio perfil da Geração Z, que está a ingressar no mercado de trabalho, entra em conflito com as expectativas das empresas. As razões passam, especialmente, pelas competências interpessoais e profissionais, devido à falta de preparação prática, à dificuldade de adaptação à dinâmica do local de trabalho e à dependência excessiva do apoio familiar.
Neste sentido, verifica-se, portanto, alguma resistência das empresas em contratar jovens recém-licenciados. Para além disto, problemas como a falta de ética de trabalho, fracas capacidades de comunicação e dificuldades em lidar com o feedback contribuem para a rotatividade elevada entre este grupo.
O perfil da Geração Z
A questão em análise ultrapassa as causas económicas, ou de qualificações. Conforme divulgado pela Great Place to Work, a Geração Z é caracterizada pela pelas competências digitais, pela exigência e pela motivação relacionada com causas sociais. É composta por nativos digitais, jovens independentes e que procuram um propósito nas organizações em que trabalham. Valorizam o impacto positivo das empresas na sociedade, procuram ambientes de trabalho flexíveis e híbridos e dão bastante valor à tecnologia e à inovação.
Esta geração, contudo, também apresenta desafios significativos para as empresas. Como aponta o estudo da mesma fonte, este jovens têm uma visão crítica sobre temas como remuneração, benefícios, equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional e a oportunidade de inovar. Comparativamente às gerações mais velhas, esta demonstra uma visão mais negativa sobre a cultura organizacional, o que pode resultar numa taxa de retenção mais reduzida, caso as expectativas não sejam concretizadas.
Ainda assim, é fulcral reduzir a taxa de desemprego jovem e garantir que a Geração Z se integra de maneira eficaz no mercado de trabalho. Deste modo, os profissionais de RH podem implementar diversas iniciativas, que combinem qualificação, adaptação cultural e inovação.
Considere as seguintes estratégias:
- Formação e requalificação contínua – O investimento em formação e inovação é imprescindível. As empresas necessitam de apostar em programas de reskilling e upskilling, para garantir que os jovens adquirem as competências exigidas pelo mercado. As formações prática e experiencial são fundamentais, o que pode ser alcançado através de estágios e programas de aprendizagem em contexto de trabalho, que não só aumentam a empregabilidade, como também ajudam as empresas a desenvolver o talento.
- Desenvolvimento de competências interpessoais e profissionais – Várias são as empresas insatisfeitas com a falta de competências interpessoais dos jovens, especialmente no que diz respeito à comunicação e à ética de trabalho. Para melhorar estas competências, os profissionais de RH devem investir em programas de soft skills que promovam a colaboração, a gestão de feedback e a interação social. Para além disto, é importante a integração no mercado, para que os jovens se familiarizem com o comportamento esperado.
- Criação de ambientes de trabalho inovadores e flexíveis – A Geração Z valoriza ambientes de trabalho inovadores e tecnologicamente avançados, para além de procurarem flexibilidade e um forte propósito nas organizações. Para atrair e reter estes jovens, as empresas devem investir em tecnologias de ponta e criar uma cultura organizacional aberta à inovação e à colaboração. Ademais, as empresas que oferecem teletrabalho, ou horários flexíveis, por exemplo, tendem a destacar-se na atração de jovens talentos.
- Fomentação da inclusão e da diversidade – A Geração Z também se distingue pelo forte compromisso com a diversidade e a inclusão. Empresas que criam ambientes inclusivos, valorizam diferentes perspetivas e oferecem igualdade de oportunidades terão mais sucesso na atração do talento jovem. Esta geração aprecia ambientes onde as promoções são atribuídas de forma justa e onde a liderança está comprometida com a construção de uma cultura de colaboração.
O contributo dos profissionais de RH para um futuro sustentável
Os profissionais de RH têm um papel fundamental na construção de um mercado de trabalho mais inclusivo e adaptado às necessidades da Geração Z. Ao apostar em programas de formação contínua, promover ambientes inovadores e flexíveis e incentivar o desenvolvimento de competências interpessoais, as empresas não só ajudam a combater o desemprego jovem, como também asseguram uma força de trabalho mais qualificada, envolvida e preparada para os desafios do futuro. O investimento nesta geração promove a inclusão do talento jovem.
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