O rápido progresso da Inteligência Artificial Generativa (IAG), redução de custos e a progressiva disponibilidade dos trabalhadores em usarem estas ferramentas sugere que países da OCDE estão à beira de uma revolução na IA.
A vitalidade e aplicabilidade dos dados fornecidos por ferramentas de IAG vai implicar, segundo a OCDE, um maior uso destas ferramentas, mudanças significativas na forma como o trabalho é feito (sendo que novos trabalhos podem ser criados e outros podem desaparecer) e como as necessidades ao nível das competências estão a mudar.
“Considerando todas a tecnologias de automação incluindo a IA, 27% dos trabalhos são em ocupações de elevado risco de automação. As primeiras conclusões revelam que o impacto da IA, na manufatura e nos setores de finanças de sete países, têm oportunidades e riscos.”
OCDE

Empregadores em ambos os setores concordam que existe a necessidade de reskilling e upskilling dos trabalhadores internos. Em segundo lugar, surge a preocupação de comprar serviços externos a outras empresas para melhor compreender a aplicabilidade da Inteligência Artificial no seu setor (53% nas finanças, 53% na manufatura). Por fim, surge a necessidade de contratar novos trabalhadores (35% e 48%, respetivamente) e que a Inteligência Artificial pode reduzir os atritos ou redundâncias nos setores (17% e 14%, respetivamente).
O que os trabalhadores pensam sobre a IA no local de trabalho?
De acordo com o estudo da OCDE, 63% dos trabalhadores, nos setores de finanças e manufaturas, que utilizam a Inteligência Artificial experienciaram mais satisfação no seu emprego. No caso de uma melhoria da performance, 79% acredita ter melhorado a sua performance (finanças) e 80% expressou um acréscimo na sua performance (manufatura).
Ao nível da saúde mental, 54% dos trabalhadores do setor das finanças inquiridos revela que a utilização de ferramentas de Inteligência Artificial melhorou a saúde mental. No setor de manufatura, 55% dos trabalhadores expressou que o uso de Inteligência Artificial causou uma melhoria do seu bem-estar mental.
Relativamente à saúde física, 49% dos trabalhadores no setor das finanças e 65% dos trabalhadores no setor de manufatura expressaram uma melhoria na saúde física com a utilização de ferramentas de Inteligência Artificial.
No entanto, os dados da OCDE também revelam a apreensão dos trabalhadores relativamente ao seu emprego. A maioria dos trabalhadores no setor das finanças (63%) e a maior parte dos trabalhadores do setor de manufatura (57%) estão preocupados com a possível perda dos seus empregos dentro dos próximos 10 anos.
Medidas a implementar
O fim do relatório da OCDE deixa um conjunto de sugestões que os Governos de cada país podem tomar para atenuar os efeitos da implementação massificada da Inteligência Artificial no mundo do trabalho.
Apoios aos trabalhadores com salários mais baixos, através de políticas que permitam mitigar perdas no poder de compra das pessoas. “Governos devem providenciar apoio direto através de impostos e sistemas de benefícios que possam proteger as famílias com rendimentos menores”, explica a OCDE.
Políticas bem-definidas, como forma de assegurar os direitos fundamentais dos trabalhadores e o seu bem-estar. Países devem considerar políticas concretas que implementem os princípios básicos do uso da Inteligência Artificial.
Assegurar formação ao nível da utilização da Inteligência Artificial, como meio de desenvolver e capacitar as pessoas com o conhecimento necessário para utilizar estas ferramentas. “O treino é necessário para pessoas com qualificações mais baixas e pessoas mais velhas, mas também para trabalhadores mais qualificados. Os Governos devem encorajar empregadores a dar mais treino, integrar as competências em IA na educação e apoiar a diversidade e inclusão nos colaboradores”, conclui a OCDE.