Jaime Morais Sarmento, Diretor de Recursos Humanos da United Investments Portugal (UIP), partilha connosco as tendências, desafios e estratégias implementadas num setor tão competitivo como o hoteleiro.
Na sua perspetiva, o setor da hotelaria em Portugal consegue atrair novos talentos como resultado do prestígio internacional?
A hotelaria em Portugal tem sido cada vez mais reconhecida internacionalmente, especialmente devido à sua boa reputação pela hospitalidade, beleza natural e cultura rica. Esse prestígio certamente pode atrair novos talentos para o setor, pois oferece oportunidades de carreira emocionantes e gratificantes. Além disso, com o aumento do turismo no país, há uma demanda crescente por profissionais qualificados em várias áreas, desde gestão hoteleira até culinária e serviços de hospedagem. No entanto, a capacidade de atrair talentos também depende de outros fatores tais como oportunidades de crescimento, remuneração competitiva e um ambiente de trabalho positivo. Na nossa realidade económica, as oportunidades de crescimento e um ambiente de trabalho positivo têm um papel fundamental, pois no fator financeiro não somos competitivos face a outros destinos.
Qual era a dimensão do departamento de Recursos Humanos da UIP antes e depois de ter integrado o cargo de Diretor da área? Como trouxe os seus princípios para a função?
Quando um recurso humano assume um papel de liderança, geralmente traz consigo uma série de princípios e valores que guiam sua abordagem para gerir pessoas e processos. Este facto pode incluir uma ênfase maior na transparência, comunicação aberta, desenvolvimento de talentos, equidade, diversidade e inclusão, entre outros.
Em primeiro lugar, durante a fase de análise é essencial dar espaço para a implementação das ideias já existentes, de forma a ver a integração dos princípios e valores que defendo e só após essa análise é que devem ser desenhados e lançados novos produtos ou processos.
Considerando o impacto que a pandemia teve no setor da Hotelaria, como é que a UIP navegou sobre os desafios da gestão dos colaboradores e que estratégias foram implementadas para assegurar o bem-estar e a retenção?
Durante e imediatamente após a pandemia, a gestão de colaboradores enfrentou desafios sem precedentes. Para navegar por esses desafios, várias estratégias foram implementadas visando o bem-estar das pessoas e a permanente atratividade das mesmas. Uso atratividade pois não gosto da palavra retenção quando a talento e sentimentos diz respeito.
Defendemos sempre uma comunicação transparente: Mantivemos uma comunicação aberta e transparente com os colaboradores, fornecendo atualizações regulares sobre a situação da empresa, medidas de segurança e quaisquer mudanças nas políticas ou procedimentos. Por outro lado, a segurança e a saúde, dos nossos colaboradores foi uma das nossas prioridades, concretizada através da implementação de medidas rigorosas de saúde e segurança para proteger os colaboradores.
O desenvolvimento profissional e o reconhecimento foram também determinantes nesta área: mesmo durante tempos difíceis, mantivemos o foco no desenvolvimento profissional dos colaboradores, oferecendo oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento. Além disso, reconhecemos e valorizamos o trabalho árduo e a dedicação dos colaboradores, promovendo um ambiente de reconhecimento e gratidão. Também nesse sentido, promovemos a coesão e o trabalho em equipa: incentivámos a colaboração e o trabalho em equipa ao promover uma cultura de apoio mútuo e solidariedade entre os colaboradores. Esta foi uma realidade muito expressa durante a própria pandemia com a implementação de um programa de apoio entre os diferentes departamentos.
Por último, mas não menos importante: a monitorização e o feedback contínuo permitiram-nos estar próximos mesmo com todos os constrangimentos existentes. Estabelecemos canais de comunicação para que os colaboradores pudessem fornecer feedback regular sobre as suas preocupações, necessidades e sugestões de melhoria. Este canal de comunicação aberto permitiu ajustes contínuos nas estratégias de gestão de pessoas conforme necessário.
Com a sua experiência em B2C e B2B, que papel deve um gestor de Recursos Humanos desempenhar na retenção de talento e na formação?
O RH deve colaborar com outras áreas da empresa para desenvolver e implementar estratégias eficazes de retenção de talentos. Isso pode envolver a identificação dos fatores que impulsionam a rotatividade de funcionários, o desenvolvimento de programas de reconhecimento e recompensa, bem como a criação de um ambiente de trabalho positivo e inclusivo. Para garantir a atração e permanente paixão de talentos, é essencial recrutar os candidatos certos desde o início. O gestor de RH deve estar envolvido no processo de recrutamento e seleção, garantindo que os candidatos tenham não apenas as habilidades técnicas necessárias, mas também se alinhem com a cultura e os valores da empresa.
O RH deve coordenar programas de desenvolvimento e aprendizagem para ajudar os funcionários a adquirir as habilidades necessárias para ter sucesso em suas funções. Isso pode envolver o fornecimento de aprendizagem técnico, programas de liderança e oportunidades de desenvolvimento de carreira.
Olhando para 2024, que tendências e desafios antecipa para o setor da hotelaria em Portugal?
Na minha opinião, o sector hoteleiro em Portugal enfrentará uma série de desafios e oportunidades em 2024, incluindo a recuperação pós-pandemia, a adoção de tecnologia e práticas sustentáveis, o foco na experiência do hóspede e a necessidade de se manterem competitivos em um mercado em constante evolução.
A tecnologia continuará a desempenhar um papel crucial na indústria hoteleira, com uma ênfase crescente em soluções digitais para melhorar as experiências do cliente externo e interno, otimizar operações e maximizar a eficiência. Isso pode incluir o uso de aplicativos móveis para reservas e check-in, automação de processos, e a implementação de tecnologias de sustentabilidade.
A sustentabilidade ambiental continuará sendo uma prioridade para hotéis em Portugal, com um aumento na procura de práticas ecológicas. Espera-se que os hotéis adotem medidas para reduzir o desperdício, conservar energia e água, e incorporar materiais ecológicos em suas operações e estes processos passam também pela sensibilização dos profissionais que trabalham na indústria em formação. O setor hoteleiro em Portugal continuará a enfrentar uma forte concorrência, tanto de outros hotéis quanto de opções de alojamento alternativo, como arrendamento de curto prazo e plataformas de partilha de alojamento. Para se destacarem, os hotéis precisarão de diversificar a sua oferta, investir em marketing, branding e employer branding, diferenciando-se por meio de experiências únicas para os profissionais que se pretendem atrair.