Só quatro em cada 10 estudantes em Portugal conseguem terminar a licenciatura no prazo previsto de três anos, de acordo com o relatório Education at a Glance 2025, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), divulgado esta terça-feira, 9 de setembro.
Em Portugal, a taxa de conclusão no tempo esperado é de 41%, ligeiramente abaixo da média da OCDE (43%). No entanto, se considerarmos os alunos que concluem os estudos um ano depois, o valor sobe para 65%, acima da média (59%). Três anos depois do tempo previsto, 74% dos estudantes portugueses já terminaram o curso, também superando a média da OCDE (70%).
Mesmo assim, seis anos após a entrada no ensino superior, 26% dos alunos não concluíram a licenciatura. Destes, a maioria (18%) já não está inscrita. A OCDE alerta que a alta taxa de desistências no primeiro ano do curso “pode sinalizar um desencontro entre as expetativas dos estudantes e o conteúdo e exigências dos cursos, refletindo possivelmente falta de orientação de carreira e apoio insuficiente”. Por cá, apenas 8% dos estudantes desistem no primeiro ano, face à média da OCDE de 13%.
O Chile tem a taxa de conclusão no prazo esperado mais baixa (13%), seguido da Colômbia (16%) e da Áustria (21%). Na Irlanda, 68% dos estudantes terminam o curso no tempo previsto, tal como 67% no Reino Unido e 64% na Turquia.
Na maioria dos países da OCDE, incluindo Portugal, as mulheres apresentam taxas de conclusão mais elevadas. O fosso entre géneros é de 11 pontos percentuais.
Segundo a OCDE, as taxas de conclusão variam conforme o campo académico. Em Portugal, as licenciaturas em STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática) têm uma taxa de 61%, enquanto na área da saúde ultrapassa os 80%.
Mais estudantes internacionais
A mobilidade académica no ensino superior continua dinâmica. Em Portugal, a percentagem de estudantes estrangeiros passou de 7,9% em 2018 para 13,3% em 2023. A maioria vem de África (42%) e da América Latina e Caraíbas (30%). Por outro lado, apenas 39% dos estudantes portugueses fazem um gap year entre o secundário e o superior, abaixo da média da OCDE (44%).
O relatório da OCDE aponta ainda a falta de docentes como uma “preocupação crescente”. Em Portugal, o problema pode agravar-se devido ao envelhecimento da classe. A percentagem de professores com mais de 50 anos cresceu fortemente na última década e já ultrapassa os 50%.
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