O concurso nacional de acesso ao ensino superior arranca na próxima segunda-feira e as opções que cada candidato tomar podem ser determinantes para o seu futuro. No entanto, dados apontam que os jovens não têm em conta os indicadores de desemprego na hora de escolher um curso. Algo que, de acordo com especialistas, não é surpreendente.
O portal Infocursos atualizou, esta quinta-feira, os dados relativos ao número de diplomados de cada curso que estão inscritos nos centros de emprego. A generalidade das 20 licenciaturas onde esse indicador é mais elevado teve todos ou quase todos os lugares preenchidos no último concurso nacional de acesso – em 13 delas a ocupação de vagas é de 100% e apenas num caso, o curso de Contabilidade do Instituto Politécnico da Guarda (entraram 15 de 32 alunos possíveis na 1.ª fase), é inferior a dois terços.
Dez anos antes, apenas três cursos preenchiam todas as vagas disponíveis: Design Multimédia, na Universidade da Beira Interior; Comunicação Social, no Instituto Politécnico de Coimbra; e Turismo, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que continua a ter a terceira mais alta taxa de desemprego entre diplomados (12,9%).
O crescimento da procura ao longo da última década foi transversal a todos os 20 cursos que têm, neste momento, mais altos índices de desemprego. Em alguns casos, o número de inscritos foi multiplicado por quatro vezes (Gestão Pública, na Universidade de Aveiro, que tinha cinco colocados) ou cinco vezes (Marketing, no Instituto Politécnico da Guarda, que tinha oito alunos). Em ambos os casos, todas as vagas foram ocupadas logo na 1.ª fase do concurso nacional de acesso no ano passado.
No mesmo período, assistiu-se a um crescimento global da procura do ensino superior (mais 11% de inscritos na última década), mas os altos índices de desemprego não impediram estes cursos de seguir a tendência geral.
Os jovens “continuam a usar o argumento da empregabilidade” na altura de escolher se devem ou não ir para o ensino superior, explica, mas o mesmo não acontece no momento de escolher a formação superior a que vão candidatar-se. Nessa altura, “pesam mais outros fatores”, como a vocação, o interesse pessoal ou a influência da família.