Depois de um 2025 marcado pela adoção acelerada da IA, 2026 perfila-se como o ano em que as organizações passam a exigir resultados concretos. Um estudo da Wharton, mencionado pela Forbes, indica que 82% dos líderes usam GenAI semanalmente e 46% diariamente, mas a McKinsey conclui que apenas 39% das empresas vêem a IA contribuir para o EBIT, sendo que em menos de 5% dos casos esse impacto é diretamente atribuível à tecnologia.
É neste contexto que três vozes influentes do ecossistema tecnológico, citadas pela Forbes, traçam algumas das principais previsões para o próximo ano:
- O fim da centralidade dos chatbots: Alex Tryon, Fundadora da Dewey Labs, antecipa uma mudança de paradigma na forma como os utilizadores interagem com a IA: “Penso que, em 2026, nos vamos afastar do chatbot“;
- IA como verdadeiro colaborador de trabalho: a mesma responsável defende: “As nossas expetativas devem começar a ser que a IA consiga aceder às mesmas fontes de dados a que nós acedemos e produzir resultados nas mesmas ferramentas que utilizamos”;
- Da experimentação à execução plena: Para Alex Tryon, a mudança já está em curso: “Este ano foi claramente de experimentação. Sinto que as conversas estão a mudar para a execução. Tenho tido muito menos conversas experimentais e muito mais conversas orientadas para solução de problemas”;
- Profissionais sem formação técnica a desenvolver produtos digitais à escala: Lenny Rachitsky, Criador da Lenny’s Newsletter, prevê uma democratização radical da criação com IA: “Pessoas jovens, nativas de IA, sem qualquer formação técnica, a criar produtos significativos, complexos e à escala, usando ferramentas como o Cursor e o Claude Code”;
- Criação de novos cargos: o mesmo responsável prevê “a ascensão de funções nativas de IA dentro das empresas, como ‘vibe coders’ profissionais, responsáveis por operações de IA e engenheiros de go-to-market, que constroem ferramentas internas e ajudam a empresa a tornar-se mais produtiva com IA”;
- Diferenças crescentes entre trabalhadores: Lenny Rachitsky alerta para um fosso cada vez mais visível no local de trabalho. Nas palavras do próprio, haverá “uma divisão crescente entre as pessoas que gostam destas ferramentas de IA e as adotam no seu trabalho, e aquelas que não gostam e se sentem esgotadas com o fluxo constante de notícias, mudanças e foco na produtividade“;
- Mudança do uso da IA: Becca Lewy, Chief of Staff da Factorial Capital, aponta para uma mudança estrutural na arquitetura dos modelos. A previsão aponta para menos dependência de IA pública, mais soberania sobre os dados e maior controlo tecnológico, tanto para consumidores como para empresas. Não se trata de abandonar a cloud, mas de a tornar privada, segmentada e governável;
- Transformação profunda da cibersegurança: a responsável antecipa um novo tipo de ameaça digital: sistemas de IA manipulados através da linguagem. Por isso, a cibersegurança passa a exigir não só proteção técnica, mas também governação, limites claros e treino dos próprios sistemas de IA;
- Arrefecimento da hegemonia dos grandes modelos de linguagem: segundo Becca Lewy, aproxima-se uma fase de maturidade da IA. A “bolha” dos Large Language Models não rebenta, mas “vai esvaziar-se”, dando “origem a modelos não linguísticos”.
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