Num contexto empresarial em constante transformação nunca é demais reforçar o papel estratégico que a área de L&D tem vindo a assumir na criação de valor e na preparação das organizações para os desafios futuros. Sendo o tema da formação e desenvolvimento um dos que mais me move, desta vez trago-vos uma abordagem interessante para não só compreender o grau de alinhamento entre as práticas de formação e os objetivos estratégicos da organização, bem como para fazer uma classificação das práticas face a uma escala de maturidade.
Nesta crónica exploro como pode ser feita uma análise de maturidade de L&D, quais as dimensões analisadas e como este exercício pode ajudar as organizações a evoluir para modelos de L&D mais robustos e eficazes.
Porque é que este é um tema pertinente?
Olhando à volta entre os meus pares e antecipando os temas que vão ser mote nas conferências futuras, como é o exemplo do Learning & Development Day promovido pelo IIRH, tenho assistido ao debate sobre como garantir que as academias estão a suportar realmente a transformação do negócio e capacitar a organização para as competências do futuro. Nesse contexto, porque não medir a sua maturidade?
O que significa medir a maturidade de L&D?
A maturidade de L&D refere-se à capacidade da organização de gerir, implementar e avaliar programas de aprendizagem de forma integrada e estratégica. Medir essa maturidade implica avaliar, entre outros, a estrutura e processos de formação, a cultura de aprendizagem e a perceção do impacto e ROI.
Por que é importante? É importante na medida em que permite diagnosticar pontos fortes e áreas de melhoria, definir prioridades para maximizar impacto e, no final do dia, perceber se a aprendizagem que a organização está a promover contribui para a competitividade da organização.
Na prática podem ser distinguidos cinco níveis, de básico/iniciante a avançado/líder/inovador. Cada nível descreve o grau de integração, alinhamento e eficácia dos processos de L&D na organização.
Como fazer a avaliação de maturidade?
Conduzir esta avaliação concretiza-se com um modelo estruturado que combina benchmarking internacional, diagnóstico interno e consultoria estratégica e pode ser avaliada em quatro áreas principais:
- Alinhamento estratégico;
- Tecnologia;
- Pessoas e cultura;
- Políticas e processos.
A sua execução inicia-se com a identificação do panorama de L&D (o as is): mapeamento da oferta, propósito, stakeholders, contexto e exploração do modelo operacional. Segue-se a aplicação de um questionário estruturado, com perguntas-chave para cada área. Desse questionário resulta a pontuação dos resultados segundo os níveis de maturidade. Com base nesses resultados é elaborado o desenvolvimento de recomendações, identificação de gaps e oportunidades de melhoria com base também num benchmarking com dados externos e melhores práticas.
O objetivo seguinte é conduzir a implementação de mudanças para alcançar o estádio pretendido, que deve ser realista de acordo com a estrutura da organização (o to be). Do relatório de recomendações sai sempre a:
- elaboração de um plano de ação para evoluir na escala de maturidade;
- definição de indicadores e monitorização contínua.
Exemplos de perguntas-chave a colocar:
- A estratégia de aprendizagem está alinhada com a estratégia do negócio?
- O Learning Management System permite a personalização e a gestão eficaz da aprendizagem?
- Existe um quadro de competências claro e utilizado nos processos de desenvolvimento?
- Os processos e métricas de L&D suportam a estratégia do negócio?
- Como é feita a gestão de fornecedores e parceiros de aprendizagem?
Quais os resultados alcançados?
De entre os resultados obtidos na implementação de uma análise deste género destaco o aumento da satisfação dos colaboradores com a formação e a redução de redundâncias através da otimização de processos. Por outro lado, é um processo que propicia um maior alinhamento entre formação e objetivos estratégicos, bem como uma maior capacitação e visibilidade do propósito da equipa de L&D.
Assim, diria que medir a maturidade de L&D é um passo essencial para potenciar que a aprendizagem gere valor real já que ao perceber o seu estádio atual é possível evoluir para modelos mais robustos, alinhados com a estratégia e preparados para os desafios do futuro. Onde está a sua academia na escala de maturidade? Numa fase em que me parece que repensar o modelo das academias está na ordem do dia, é hora de descobrir e agir.
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