Como diretor de recursos humanos da Worten Ibéria, Nuno Nascimento Rodrigues assume ter a responsabilidade de pensar e trabalhar em prol do bem-estar e da evolução profissional de milhares de pessoas.
Foi a ziguezaguear que Nuno Nascimento Rodrigues, na Sonae desde 1998, construiu a sua carreira e é em ziguezague que, hoje, os jovens talentos podem evoluir internamente. Do segmento alimentar à direção de recursos humanos da Worten Ibéria, separa-o 19 anos e os desafios inerentes às diferentes áreas. Agora, gere expectativas, necessidades, personalidades e ambições, em prol do bem-estar e da evolução profissional de milhares de pessoas.
Chegou à Sonae em 1998. Há 20 anos na empresa, como é que descreve o seu percurso?
Faz 20 anos que estou na Sonae e, felizmente, o meu percurso tem sido muito preenchido e enriquecedor. Comecei na área do alimentar, onde aprendi a exercer funções maioritariamente de gestão comercial e desenvolvimento de projetos, e, em 2006, tive a oportunidade de ser head of marketing da Worten – a concretização de um sonho, na altura, apenas possível, porque houve uma transferência do marketing da marca para Lisboa (antes estava em Matosinhos). Aí, pude aprender imenso e vi crescer uma equipa, que se tornou muito próxima e robusta e que, de oito pessoas em 2006, passou para as atuais 50 que compõem a direção de marketing. Cheguei a acumular a função de head of marketing com a função de head of e-commerce e áreas de cliente e conceito de loja. Saí do marketing em 2015 para abraçar um novo desafio, acumulando o planeamento e controlo de gestão com a direção de recursos humanos. Atualmente, e desde o final do ano passado, sou head of human resources da Worten Portugal e Espanha.
Das áreas que enumerou, e onde acumulou experiência, qual a que considera ser mais desafiante?
Gerir pessoas é sempre um desafio enorme. Trata-se de um dado adquirido e transversal a todas as áreas e a todos os que têm uma equipa sob a sua alçada. Obviamente que, como responsável de recursos humanos, esse desafio é elevado a uma escala maior, porque, além das minhas equipas diretas, tenho a responsabilidade de pensar e trabalhar em prol do bem-estar e da evolução profissional de milhares de pessoas que compõem a Worten Ibéria. Mas este desafio acaba por ser, ele próprio, bastante estimulante. A grande maioria dos colaboradores quer, sobretudo, um ambiente de trabalho saudável, numa empresa onde possa mostrar o seu trabalho e crescer como pessoa e como profissional. Dito de outra forma: os colaboradores valorizam o bom clima organizacional aliado a uma liderança forte. Isso exige dos recursos humanos uma atenção redobrada, na medida em que estamos a falar, no caso da Worten, de um universo de milhares de pessoas, em áreas de trabalho distintas e cada uma delas tem as suas necessidades, a sua personalidade e a sua ambição. Gerir tudo isto e acompanhar aquelas que serão as expectativas da maioria generalizada é, pois, um desafio enorme, mas que me deixa muito entusiasmado e na expectativa de conseguir corresponder às expectativas das pessoas.
No Fórum RH 2018, dizia que a gestão de pessoas está transformada, assim como os processos de negócio e a relação com o cliente. Que fatores têm contribuído para a transformação referida?
É a transformação da própria sociedade que está a originar essa mudança, com a omnipresença do digital nas nossas interações do dia-a-dia para comunicarmos uns com os outros, recolher informação, comparar, comprar, pagar e devolver. É a entrada de gerações no mercado de trabalho para quem a vida foi sempre assim e de uma geração que é mais global, que procura um melhor equilíbrio entre trabalho e diversão e que é muito preocupada com a sustentabilidade. É também a evidência de que esta revolução digital está apenas no início e que as mudanças vão acelerar nos próximos anos.
A tecnologia ao serviço dos seus profissionais. Podemos atribuir esta característica à Worten?
Certamente! Prova disso é que a Worten foi eleita Best Digital Workplace no Portugal Digital Awards, em 2017, na sequência da utilização generalizada entre as mais de quatro mil pessoas que trabalham nas nossas lojas de uma ferramenta de gestão e monitorização de atingimento de objetivos totalmente digital e gamificada, que visa maximizar o engagement destes colaboradores com os targets da empresa.
Investem na formação dos colaboradores?
Apostamos bastante na formação das nossas pessoas, capacitando-as para a execução das suas funções e, sempre que possível, para implementar melhorias que contribuam para a sua evolução dentro da empresa. Interessa-nos, obviamente, captar e desenvolver talento, retendo as pessoas com valor.
ARTIGOS SOBRE FORMAÇÃO & DESENVOLVIMENTO
Que programas de learning ang hability têm implementado?
Lançámos, em outubro do ano passado, uma nova academia de formação – a Worten Academy 2.0 –, onde todo o processo de aprendizagem e conhecimento da Worten foi revisitado, pelo que hoje temos uma academia completamente renovada, moderna, inovadora e, sobretudo, assente no conceito “digitalismo”. O que é isto do “digitalismo”? É o posicionamento atual da nossa empresa, onde o digital é mais do que uma ferramenta, é algo cultural. Ao nível da formação, significa que todos os colaboradores da Worten, de todas as geografias, estão ligados entre si, através de uma plataforma digital simples, intuitiva e que incute o dinamismo necessário à aprendizagem. Passámos, igualmente, de um conceito de transmissão de conhecimento unidirecional para a transmissão de conhecimento 360.º, ou seja, todos temos o direito e o dever de aprender para nos desenvolvermos e sermos melhores nas nossas funções e de partilhar o nosso conhecimento, por forma a ajudarmos no desenvolvimento dos nossos colegas e, no fundo, de toda a organização. Pretendemos que o nosso colaborador seja curioso e proativo na procura do conhecimento e é por esse motivo que dispomos de ferramentas livres e acessíveis a todos na plataforma Worten Academy, que nos permitem adquirir conhecimento sobre as nossas áreas de expertise, mas também de todos os temas que possam ter utilidade para o nosso negócio.
A Sonae é considerada uma das empresas mais atrativas para os jovens talentos. Porquê?
Em 90% das entrevistas de saída que fazemos na Worten, os colaboradores indicam a Sonae com uma grande escola. Essa é a imagem de marca do nosso grupo. Somos, em cada área de negócio, uma grande escola e isso é motivo de orgulho e incentivo. Para um jovem em início de carreira, entrar numa empresa com a dimensão da Sonae é uma oportunidade de aprendizagem única e ele tem consciência disso. A Sonae tem no seu ADN a irreverência que os jovens apreciam, temos uma cultura de abertura, de trabalho em equipa e de forte dinamismo. Há sempre novidades a acontecer. Há sempre projetos em que nos podemos envolver para lá da nossa função ou área de responsabilidade. Na Sonae, costumamos dizer que nada é impossível. Por outro lado, temos a prática das “carreiras ziguezague”, ou seja, não ficamos reféns da nossa área de expertise. Aliás, eu próprio sou um exemplo disso. Na verdade, mais do que uma evolução hierárquica, julgo que os jovens valorizam, sobretudo, a diversidade de experiências e, isso, a Sonae em geral, e a Worten em particular, é capaz de lhes dar.
Dito de outra forma: os colaboradores valorizam o bom clima organizacional aliado a uma liderança forte.
Como é que motivam os colaboradores?
É importante referir que os nossos colaboradores são pessoas extremamente automotivadas. Faz parte da nossa forma de estar não esperarmos que a motivação venha de fatores externos. Na Worten, contribuímos efetivamente para o sucesso diário da empresa e, como tal, todos somos responsáveis por lançar ideias, identificar áreas de melhoria e implementar novas e boas práticas. Nesse sentido, qualquer colaborador pode liderar um projeto, independentemente da sua área, função ou grau de maturidade. O facto de as nossas pessoas sentirem que estão diariamente a contribuir para algo maior do que a sua esfera de responsabilidade é um fator super motivador para todos. Se perguntar a um colaborador Worten o que mais aprecia na empresa, diria que há fortes probabilidades de responder: ser escutado e ter a oportunidade de fazer acontecer.
Que características apresenta a política de recursos humanos da Worten?
Seguimos uma política de recursos humanos alicerçada nos valores da Sonae (ética e confiança, pessoas no centro do sucesso, ambição, inovação, responsabilidade social, frugalidade e eficiência, cooperação e independência). Esses valores são, no fundo, a base para um trabalho diário das equipas na Worten, gerando gestores dedicados e curiosos e chefias líderes e resilientes. Nesse sentido, diria que a nossa política de recursos humanos proporciona aos colaboradores um ambiente que os faz felizes e os desafia profissionalmente. Se conseguirmos, estaremos a contribuir para que eles, fora até da esfera profissional, recomendem a marca e partilhem o bem-estar e contentamento que sentem junto de familiares e amigos. Internamente temos o nosso melhor público, na verdade.
Que benefícios adicionais concedem aos colaboradores?
Consoante a função e nível de responsabilidade, os colaboradores da Worten têm, enquanto pacote de benefícios, seguro de saúde, seguro de vida, seguro de acidentes pessoais, viatura, telemóvel, desconto em compras nas lojas de retalho alimentar do grupo, vários descontos em marcas da Sonae e, inclusive, descontos em outras marcas, através de uma plataforma de vantagens exclusivas que lhes disponibilizamos. Temos, também, alguns projetos específicos de cariz social, nomeadamente o SOMOS SONAE, em parceria com a Cruz Vermelha, que visa ajudar alguns colaboradores com dificuldades pessoais mais extremas, e as Bolsas de Estudo promovidas pela Fundação Belmiro de Azevedo.
E que práticas de well-being implementam?
A estrutura de RH da Worten contempla uma equipa que se dedica à segurança e ao bem-estar dos colaboradores. Das práticas de well-being destacamos, por exemplo, os programas de ergonomia, as campanhas de vacinação e a disponibilização de fruta fresca, todos os dias, nos escritórios da estrutura central de Portugal e Espanha.
Temos a prática das “carreiras ziguezague”, ou seja, não ficamos reféns da nossa área de expertise. Aliás, eu próprio sou um exemplo disso.
Como diretor de recursos da Worten que objetivos tem, ainda, por cumprir?
A Worten está num processo de transformação muito grande. Garantir que temos a cultura certa, uma estrutura organizativa adequada e as pessoas com as competências necessárias a esse processo de transformação é, de facto, um grande desafio. A sociedade em que vivemos está a mudar e as organizações têm de se adaptar a essa mudança. Garantir que o fazemos da melhor forma na Worten, compatibilizando toda a nossa experiência passada com os desafios futuros, é o nosso maior desafio na área de RH.