A Empatia é uma competência de relacionamento interpessoal com amplos benefícios para as equipas e para as organizações e são os próprios colaboradores a reconhecerem a necessidade de terem um líder empático.
De entre um conjunto de 15 qualidades possíveis numa liderança, a Empatia foi a mais referida como necessária, sendo que 75% dos colaboradores a elegem como uma das principais competências de um líder. A seguir à Empatia, as qualidades mais escolhidas são a Assertividade, a Orientação para os Objetivos, seguidas da Autenticidade e da Energia Positiva.
Estas são algumas das principais conclusões de um estudo junto de 268 colaboradores em Portugal, entre 18 de Setembro e 19 de Dezembro de 2022. O estudo, realizado por Sara Midões, especialista em Liderança Positiva e fundadora da Community, teve como objetivos compreender como é percebida a qualidade das lideranças em Portugal, medir o impacto da relação com as lideranças num conjunto de variáveis, bem como aferir a perceção dos indivíduos sobre atitudes e práticas positivas e empáticas das suas lideranças diretas.
“O exercício da empatia na liderança tem impacto positivo em inúmeros indicadores, da motivação ao bem-estar, da diversidade e inclusão ao clima social positivo, passando pela fidelização de clientes e pela própria eficácia da liderança, entre muitos outros. Mas este resultado é muito interessante porque, para além do que diz a investigação, são as próprias pessoas no terreno a reconhecer essa qualidade como vital nas suas lideranças”, conta a autora do estudo, que é também Coordenadora Executiva do Curso de Liderança Positiva e Empática do ISCSP da Universidade de Lisboa.
“Com este estudo quis promover a consciência para o que são as melhores práticas de liderança, que promovam uma mudança positiva nos indivíduos e nas organizações”, explica a autora.
Apenas 58% dizem que o seu líder se coloca no lugar do outro
Quanto às práticas de liderança empática, de uma forma geral, a maioria dos respondentes concorda ou concorda totalmente que as suas lideranças diretas as adotam. Algumas práticas empáticas são, no entanto, mais generalizadas do que outras. No topo das mais reconhecidas como praticadas estão o interesse por saber a opinião da equipa (73%) e o estilo de comunicação empático e humano (71%). Ainda assim, apenas 58% reconhecem que a sua liderança tenta colocar-se no lugar dos elementos da sua equipa e apenas metade reconhece que o seu chefe dedica tempo regular e exclusivo a cada pessoa.
Conforme explica Sara Midões, “parece haver uma preocupação de comunicar com empatia, mas essa preocupação não é acompanhada com iniciativas que promovam a escuta autêntica e a conexão humana. A verdadeira experiência de empatia consegue-se na conexão com as necessidades e as emoções do outro, num esforço de não julgamento, de abertura e de curiosidade, esforço esse que requer tempo e uma profunda capacidade de auto-observação”. “Recomenda-se por isso um maior enfoque na intenção de compreensão e menos no output da comunicação, que claro, também é muito importante, mas surge na sequência daquele primeiro passo”, conclui.
Lideranças diretas com nota positiva, mas mais de 1/3 dá nota negativa aos CEO
A avaliação global da qualidade das lideranças diretas é positiva com 62% dos respondentes a considerarem que é boa ou muito boa. A avaliação positiva das lideranças está concordante com a apreciação de que estas exercem no geral uma liderança empática (66%) e positiva (67%). Esta avaliação positiva das lideranças diretas é contrastada com a avaliação das lideranças de topo, com apenas 43% das pessoas a considerá-la boa ou muito boa e com mais de um terço (36%) a classificá-la como má ou muito má.
“Esta discrepância pode estar relacionada com a distância dos colaboradores face às lideranças de topo, o que só por si não é um bom indicador do estilo de liderança, ou ainda com uma eventual má reputação destas junto dos colaboradores. Em qualquer dos casos, há uma clara oportunidade de humanização e aproximação das lideranças de topo ao resto da organização”, comenta Sara Midões.
Como medida de promoção de melhores lideranças, quase metade (44%) dos respondentes escolheram duas iniciativas que as organizações podem lançar mão: escolher líderes em função das competências pessoais e interpessoais e dar formação em liderança. “A empatia, tal como a liderança, são competências que se aprendem e que se podem desenvolver. Cabe às organizações tomar consciência da necessidade de envolver as lideranças de todos os níveis nos seus planos de desenvolvimento de competências, nomeadamente naquelas que são hoje consideradas as “human skills”, sugere a autora.