Nunca na longa história da Inteligência Artificial, um tema que, durante décadas, estava contido no universo da ficção científica, existiu uma tão grande democratização da discussão e dos meios como a mesma é utilizada.
A verdade é que o tema da Inteligência Artificial já fazia parte do nosso mundo através dos diversos serviços tecnológicos que utilizamos. Como refere Ana Paiva, professora do Departamento de Engenharia Informática do Instituto Superior Técnico, “todos nós usamos inteligência artificial” nos sistemas de reconhecimento facial, na Google, nas redes sociais.
O que, na opinião da especialista, tornou o tema uma “revolução e não uma mera evolução” foi a introdução do ChatGPT, que introduziu uma interação que se assemelha à de um humano.
Por isso, não é de estranhar que a Inteligência Artificial já está a mudar até a forma como nos deslocamos, através do uso de algoritmos capazes de analisar uma grande quantidade de dados, prevendo congestionamentos e sugerir rotas alternativas. O futuro dos carros de condução autónoma, semelhante ao que vimos em séries como o Justiceiro (Knight Rider), deixaram de ser ficção e passaram a ser realidade, com a chegada ao mercado de carros cheios de sensores, câmaras e radares.
Tudo isto já conhecemos, mas ainda existe um inteiro mundo desconhecido por explorar e conhecer no que toca à Inteligência Artificial.
De acordo com a multinacional tecnológica Stratesys, oito tendências foram identificadas como importantes para compreender os potenciais e ameaças que a Inteligência Artificial vai colocar em 2024.
Automatização melhorada e autónoma
Prevê-se um crescimento significativo da automatização, permitindo que os sistemas executem tarefas complexas de forma independente, impulsionando a procura de IA explicável (XAI) para garantir a transparência e facilitar a sua adoção em vários sectores.
IA generativa e multimodal
Esperam-se ainda mais avanços na IA generativa, incluindo a capacidade de processar e compreender informações em várias modalidades (texto, imagens, som, vídeo), o que representa uma mudança no sentido de uma compreensão mais profunda.
Melhoria da interação homem-máquina
A evolução da IA reforçará a interação homem-máquina, com sistemas capazes de dar respostas mais humanas e contextuais, com foco em modelos multimodais para uma compreensão mais completa.
Conectividade avançada (5G e 6G)
A conetividade avançada, como a 5G e a 6G, impulsionará a integração da IA na construção de uma sociedade hiperconectada, alinhando-se com a abordagem da Sociedade 5.0, para uma integração harmoniosa da tecnologia e da sociedade.
Regulamentação e ética na IA
A regulamentação e a ética na IA serão questões centrais, com destaque para o estabelecimento de quadros regulamentares mais sólidos para abordar questões como a parcialidade, a transparência e a proteção da privacidade.
Este é um aspeto que já tem mostrado os primeiros passos no palco internacional. Em dezembro de 2023, a União Europeia assinalou um marco histórico ao acordar o primeiro regulamento global sobre inteligência artificial (IA). O acordo, alcançado antes das eleições europeias de 2024, procura equilibrar a segurança e os direitos humanos com o impulso para a inovação.
A classificação da IA em função do risco que representa é uma das suas principais características, com categorias que vão do “risco mínimo” ao “risco inaceitável”.
Desafios em matéria de deepfakes e desinformação
Prevê-se um aumento da criação e difusão de deepfakes, o que exigirá uma maior vigilância contra a desinformação e a necessidade de legislação adequada para fazer face a estes desafios.
As consequências desta desinformação podem levar até casos como o que aconteceu esta semana a uma multinacional, que foi burlada em quase 26 milhões de dólares através de um “deepfake”. De acordo com o JN, um empregado de uma empresa num centro financeiro chinês recebeu chamadas por videoconferência de alguém que se fazia passar por um quadro superior da sua empresa e que lhe pedia para transferir dinheiro para determinadas contas bancárias.
Personalização amplificada
A personalização baseada na IA atingirá novos níveis, proporcionando experiências de utilizador mais sofisticadas e personalizadas em múltiplas plataformas digitais.
Melhor educação e formação
Prevê-se uma maior incorporação da IA na educação e na formação, com tecnologias como o ChatGPT, a transformação dos métodos de ensino, incluindo experiências de aprendizagem mais interativas e personalizadas.
Para gestores de Recursos Humanos, os grandes desafios que a Inteligência Artificial vai impor são a veracidade dos dados externos e internos à organização. Desinformação vai continuar a ser uma das fontes principais de más práticas e decisões nas organizações, sendo o impacto amplificado pelas ferramentas de IA. Igualmente, o acesso à educação e à formação vão sofrer uma grande transformação, através da introdução de novas metodologias e formas de ensino.