Portugal está posicionado no topo do ranking dos países cujos trabalhadores são mais afetados pela transição verde. Este processo consiste numa medida de combate às alterações climáticas que ambiciona a neutralidade carbónica. A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico) previu o impacto no mercado.
Segundo apurado pelo Expresso, nos próximos anos, mais de 25% dos empregos mundiais serão afetados pela transição verde. A OCDE constatou que o equilíbrio na emissão de gases com efeito estufa exige a adaptação das economias mundiais. O impacto social prevê-se significativo.
O despedimento de profissionais é uma solução, não só para o setor energético, mas também para os que têm elevada emissão de gases poluentes. O “Employment Outlook”, relatório anual da OCDE, evidencia a queda do emprego. Entre 2019 e 2030, esta deverá ultrapassar os 2% ao ano. Em média, segundo a OCDE, apenas 20% dos trabalhadores podem ver as suas funções beneficiar desta transição. Em Portugal, o valor é de 19%.
A economia portuguesa está entre as que mais pode ser afetada pela reconfiguração do emprego. Em Portugal, um trabalhador de uma indústria poluente que fique desempregado poderá perder, em média, 68% do seu rendimento anual. A média da OCDE ronda os 38%, o que retrata um valor muito inferior.
O relatório da OCDE
Segundo o relatório ao qual o Expresso acedeu, a capacidade dos países se adaptarem à transição verde e às “profissões verdes” é incerta. O “Employment Outlook” alega: “O facto de 20% dos trabalhadores nos países da OCDE já ocuparem empregos expostos à meta de neutralidade carbónica é uma medida tangível do caminho já feito, e deixa os países bem posicionados para encontrar novas oportunidades económicas”.
Lê-se, ainda: “É pouco provável que a transição energética desencadeie um declínio líquido ou um aumento total acentuado do número de empregos até 2030”.
Contudo, segundo apurado pelo Expresso, é estimada a reconfiguração de 25% do emprego. Segundo a OCDE, apenas 12% dos trabalhadores em Portugal associados a atividades ambientalmente sustentáveis estão associados a “profissões verdes novas e emergentes”. Estas são as que têm mais possibilidades de se expandir no futuro. 44,6% são profissões que se podem adaptar à economia verde, por meio de reconversão. As profissões verdes que registam maior procura correspondem a 43%.
O que justifica os valores de Portugal
Os elevados valores que retratam o impacto da transição verde para os trabalhadores em Portugal podem ser justificados pelo tempo na procura de emprego. Também a diminuição no número de dias no novo emprego face ao anterior é um motivo. Os profissionais com menor qualificação podem sair mais prejudicados, devido aos salários. Estes estimam-se distintos de um emprego para o outro.
O relatório da OCDE anota: “Empregos verdes altamente qualificados, geralmente, pagam salários acima da média, mas os de baixa qualificação tendem a ter pior qualidade do que outros empregos pouco qualificados”.
Mathias Cormann, secretário-geral da OCDE, afirmou, segundo o Expresso: “As prioridades políticas devem ser facilitar a mobilidade entre empregos, por via da implementação de programas de formação eficazes nos sectores mais afetados, apoiar os trabalhadores que perderam o emprego ou cujos empregos estão em risco devido à transição, e promover a inovação, o empreendedorismo e a criação de empregos verdes”.