O IIRH – Instituto de Informação em Recursos Humanos realizou mais um RH Talks que teve o apoio da Workplace Options. Carolina Afonso, CEO do Gato Preto, Ricardo Costa, CEO do Grupo Bernardo da Costa e Ricardo Parreira, CEO da PHC foram convidados para partilhar as suas visões sobre o papel do CEO na promoção do bem-estar num debate moderado por Ricardo Sousa, Director of Business Solutions Iberia da Workplace Options.
O compromisso do líder
Não existe gestão da saúde nas empresas sem uma cultura organizacional alavancada na visão estratégica da liderança. Esta visão é reforçada por Ricardo Costa, CEO do grupo Bernardo da Costa e autor do livro A felicidade é lucrativa, ao defender que o tema da saúde, do bem-estar e da felicidade nas organizações exige “uma abordagem top down”.
Esta mudança tem sido exigida até pela entrada das gerações mais jovens no mercado de trabalho e que trazem consigo novos desafios aos gestores na hora da contratação. Carolina Afonso, CEO do Gato Preto, referiu a experiência da cadeia de retalho no processo de recrutamento em que os candidatos preocupam-se em perceber o propósito e o compromisso da empresa e “até que ponto o seu esforço e empenho se traduzem no seu bem-estar”.
Interessa a estas novas gerações, entender não só o negócio, mas também a missão e os valores que norteiam a empresa. Esta nova abordagem por parte dos candidatos inverteu os papeis sendo “o candidato que escolhe a empresa e as pessoas olham para esta como uma componente importante da sua realização pessoal”.
Do CEO para as chefias intermédias
O bem-estar assume um papel fundamental na reputação da organização e Ricardo Costa destacou ainda a importância das chefias intermédias na disseminação do propósito, missão e valores por toda a organização sobretudo em estruturas de maior dimensão como é o caso das médias e grandes empresas, em que o CEO não tem a capacidade de chegar nem ao ‘chão de fábrica’ e nem aos trabalhadores diretamente.
O CEO precisa das lideranças intermédias também nesta capacidade de implementação da cultura organizacional “e o que temos neste momento em Portugal, é que a grande maioria das lideranças intermédias subiram esse cargo por competências técnicas e esquecemos durante muitos anos as skills relacionadas com a liderança de pessoas. É necessário fazer um trabalho de requalificação destas chefias intermédias que estão a exercer cargos de liderança de pessoas”.
Se nas empresas mais pequenas, a promoção do bem-estar é uma responsabilidade a 100% do CEO, já nas empresas maiores, Ricardo Parreira da PHC considera que “à medida que a empresa começa a crescer, ou seja, a partir do momento em que já não é o CEO a recrutar as pessoas, tem de existir uma cultura bem organizada e profissionalizada, ou as lideranças intermédias vão construir subculturas”.
A felicidade está na moda
O tema a felicidade nas empresas está na moda, mas ela só é real se for aplicada no dia-a-dia das organizações. Para Carolina Afonso é importante perceber no terreno como a cultura de bem-estar está implementada e a gestora entende a proximidade como uma ferramenta de trabalho importante para a sua liderança.
A felicidade da empresa não é só interna. Abrange todo o ecossistema do Gato Preto desde colaboradores, fornecedores e clientes. “Interessa perceber como os clientes nos veem” e o livro de reclamações é uma ferramenta que ajuda nessa visão e a estarmos alinhados na missão da empresa.
“Acho que a felicidade não deve ser só vista numa perspetiva de RH, mas sim numa perspetiva muito maior” e envolvendo todos clientes, fornecedores e colaboradores, defendeu Carolina Afonso.
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