A transformação do mundo do trabalho já não é uma novidade. Ainda antes da pandemia do Covid-19, muitas empresas estavam já a dar os primeiros passos na implementação de modelos de trabalho híbridos. Além da alteração aos modelos de trabalho, uma fatia pequena, na época, das organizações também já estava atenta à necessidade de acrescentar mais valor aos seus funcionários por via de benefícios extrassalariais.
Com os confinamentos vivenciados por via da pandemia, o trabalho remoto tornou-se uma realidade para a grande maioria dos profissionais que, pela primeira vez, tiveram contacto com um modelo de trabalho que lhes permitia ter mais tempo para se dedicarem à família, ou a atividades que antes não conseguiam.
Os profissionais tornaram-se, assim, mais exigentes, começaram a ter cada vez mais noção do seu valor e querem empresas que sejam capazes de o valorizar também.
A mudança abrupta da forma de trabalhar foi um grande desafio para muitas empresas, que tiveram de alterar a sua abordagem da gestão de pessoas e encontrar vias alternativas para manter vivo o contacto e o espírito de equipa, apesar das barreiras geográficas. Para algumas destas, ainda hoje existe alguma indefinição sobre qual a forma ideal de trabalho, e se devem recuar para o modelo que tinham antes da pandemia.
No entanto, numa época em que o mercado está mais competitivo do que nunca em em que as empresas procuram diferenciar-se para atrair talento, o Smart Working apresenta-se como a solução ideal.
O que é o Smart Working?
O Smart Working, tal como o nome indica, traduz-se em trabalho inteligente, ágil. Este modelo de trabalho baseia-se na flexibilidade laboral e no compromisso dos colaboradores com vista a chegarem a um objetivo comum: alcançar uma maior agilidade organizacional e fomentar a inovação.
O Smart Working incorpora mais do que a flexibilidade de horário: traduz-se em mais liberdade para as organizações, na promoção do equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, autonomia dos colaboradores, envolvimento e mobilidade.
Esta forma de trabalhar não é, no entanto, uma solução “one size fits all”: cada empresa é única e deve adaptar o Smart Working à sua cultura. No entanto, existem quatro pilares fundamentais na sua implementação:
1- Localização
A flexibilidade em termos de local de trabalho é central nas políticas de “Smart Working”. Isto significa que os colaboradores podem trabalhar em qualquer local, sem necessidade de deslocar diariamente à empresa. Para empresas mais pequenas, isto pode significar inclusive o investimento num local de co-working, reduzindo custos e permitindo que a equipa tenha na mesma momentos de partilha presenciais, dotando as equipas de maior flexibilidade e agilidade.
2- Tempo
A flexibilidade de local de trabalho pode ser acompanhada pela flexibilidade de horário. Sem as deslocações para o trabalho, que ocupam uma fatia grande do dia dos profissionais, existe um ganho de tempo que pode ser alocado a tarefas domésticas, atividades de desporto e bem-estar, ou simplesmente a mais tempo em família.
3- Pessoas
As pessoas são o veículo mais importante no sucesso do smart working. Para funcionar, é imperativo que as pessoas sejam responsáveis pelo seu trabalho e tarefas diárias e que as empresas confiem nelas. A formação e a autonomia são conceitos-chave que permitem um “Smart Working” realmente eficaz.
4- Tecnologia
Para que o trabalho à distância funcione, a tecnologia é fundamental. Seja por via de ferramentas e plataformas colaborativas, ou por ferramentas de gestão centralizadas, a tecnologia tem o poder de quebrar as barreiras geográficas do trabalho remoto e permitir que as equipas continuem conectadas entre si.
Que benefícios é que o Smart Working traz às empresas?
Os benefícios financeiros são dos mais imediatos do Smart Working. Com um regime híbrido ou de teletrabalho, menos pessoas estarão no escritório em simultâneo e os custos com o local de trabalho diminuem. A necessidade de as empresas terem escritórios de grandes dimensões, para passarem a ter escritórios mais pequenos traduz-se em ganhos elevados.
Já no impacto para os colaboradores, o Smart Working tem o potencial de aumentar a sua produtividade. Permitir que os funcionários adotem horários e locais de trabalho flexíveis e tenham ambiente de trabalho mais confortável, pode ter um impacto direto na taxa de absentismo, uma vez que as pessoas podem ausentar-se para tratar de assuntos pessoais, ou simplesmente ir ao médico, optando por transferir o seu horário de trabalho para uma outra altura do dia em que se sintam mais capazes.
Esta autonomia e flexibilidade têm, também, consequências no envolvimento dos colaboradores. A autorresponsabilização dá, aos colaboradores, um senso de que estes estão no controlo do seu fluxo de trabalho e das suas tarefas, tornando-os mais motivados e focados. Paralelamente, o facto de ganharem tempo e liberdade para se dedicarem mais a atividades que gostam, aumenta a sua capacidade de inovação e traduz-se em melhores resultados para a empresa.
Empresas flexíveis que dão oportunidade aos colaboradores de investirem mais em si e na sua vida pessoal, sem terem de comprometer o desenvolvimento da sua carreira, serão altamente atrativas e, numa época em que a luta por talentos está a subir de tom, pode estar na altura ideal para as organizações se reiventarem e adotarem novas abordagens de trabalho.