Durante este período desafiante que todos vivemos, tem havido a necessidade de nos adaptarmos de forma crucial. Assistimos nos últimos dias a uma mudança de paradigma em termos de comportamento organizacional, já que muitas empresas passaram a trabalhar remotamente a 100%.
Muitos de nós, que exercemos o direito à proximidade com os outros, apressaram-se a transformar os processos de gestão de pessoas e cultura organizacional para adaptarmos ao digital, com o objectivo de que nada se perca e tudo se transforme.
E foi exactamente por isso que sentimos a necessidade de escrever este texto: partilhar erros e olhar para o futuro. Um futuro em que o valor Adaptabilidade desempenhará um papel cada vez mais crucial.
1. A vulnerabilidade é uma arma contra a distância social. Mostrar o que sentimos e de que forma sentimos o mundo é importante para continuarmos a ter conexão com quem está distante fisicamente.
2. A liderança deve ser adaptada a este novo contexto, passar a ser temperada com calma e serenidade, mas também com emoção, coragem e cuidado com todos aqueles que fazem parte das nossas equipas. Tentemos ser mais prudentes em algumas manifestações e imposições, já que a comunicação digital não é absorvida da mesma forma que a comunicação interpessoal.
3. Os processos devem ser alterados, transparecendo esta nova realidade. Podemos fazer um cocktail de várias metodologias e aprendizagens, que num cenário regular, não se cruzariam. E cuidado: não devemos ultrapassar nenhum processo definido apenas porque nos parece mais eficaz a curto prazo. Confiem, já passamos por isso e o resultado a longo prazo não foi positivo.
4. Estabeleçamos contactos próximos e frequentes com as vossas pessoas. Entendam que criar um grupo com diferentes pessoas e diferentes projectos pode levar, muitas vezes, a desentendimentos e conflitos desnecessários. Mais do que nunca é importante nutrir as relações e compreender a comunicação alheia. E todos nós sabemos o quão fácil é inferirmos muito para além daquilo que efectivamente está escrito.
5. Termos em conta que as nossas pessoas poderão reagir de forma diferente e isso não tem de ser necessariamente mau. Vamos ser verdadeiros: há poucas certezas e muitos cenários. A nossa percepção da realidade depende muito dos nossos valores, das nossas experiências e do nosso background cultural.
6. Acordemos a criança que está dentro de vocês. É importante sermos criativos nesta altura, sem barreiras ou freios.
7. Façamos um reset às relações de forma a apagarmos possíveis quezílias passadas, que não acrescentam valor durante este momento. Estamos todos no mesmo barco e a união e coesão é ainda mais importante.
8. Não basta gritar para ficar em casa e não entender o esforço que muitos estão a fazer para cuidar de nós. O comportamento consciente e preventivo pode valer vidas num futuro próximo. Quem sente que tem a vida sob ameaça é natural que fique mais sensível, que se questione sobre o real motivo de sair da cama, de trabalhar ou até mesmo de se cuidar. Devemos declarar uma guerra ao pijama. Este é um momento que, caso estejamos disponíveis, pode despertar reflexões profundas.
9. Planear, testar, planear, testar. Este ciclo deve entrar mais do que nunca nos nossos ouvidos. Errar é um verbo com o qual não criamos muita empatia, mas esta será uma fase de aprender a aceitar o erro e, mais importante do que isso, criar um processo de aprendizagem contínua.
10. Vamos precisar de tempo para sair do isolamento e repescar a nossa intimidade. Estamos isolados mas muito acompanhados. Um misto de cansaço das relações que têm que se manter fortes, mas demasiado frágeis com tanto tempo em partilha. Tudo se resolverá com tranquilidade e sensatez.