Embora as mulheres estejam a aumentar o seu poder económico e a entrar na força de trabalho em maior número, a atual situação geopolítica instável e o abrandamento nos compromissos de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) em muitas empresas tornam o futuro da participação das mulheres no mercado de trabalho novamente mais incerto.
Segundo dados do World Bank, em 2023, as mulheres já representavam mais de 46% da força de trabalho na Europa e quase 40% em todo o mundo. Do mesmo modo, o estudo “Women in the Workplace 2024”, da McKinsey, revela que as mulheres ocupam já 29% dos cargos de direção executiva, em comparação com 17% em 2015.
No entanto, o mesmo estudo revela que o progresso tem sido mais lento nas posições de início de carreira e funções de gestão, o que limita as possibilidades de evolução nas posições de liderança nos próximos anos.
Também a disparidade salarial global continua a ser um problema complexo, num momento em que 37% dos empregadores reportam atrasos nas suas iniciativas de igualdade salarial ou referem não ter planos para colmatar essa disparidade, de acordo com a investigação do ManpowerGroup.
“É positivo ver como o progresso das empresas portuguesas se mantém constante, num momento em que parece haver alguma incerteza ao nível da aplicação das políticas de diversidade, equidade e inclusão. Promover uma maior participação das mulheres nas empresas não é só um imperativo moral: sabemos hoje que equipas diversas trazem diferentes formas de pensar, desafiam os pressupostos e, em última análise, criam melhores soluções e resultados de negócio. As empresas devem, por isso, continuar a avançar e implementar as ações que permitam que mais mulheres progridam nas suas carreiras, com iniciativas de mentoring e sponsorship, com a promoção de mais flexibilidade e assegurando que estes objetivos estão cimentados nos objetivos da liderança e na cultura das organizações”, explica Pedro Amorim, Enterprise Sales Director do ManpowerGroup para Portugal, a Região do Mediterrânea e Leste da Europa.
Face a esta realidade, o ManpowerGroup analisa o estado da paridade nas empresas portuguesas, o progresso realizado e que perspetivas podem ser esperadas em termos de evolução da igualdade de género no mundo do trabalho.
66% das empresas já alcançaram ou estão próximo de alcançar os seus objetivos de igualdade de género, sendo que se espera que este valor atinja os 81% daqui a dois anos
Ao longo do último ano, o número de empresas que afirmam estar a concretizar os seus objetivos de igualdade de género aumentou, atingindo os 27%, face a 23% em 2024. Ainda assim, em 2025, a percentagem de empresas que estão próximo de alcançar os seus objetivos de igualdade de género desceu para os 39%, quando atingia já os 44% em 2024. Entre 2024 e 2025, a percentagem de organizações que está ainda longe de cumprir a igualdade de género mantém- se igual, nos 9%.
Espera-se, contudo, que estes valores aumentem até 2027, atingindo os 81%. De facto, daqui a dois anos, 49% das empresas esperam já ter alcançado totalmente as suas metas no que toca à igualdade de género, e 32% acreditam estar próximas de o fazer.
Cerca de três em cada cinco organizações já estão a cumprir as suas iniciativas de equidade salarial, sendo que os setores das Finanças e Imobiliário e da Saúde e Ciências da Vida são os que apresentam as maiores taxas de concretização da igualdade de género
Entre os setores com as maiores taxas de concretização dos objetivos da igualdade de género, destacam-se o setor das Finanças e Imobiliário, com 76%, e o da Saúde e Ciências da Vida, nos 71%. Também com uma taxa alta de concretização encontra-se o setor da Energia e Utilities, a atingir os 70%.
No que toca à equidade de género nas funções de liderança de topo, apenas 42% das empresas revelam estar a concretizar os seus objetivos, menos um ponto percentual do que no ano passado. Ainda assim, os setores das Finanças e Imobiliário e Tecnologias da Informação (TI) são os que apresentam melhores taxas de concretização destes objetivos, com 57% e 54%, respetivamente.
Inversamente, é na Saúde e Ciências da Vida e na Indústria Pesada e de Materiais que se observa menos progresso, com menos de uma em cada três empresas a afirmar conseguir realizar os seus objetivos ou mesmo estar à frente dos seus planos.
Já nas funções técnicas, são as empresas dos setores da Energia e Utilities e das TI as mais adiantadas na promoção da paridade, com 65% e 59%, respetivamente. Mais uma vez, a Saúde e Ciências da Vida e a Indústria Pesada e de Materiais ficam para trás nesta meta.
Quanto à equidade salarial, cerca de três em cada cinco organizações (56%) estão a cumprir as suas iniciativas, o que representa uma melhoria de 4 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado.
O setor da Energia e Utilities é o que se encontra mais avançado na concretização deste objetivo, com 80%, seguindo-se o dos Serviços de Comunicação (69%) e os Transportes, Logística e Automóvel (65%). Novamente, o setor da Indústria Pesada e de Materiais é o que se encontra mais longe de cumprir estes objetivos, fixando-se nos 51%.
Criar confiança é a estratégia mais útil para a criação de ambientes de trabalho mais equitativos
Entre as medidas que estão já a ter impacto na promoção de uma maior equidade nas organizações, criar relações de confiança com as equipas é a estratégia mais referida, destacada por 41% dos empregadores, seguida da implementação de políticas para garantir a igualdade de oportunidades de desenvolvimento de carreira e do apoio eficaz do bem-estar dos trabalhadores.
Por outro lado, no espaço de um ano, os empregadores preveem começar a auditar as políticas de promoção da DEI e a fazer o seguimento dos resultados ao nível das promoções realizadas, como medidas para continuar a promover a igualdade de género. Ainda neste âmbito, 22% dos líderes destacam também a medição da utilização e do impacto das políticas de flexibilidade.
Embora as mulheres tenham avançado em determinadas áreas, continuam a ser necessários esforços significativos para promover um mundo do trabalho verdadeiramente equitativo e inclusivo.
Para isso, é fundamental que as empresas invistam em estratégias concretas de DEI. Desta forma, poderão não só potenciar o seu talento e garantir mais oportunidades para as mulheres, como também promover um crescimento equitativo e sustentável.
Aproveite e leia gratuitamente já as últimas edições da RHmagazine AQUI